Início » Finanças » Google pede ao Banco Central para atuar em pagamentos no Brasil [atualizado]

Google pede ao Banco Central para atuar em pagamentos no Brasil [atualizado]

Google pede para operar como instituidora de arranjos de pagamento; empresa não vai lançar conta como o Nubank

Felipe Ventura Por

O Google fez uma solicitação ao Banco Central (Bacen) para instituir arranjos de pagamento através de contas pré-pagas no Brasil. Isso não significa que a empresa vá lançar uma conta nos moldes do Nubank (NuConta) ou PagSeguro (PagBank): o Tecnoblog descobriu que se trata de algo relacionado aos vales-presente da Play Store no país.

Google / Google Pay / pagamento por aproximação

“O Google Brasil esclarece que o pedido de autorização de arranjo e instituição de pagamentos em análise no Banco Central está relacionado à emissão de vales-presente (gift cards) para compras no Play Store”, explica a empresa em comunicado ao Tecnoblog. “O serviço encontra-se em operação.”

A solicitação ao Bacen foi feita pela Google Brasil Pagamentos Ltda. (GBP), que possui CNPJ no Brasil desde 2011. Você provavelmente está em um contrato com ela: seus termos de serviço se aplicam para quem recebe cobranças em reais da Play Store e Google Pay no cartão de crédito.

A GBP solicitou autorização para operar como “instituidora de arranjos de pagamento”, segundo o site do Bacen. O que isso significa? Trocando em miúdos:

  • um arranjo de pagamento é o conjunto de regras para que estabelecimentos aceitem um meio de pagamento, como uma bandeira de cartão (Visa, Mastercard) ou método (Google Pay);
  • a instituidora de arranjos de pagamento é a empresa — como a Visa, Mastercard e Google — responsável por implementar essas regras, e por fazer o relacionamento com os usuários finais do serviço.

Esse relacionamento pode ser feito de pelo menos três formas: conta de depósito à vista (débito em conta), conta de pagamento pós-paga (cobrança no crédito) ou conta de pagamento pré-paga — esta última foi a modalidade solicitada pelo Google.

Uma conta de pagamento pré-paga pode envolver um cartão pré-pago emitido pela Visa ou Mastercard e aceito em qualquer estabelecimento; ou algo como um cartão combustível, limitado a postos de abastecimento.

A categoria também inclui serviços com recarga de créditos: por exemplo, a ConectCar tem um plano pré-pago que permite depositar dinheiro e usar em pedágios e estacionamentos. No caso do Google, são os vales-presente para a Play Store.

É importante reforçar que o Google não pediu autorização para oferecer conta digital. A empresa não é uma instituição financeira, como um banco tradicional que pode oferecer conta corrente; nem é uma instituição de pagamento que pode vender contas digitais, como a Nu Pagamentos (Nubank), Mercado Pago e PagSeguro.

Bacen fiscaliza (alguns) arranjos de pagamento

Foto por Steve Buissinne/Pixabay

Desde 2018, o Bacen vem analisando e liberando diversas instituidoras de arranjos de pagamento. Estes são alguns exemplos:

  • bandeiras de cartão: Visa, Mastercard, Elo, American Express, Hipercard
  • pagamento automático de pedágios: Sem Parar, ConectCar
  • cartão combustível ou cartão frete (para transporte rodoviário de carga): Tipcard, TicketLog, Repom, Wex

No entanto, o Bacen não regulamenta todos os arranjos de pagamento possíveis: as exceções incluem cartões private label que só podem ser usados em empresas específicas; pagamento de serviços públicos como água, energia elétrica e gás; cartões de transporte público (bilhete único); recargas de telefonia móvel; vale-refeição e vale-alimentação.

As regras do Bacen são focadas em arranjos de pagamento com interoperabilidade, ou seja, nos quais o dinheiro não está limitado a uma determinada empresa. Por exemplo, você pode usar o Google Pay em lojas físicas e serviços online como o iFood, não só na Play Store; mas só pode gastar a recarga da TIM, Claro, Vivo e Oi para adquirir serviços da operadora.

