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Como lâmpadas UV e robôs atuam no combate ao COVID-19

Estudiosos criam tecnologias para usar robôs com lâmpadas UV na desinfecção de locais contaminados pelo novo coronavírus

Victor Hugo Felix Por
TB Responde

O desafio de combater as contaminações pelo novo coronavírus levou uma série de cientistas em diferentes países a darem nova aplicação a uma tecnologia bastante comum: uso de lâmpadas UV para eliminar vírus e bactérias em ambiente hospitalar.

Entretanto, a tecnologia tradicional das lâmpadas UV ainda não é segura o suficiente para ajudar na pandemia do COVID-19. Em todo o mundo, cientistas têm usado robôs para aprimorar suas técnicas para tentar eliminar o novo coronavírus com mais eficácia.

Lâmpadas UV / Xenex LightStrike / Reprodução

O que são lâmpadas UV?

Lâmpadas UV são aquelas que emitem raios ultravioleta, vibrações eletromagnéticas invisíveis ao olho humano, mas capazes de gerar efeitos diretos em seres vivos.

Esses raios estão presentes na luz do Sol e são bloqueadas pela camada de ozônio. Entretanto, elas podem ser produzidas artificialmente por meio de uma corrente elétrica em gás ou vapor, como o vapor de mercúrio.

Quando os raios ultravioleta estão a um comprimento de 200 a 280 nanômetros, conhecidos como raios UV-C, eles se tornam capazes de afetar as moléculas de DNA.

Sendo assim, seres vivos expostos a essa radiação podem sofrer altos danos. Vírus e bactérias por exemplo, se tornam incapazes de se reproduzir no ambiente.

Por isso, as lâmpadas UV são também germicidas. Elas foram desenvolvidas para serem aplicadas em ambientes hospitalares, eliminando microrganismos causadores de doenças. Mas, como os raios UV são danosos para seres humanos — podem causar câncer de pele —,  o uso dessa tecnologia ainda não foi ampliado irrestritamente.

Ao menos, por enquanto.

O que cientistas têm feito?

Na China, o epicentro do surto do COVID-19, os robôs têm sido muito empregados para diferentes funções, como desinfecção, entrega de medicamentos, checagem de temperatura e descarte de lixo. Portanto, cientistas decidiram acoplar lâmpadas UV em robôs para uma desinfecção mais rápida e segura dos ambientes. Com os robôs atuando, há menores riscos dos profissionais da área se contaminarem a com a doença.

Na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, especialistas desenvolveram um robô que traz um tipo de lâmpada UV cujos raios não fazem mal ao corpo humano. Dessa forma, os cientistas esperam que o equipamento seja usado em ambientes onde haja pessoas, como salas de espera, escolas e até em veículos de transporte público.

O robô tem sensores para que ele se movimente pelo ambiente, acione a lâmpada UV e elimine, também, os vírus que pairam no ar.

Os testes com o equipamento ainda não confirmaram a sua eficácia na eliminação do novo coronavírus, mas os cientistas afirmam que vírus são microrganismos muito simples, que sucumbem facilmente à radiação ultravioleta, um forte sinal de eficácia.

Lâmpadas UV / SunCrafter / Reprodução

Na mesma linha, a startup alemã SunCrafter ganhou um prêmio da Agência Espacial Europeia (European Space Agency) pela criação de um esterilizador de mãos movido a energia solar. As placas solares alimentam lâmpadas UV desenvolvidas também para destruir os vírus e as bactérias sem afetar a pele e os olhos humanos.

Com o prêmio de 20 mil euros ganho na competição, os desenvolvedores esperam encontrar parceiros para produzir o esterilizador em larga escala.

Outras iniciativas

Na Irlanda, a empresa Akara Robotics já estava desenvolvendo um robô, chamado Stevie, para ajudar pessoas solitárias a se distraírem e realizarem tarefas domésticas. Ele conteria com uma lâmpada UV para matar germes sem prejudicar os usuários.

Por conta da pandemia do COVID-19, a empresa deu sequência ao equipamento e desenvolveu o robô Violet, que pode trafegar pelos ambientes e conviver com humanos.

Lâmpadas UV / Akara Robotics Violet / Reprodução

Na Dinamarca, a UVD Robots criou um robô que pode se locomover entres os ambientes e fazer a desinfecção com lâmpadas UV. China e Itália adquiriram centenas desses equipamentos para ajudar no combate à pandemia, desinfectando ambientes hospitalares. A sala precisa estar vazia, pois a tecnologia ainda é danosa à pele humana.

Lâmpadas UV / UVD Robots / Reprodução

A americana Xenex criou também um robô, LightStrike, que precisa ser posicionado manualmente no local para acionar a sua lâmpada UV. Já a chinesa YouiBot adaptou um projeto de robô já existente acrescentando uma câmera termográfica às lâmpadas UV.

Com informações: BBC, ABC News, Time, Departamento de Ecologia – USP

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