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Exclusivo: Grin e Yellow são alvo de processos por dívida milionária

Fundo de investimento Mountain Nazca nega ter comprado Grow Mobility, dona das bicicletas Yellow e patinetes Grin

Felipe Ventura Por

Grin, Yellow e Grow Mobility estão sendo processadas no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) em ações judiciais por dívidas com valor total acima de R$ 2 milhões, segundo apurou o Tecnoblog. Os problemas jurídicos se tornaram graves o suficiente para o fundo de investimento Mountain Nazca solicitar correção dizendo que não adquiriu a Grow — um negócio anunciado originalmente em março.

Patinete da Grin

Encontramos três grandes processos judiciais no TJ-SP contra a Grin (patinetes elétricos), Yellow (bicicletas) e Grow (dona das duas marcas). Todas as ações vêm correndo ao longo dos meses de maio e junho de 2020; eis um resumo:

  • uma imobiliária cobra R$ 579.516,00 da Yellow Soluções de Mobilidade em ação de despejo por falta de pagamento de aluguel;
  • uma empresa de serviços de monitoramento cobra R$ 792.930,43 não pagos pela Yellow;
  • uma empresa de terceirização e gestão de frotas cobra R$ 826.242,07 devidos pela Yellow, Grin e Grow.

Neste último processo, o juiz autorizou o envio de mandado “para penhora e avaliação de bens, tantos quantos bastem para o pagamento do principal atualizado, juros, custas e honorários advocatícios”. No entanto, a empresa de gestão de frotas “não aceitou os bens apresentados como garantia”.

Além disso, a Grow enfrenta alguns processos de pessoas que sofreram acidentes, seja ao pilotarem um patinete ou serem atingidos por um. No entanto, o valor pedido como indenização é bem menor que as cobranças de dívida listadas acima. A empresa diz ao Tecnoblog que não vai comentar o assunto no momento.

A Yellow retirou todas as bicicletas de circulação em janeiro em meio a uma situação financeira difícil. Então, em março, a Grin suspendeu o aluguel de patinetes elétricos devido à pandemia da COVID-19. Esta semana, a Grow demitiu metade de seus funcionários no Brasil; ela também atua no México e Colômbia.

Grow não foi adquirida por fundo Mountain Nazca

Em março, a Grow anunciou em comunicado à imprensa que havia sido adquirida pelo fundo de investimento Mountain Nazca, dono do Peixe Urbano. Agora em junho, a empresa exigiu uma correção, dizendo que não é dona da Grin e Yellow.

“A Grow não foi comprada pela Mountain Nazca, e sim pelo investidor Felipe Henríquez”, diz o fundo de investimento em declaração ao Tecnoblog. “Infelizmente, como a Grow vem enfrentando vários problemas jurídicos crescentes, o mal-entendido está causando danos à Mountain Nazca.”

Ela explica que a suposta aquisição de uma empresa com problemas jurídicos “pode causar danos financeiros significativos” porque prejudica a captação de investimentos, algo essencial para um fundo de private equity.

Em comunicado ao Tecnoblog, a Grow confirma que o controle da empresa atualmente é de Felipe Henríquez. Ela “esclarece que as negociações de compra, efetivada em março deste ano, foram efetuadas como um investimento pessoal pela pessoa física Felipe Henríquez Meyer, sem o envolvimento da Mountain Nazca”.

A empresa “pede desculpas pelo mal-entendido”, e afirma que “houve uma falha de entendimento ao longo das negociações” e “uma divulgação equivocada” porque Henríquez é cofundador da Mountain Nazca.

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Schio ☭ (@Sckillfer)

Essa empresa surrupiou meu saldo ao descontinuar o app da Yellow, já que o app da Grin não tem como fazer nada além de alugar patinetes (o da Yellow permitia pagar boletos e recarregar o telefone) e não vê o meu saldo migrado como reembolsável.

@teh

Péssima gestão. Estão indo pro fundo do poço.

@Banana_Phone

Parabéns, fizeram tudo errado.
Primeiro liberaram as bikes para todo mundo ir onde quisessem, depois proibiram e colocaram uma área limitada, mas se vc pegasse uma bike que estava em uma área limitada iria pagar multa caso devolvesse ela também fora da área limitada, mesmo que estivesse 20km de onde deveria devolver.
As bikes tinham um banco muito baixo e que não firmava direito a altura do banco.
Teve uma tentativa de tornar o app uma carteira virtual, podendo pagar boletos, depois acabaram com isso quando o app da Yellow sumiu e adotaram o Green.
O fato de ter que adicionar saldo antes de usar a bike também não era prático.
Eles podiam ter aprendido com os problemas que as empresas semelhantes tiveram nos outros países, mas não… Foram tentar empreender por terras tupiniquins sem fazer pesquisa de mercado e com um péssimo gestor no comando.

Diego Duarte (@Diego_Duarte)

A Grin e um dos casos mais emblematicos de empresas que quebram por má gestão e jogam a culpa no modelo de negocios ou pandemia.

Já vi diversos relatos e reportagens de gente falando de problemas internos de gestão, pra nao dizer a bagunça ABSURDA que fizeram na consolidacao da Yellow, green e Rappi. Tornou o uso do app quase impossivel.

Eu quase assinei um patinete naquele plano mensal que lançaram, pois queria ver como seria. Ainda bem q simplesmente larguei mao, provavelmente estaria arrependido.

Tiago Celestino (@tcelestino)

Já estão lá.

Anderson Vieira (@Blouc)

Não ficaria surpreso se a Grin/Yellow falir. Como disseram acima, as 2 empresas (ou agora 1 empresa, não sei) tem uma gestão péssima e desorganizada. Culpam esse modelo de negócios de não prosperar, mas eles mesmos não se ajudam.

Lá no incio quando as 2 empresas ainda eram separadas, acho que talvez daria certo, mas depois que a Yellow comprou a Grin, virou essa zona que tá hoje. Lembro que durante um tempo a Yellow literalmente engoliu a Grin. Ela matou o serviço de carregadores independentes da Grin, os patinetes (que passaram a ser 99% da Yellow e 1% da Grin) e o app da Grin que era basicamente o app da Yellow com a cor verde da Grin e com aquele sistema tosco da carteira virtual/créditos. Parece que deixaram a marca Grin só por obrigação de contrato.

Depois de um tempo, do nada a Grin ressurge das cinzas, some com os patinetes da Yellow, mata o serviço de bikes, mata o app da Yellow e deixa só o da Grin e da Rappi (que nem tente desbloquear um patinete pelo app Rappi, pq tá tão bugado que vc vai desistir) e praticamente mata a marca Yellow.

Olhando de fora, parece que há uma guerra interna na empresa de uma marca assumir a outra. Se essa zona é prejudicial pra empresa, pro usuário é mais ainda, pq ficamos sem entender nada

² (@centauro)

Pode ser um pensamento egoísta meu, mas espero que a empresa vá à falência e que esse esquema de aluguel sem dock não volte mais.

Por mais que eu entenda os argumentos a favor desse modelo e os supostos benefícios que esse tipo de serviço gera à cidade, o monte de patinete e bicicleta largado no meio da calçada me irrita muito e dava mais vontade de quebrar tudo do que ficar grato pela ajuda à mobilidade urbana que os patinetes e bicicletas de aluguel (supostamente) estavam trazendo ao município.

Caleb Enyawbruce (@Enyawbruce)

Eu tive que recorrer ao PROCON pra ter a restituição do meu saldo e fechar minha conta. Demorou meses, mas veio.