A autorização do Bacen é obrigatória somente quando o arranjo se torna muito popular. Existem dois requisitos: o meio de pagamento precisa movimentar pelo menos R$ 500 milhões no acumulado dos últimos doze meses; e ter no mínimo 25 milhões de transações realizadas nesse mesmo período. O arranjo pode continuar funcionando normalmente até que seja analisado. Apple e Samsung não estão listadas na relação de arranjos em análise.

Banco Central e arranjos de pagamento

Infográfico: Banco Central

Publicado originalmente em 15/05 e atualizado com posicionamento do Google

Comentários da Comunidade

8 usuários participando

Os mais notáveis

Comentários com a maior pontuação

Alberson Meneses

Acho que o BACEN e o governo podiam dar “um gás” no PIX, e também incentivar pagamentos via QR Code bem como outros meios digitais, em vez disso só falam em imprimir mais cédulas (um perigo no período de pandemia que estamos vivendo por ser um item que sempre passa por muitas mãos). O Brasil está longe de se desapegar do velho costume da fila, vai ao banco e pega fila pra sacar o dinheiro, aí pega o dinheiro e vai para a lotérica enfrentar outra fila e pagar conta de água, luz, boletos, etc e isso acontece bastante.

@xtudao

Apressar essas coisas é perigoso, tudo tem seu tempo, imagina um bug no Pix.

Joseilton Júnior

Ainda não é dessa vez que o “Google Card” e a “Google Conta” viram para o Brasil… Kkkk

Renato ZX

Tecnologia o Brasil tem, o problema eh que o Brasil não investe em propagandas, informações clara no banco e fora dele. Por exemplo: Com o App do Banco do Brasil vc pode abrir uma conta corrente com zero taxa de manutenção e sem ter que ir no Banco. e pelo App vc faz pagamento, transferência, upgrade da conta e varias outras funções. Todos os Bancos tem seus Apps que te da a mesma função. mas o problema que a maioria do povo não sabe como utilizar. No caixa eletrônico vc tem a opção de fazer pagamentos, transferências. Como eu disse coisas básicas para nos, mas para quem não conhece tecnologia e não tem informações fáceis de mostrar como utilizar faz com que o povo fique horas em filas de bancos. O PagBank tb eh uma ótima opção e eh zero taxas de manutenção. https://www.bb.com.br/pbb/pagina-inicial/voce/produtos-e-servicos/contas/conta-facil#/

Rafael Gomes Rocha

É aquela coisa: mudar a mentalidade do usuário. Meu pai e meu sogro tem praticamente a mesma idade: o primeiro já se habituou a realizar todas as operações bancárias possíveis via app, e só vai ao banco se realmente não tiver jeito. O segundo, nem instalar o app quer, pois não considera seguro usar o celular para tratar disso.

Renato ZX

Não so o Brasil. Precisamos de uma revolução na educação, de como ensinar, oque ensinar como compartilhar o conhecimento. O Brasil precisa urgentemente fazer um investimento sustentável em educação, infraestrutura e tecnologia. Precisamos de um canal de Televisão aberta e digital de tecnologia e esse canal administrado pelas as escolas municipais, Estaduais e Federal juntamente com as particulares. precisamos incluir na grade curricular do ensino fundamental iniciação a programação e a educação financeira. Na “Tech TV” ensinar o básico de como compra um smartphone, computador, como usa-lo com segurança, como utilizar os aplicativos de bancos entre outros. A tecnologia esta ai e pode ser pago em ate 18 vezes no cartão. filas de bancos e casas lotéricas seria coisa do passado! Precisamos urgentemente em licenciar e ate criar manufaturar componentes de computadores como CPU, Motherboard e outros dispositivos aqui no Brasil para uso domestico e exportação. O Brasil tem todas os insumos. Falta planejamento!

Paulo Maciel

Tô ensinando o meu a fazer isso, pelo celular. E a pandemia meio que ajudou a acelerar o processo, cedendo até em pagamentos que ele tinha mais resistência de fazer online.

Participe da discussão