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Facebook vai indenizar moderadores de conteúdo em US$ 52 milhões

Vários moderadores do Facebook desenvolveram transtornos psicológicos pela exposição frequente a imagens chocantes

Emerson Alecrim Por

Moderar conteúdo é a tarefa mais perturbadora que existe dentro no Facebook, tanto que a companhia concordou em pagar indenizações a moderadores e ex-moderadores como forma de compensá-los pelos problemas de saúde mental que surgiram por conta dessa atividade. O total a ser desembolsado pela empresa chega a US$ 52 milhões.

Não que essas compensações tenham sido decididas deliberadamente pelo Facebook. Na verdade, elas fazem parte de um acordo referente a uma ação coletiva movida contra a companhia em 2018. No processo, vários ex-moderadores acusaram o Facebook de não fornecer locais adequados de trabalho e expô-los a publicações que favorecem o surgimento de transtornos psicológicos.

De fato, os relatos de funcionários que trabalham com moderação de conteúdo chocam — se não todos, a maior parte deles é terceirizada. Eles precisam visualizar diariamente imagens de pessoas acidentadas, crueldade com animais e violência extrema, por exemplo, tudo para decidir o que deve ou não ser removido da rede social.

Facebook - celular

O problema é que esse conteúdo é tão perturbador e visto com tanta frequência que, não raramente, os trabalhadores desenvolvem quadros de ansiedade, depressão e outros transtornos.

É o caso de Selena Scola, que abriu um processo contra o Facebook em setembro de 2018 alegando ter desenvolvido transtorno de estresse pós-traumático por ter visto imagens de estupro, assassinatos e suicídios com frequência. Ela atuou como moderadora por nove meses e se queixa de não ter recebido condições de trabalho adequadas durante esse período.

Nem de longe esse é um caso isolado. Nos últimos meses, vários moderadores relataram o mesmo diagnóstico de estresse pós-traumático. Como parte do acordo para encerrar o imbróglio judicial causado por essa situação, o Facebook concordou em indenizar 11.250 moderadores.

Cada um deles receberá, no mínimo, US$ 1.000 da empresa. Nos casos mais severos de problemas relacionados à saúde mental, o valor concedido pode chegar a US$ 50 mil.

Além disso, o Facebook se comprometeu a rever seus processos de moderação para que esse trabalho não ignore a saúde mental dos trabalhadores. Os novos esforços incluirão, por exemplo, acesso a serviços de terapia e a ferramentas que deixam o conteúdo a ser analisado em preto e branco para reduzir o impacto visual.

Por ser preliminar, o acordo ainda está sujeito a alterações e precisa ser aprovado por um juiz, mas é pouco provável que sofra grandes mudanças daqui para frente.

Com informações: The Verge.

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