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Golpe do entregador: Procon-SP quer investigação contra iFood e Rappi

iFood e Rappi dizem não ser responsáveis por entregadores que cobram até R$ 5 mil por maquininha de cartão com visor quebrado

Felipe Ventura Por

Você provavelmente já ouviu falar do golpe da maquininha: ao chegar o seu delivery, o entregador diz que é necessário pagar uma taxa extra e saca uma máquina de cartão com o visor quebrado. Sem saber o valor, você acaba autorizando uma cobrança altíssima — de até R$ 5 mil em alguns casos. A Fundação Procon-SP quer uma investigação sobre essa prática, pela qual iFood e Rappi dizem não se responsabilizar.

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O Procon-SP encaminhou um ofício ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), órgão da Polícia Civil especializado em investigações sobre crimes ao consumidor. A fundação pede que um inquérito policial seja instaurado contra iFood e Rappi para descobrir a responsabilidade das duas empresas no golpe do entregador.

Segundo o Procon-SP, foram registradas 35 reclamações referentes a crimes praticados por motoboys. O entregador cobra uma taxa adicional inexistente usando uma máquina de crédito/débito com o visor danificado, que impede conferir o valor cobrado. Há casos de cobrança entre R$ 1 mil e R$ 5 mil.

As duas empresas de delivery foram notificadas pelo Procon em abril; em sua resposta, o iFood disse ter identificado 28 golpes de entregador. “Ao receber relatos como esse e confirmar qualquer conduta irregular, o iFood desativa imediatamente os cadastros”, ela explica em comunicado ao Estadão.

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O iFood está exibindo alertas dentro do aplicativo, pedindo que o usuário “não aceite a cobrança de valores adicionais na entrega”. Além disso, a empresa removeu a opção de pagamento offline (por maquininha ou dinheiro) em algumas cidades: o objetivo é “concentrar os pagamentos no app para proteger a segurança de clientes e entregadores evitando o contato na hora de pagar”, a fim de evitar o contágio do novo coronavírus (COVID-19).

Na resposta ao Procon, iFood e Rappi também dizem que não respondem por eventuais crimes praticados por entregadores, e a responsabilidade seria do consumidor. O órgão discorda, lembrando que o CDC (Código de Defesa do Consumidor) estabelece a responsabilidade solidária do fornecedor pelos atos de seus representantes.

O que fazer se eu cair no golpe do entregador?

Flávio Tasinaffo, advogado especializado em prevenção a fraudes, dá recomendações para quem for vítima do golpe do entregador. Antes de tudo, registre um BO (Boletim de Ocorrência) online, algo disponível em quase todos os estados.

Se você pagou com cartão de crédito, entre em contato com a administradora e peça o estorno do valor pago indevidamente. Caso solicitado, envie o BO e cupom fiscal da compra.

Se você pagou com cartão de débito, ligue para o banco e solicite o nome da empresa responsável pela maquininha utilizada no golpe; ela está com seu dinheiro. Então, entre em contato com essa empresa, peça para que o valor seja bloqueado, e solicite o estorno.

Em alguns casos, o próprio iFood se dispõe a fazer o estorno aos clientes, dizendo em comunicado que “tem atuado para ressarci-los dos prejuízos mesmo diante de uma fraude aplicada em aparelhos de pagamento que não pertencem à empresa”.

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Edilson Junior (@Edilson)

Eu sempre pego a máquina da mão do entregador pra ver o valor.

imhotep (@imhotep)

Mas vc pode optar por pagar na hora?
Nas pouquíssimas vezes em q usei esses apps de entrega, eu pagava direto no app.

Edilson Junior (@Edilson)

Tem a opção de pagar na hora. Pelo menos onde moro, coloca dinheiro mas a lanchonete manda a máquina de cartão.

@ksio89

O quão ingênuo o cliente tem que ser pra cair nesse golpe? Imagino que só idosos e pessoas extremamente leigas em tecnologia pra aceitar um pagamento em uma máquina com visor quebrado, surreal. Não é à toa que sempre recomendo cadastrarem o cartão, de preferência virtual, no aplicativo pra não correr o risco de cair nesse ou em outros golpes, incluindo clonagem.

Agora vou te contar, até nisso tem criminoso atuando, Brasil realmente não é pra principiantes. O aplicativo oferece uma, e talvez a única, fonte de renda pro entregador, mas o marginal não está contente e prefere aplicar golpes a trabalhar honestamente.

@xtudao

Cara isso é Brasil.

@ksio89

Pois é, não sei porque que me espanto ainda.

Vítor Gomes (@vctgomes)

O ruim são aquelas máquinas pequenininhas conectadas com o celular. De noite, sem luz, é terrível pra ver quaisquer valor. Acho uma porcaria.

Isso quando não é possível pagar pelo app, mas sempre que possível, uso o próprio iFood

Rodrigo Dias (@rodrigodias)

Quase caí nisso hoje (04/05/2020). Estou tendo que cuidar da minha mãe pois ela teve que fazer uma cirurgia no pulmão e sair de casa agora, nem pensar.

O visor da maquininha estava quebrado, acabei digitando a senha e acabou dando que não foi autorizado. A sorte é que a bandeira não era aceita nessa maquininha (é aquelas bandeiras de loja de varejo que nenhuma loja virtual aceita).

Eu (@Keaton)

Algumas estão com o visor quebrado, logo na primeira frase. hahaha

Eu (@Keaton)

Não é culpa do Rappy/iFood/etc que um vagabundo se voluntariou a trabalhar pra eles. Afinal de contas é proibido por lei que eles peçam coisas do tipo antecedentes criminais. (E isso nem sempre funciona, as vezes o vagabundo ainda não é fichado…)

Entretanto, essas empresas de maquininhas deviam ser alertadas pelo consumidor que caiu no golpe e banir o vagabundo que está aplicando esse golpe. (por isso que eu pago sempre com dinheiro) – além de congelar as contas no qual o dinheiro passou. (Virou laranja de bandido? Problema teu, fica sem nada até resolverem a situação. Já não está mais na conta? Tira do saldo que a conta tinha. Se não tivesse virado laranja de bandido, nada disso tinha acontecido.)