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73% dos brasileiros acreditam em notícias falsas sobre COVID-19

Levantamento da Avaaz aponta que brasileiros acreditam mais em notícias falsas sobre coronavírus que americanos e italianos

Emerson Alecrim Por

“Os brasileiros acreditam mais em notícias falsas que os italianos e os estadunidenses”. É a essa conclusão que a Avaaz chegou ao realizar uma pesquisa sobre fake news relacionadas ao coronavírus. O levantamento aponta que, no Brasil, sete em cada dez pessoas levaram a sério pelo menos um conteúdo desinformativo a respeito da COVID-19.

Coronavírus

Essa é uma constatação alarmante, pois notícias falsas relacionadas à pandemia podem induzir ao relaxamento das medidas de proteção e alimentar o negacionismo, piorando um quadro que, por sua própria natureza, já é grave.

As fake news sobre o assunto são variadas. Há desde aquelas que declaram que determinados chás ou doses elevadas de vitamina C protegem o organismo contra o coronavírus até as que afirmam que o vírus é uma criação de um laboratório chinês secreto.

O conteúdo desinformativo se espalha por redes sociais e, sobretudo, serviços de mensagens instantâneas. Em resposta, o WhatsApp chegou a limitar o encaminhamento de mensagens muito compartilhadas, mas medidas como essa são apenas paliativas.

Para ter uma noção do alcance do problema, a Avaaz realizou uma pesquisa online entre os dias 9 e 15 de abril. Foram entrevistas 2.001 pessoas no Brasil, 2.002 na Itália e 2.000 nos Estados Unidos. Todos os participantes tinham entre 18 e 65 anos. A margem de erro é de 2,2%.

A pesquisa mostra que 94% dos entrevistados brasileiros tiveram acesso a pelo menos uma informação falsa sobre o coronavírus. Na Itália e Estados Unidos, esses números foram de 95% e 83%, respectivamente.

Exemplo de notícia falsa

Exemplo de notícia falsa

Mas a constatação mais preocupante é a de que 73% dos entrevistados brasileiros acreditaram em pelo menos uma afirmação falsa. Entre os entrevistados italianos, esse número ficou em 59%; nos Estados Unidos, em 65%.

Entre as demais constatações da Avaaz com a pesquisa estão estas:

  • WhatsApp e Facebook estão entre os principais meios de disseminação de fake news;
  • 46% dos brasileiros entrevistados acreditam que amigos e familiares foram vítimas de notícias falsas;
  • o Norte do Brasil parece concentrar um número maior de pessoas que acreditam em conteúdo desinformativo: ali, 84% acreditaram em pelo menos uma notícia falsa sobre COVID-19;
  • 18% dos entrevistados que acreditaram em ao menos uma notícia falsa não acreditam na Organização Mundial da Saúde (OMS).

Pelo menos existe uma constatação positiva na pesquisa: a de que 80% dos brasileiros entrevistados gostariam de receber correções de verificadores de fatos quando forem expostos a notícias falsas.

Você pode acessar o levantamento em detalhes no site da Avaaz.

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Jefferson Rodrigues (@Jefferson_Rodrigues)

A moça que corta o meu cabelo me disse que para curar a doença bastava tomar chá quente, que o vírus foi criado pelo Japão para ferrar com o ocidente.
Referente à Fake news de que o vírus foi criado em laboratório: eu li isso em grandes veículos de notícias, porém eles informaram de que não há nada que comprove isso.

@doorspaulo

Eu passo metade do dia desmentindo tudo que é lorota no grupo da família.
E boa parte da minha família é da área da saúde, com bioquímicas, dentista, médico(!!!), com pós e os caralho.

Impressionante como o brasileiro médio compra qualquer porcaria…

Douglas Peixoto (@DouglasPeixoto)

Parcialmente sim, se dividirmos o numero de mortes pelo de habitantes chegaremos a esse resultado, mas essa não é a forma de se calcular a mortalidade do vírus, devesse utilizar o numero de infectados pelo de mortes, considerando os dados de uma pesquisa de Stanford sobre o coronavírus (o numero de infectados é de 50 a 85 vezes maior do que os dados oficiais), podemos chegar a números parecidos.