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Zoom suspende conta de ativistas a pedido do governo da China

Para situação não se repetir, Zoom vai oferecer recurso para usuários restringirem participantes de reuniões com base na localização

Victor Hugo Silva Por

O Zoom confirmou a suspensão de contas e chamadas de três ativistas por pedido da China. A decisão foi tomada devido às homenagens a vítimas do massacre da Praça da Paz Celestial, um episódio não reconhecido pelo governo chinês, que o considera ilegal. A plataforma de videoconferência informou que as contas foram restabelecidas e adiantou que adotará medidas para evitar que a situação se repita.

Zoom

As reuniões questionadas pela China tinham como anfitriões líderes exilados após o massacre que hoje residem nos Estados Unidos e em Hong Kong. O Zoom afirma que encerrou duas chamadas depois de identificar que elas tinham a participação de usuários na China continental. Uma terceira conferência foi derrubada porque o anfitrião já havia organizado um evento do mesmo tema com pessoas na China.

O governo chinês chegou a pedir a suspensão de uma quarta reunião, mas o Zoom não adotou nenhuma medida por não encontrar participantes que morem no país. Ocorrido em 1989, o massacre da Praça da Paz Celestial reverbera até hoje no país e levou à retirada de vídeos do TikTok, que chegou a orientar moderadores a retirarem vídeos sobre o episódio.

Em comunicado, o Zoom deixou claro que não compartilhou com a China nenhuma informação pessoal de participantes das reuniões consideradas ilegais. A plataforma também indicou que não tem backdoor para terceiros acessarem chamadas de vídeo sem o conhecimento dos demais participantes.

A empresa alegou que atendeu ao pedido de interromper as três reuniões por completo porque não tem meios de remover participantes com base em seu país. “Poderíamos ter antecipado essa necessidade. Ainda que houvesse repercussões negativas, também poderíamos ter mantido as reuniões em andamento”, afirmou a plataforma. Uma das chamadas, realizada em 31 de maio, contava com 250 participantes.

Para evitar que novas reuniões sejam suspensas novamente, a empresa pretende liberar um recurso em que usuários poderão restringir participantes das chamadas conforme sua localização. Com a medida, a empresa espera atender às solicitações de autoridades que identificarem atividades ilegais sem impedir conversas nos países em que elas são permitidas.

O Zoom também anunciou que atualizará sua política para passar a responder de forma mais adequada às solicitações como a feita pela China. Disponível em mais de 80 países e com cerca de 300 milhões de usuários, o serviço deve ganhar mais atenção de autoridades ao redor do mundo.

Com informações: Axios, TechCrunch, Engadget.

Comentários da Comunidade

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² (@centauro)

Para situação não se repetir, as pessoas deveriam parar de usar esse aplicativo e optar por um que preze um pouco mais pela privacidade dos usuários, isso sim.

Meio óbvio que um aplicativo que usa servidores na China (o que significa que o conteúdo passa pelo escrutínio do governo chinês) teria de seguir as regras de censura e falta de privacidade total daquele país.

Inocente, pra não usar outros termos, é quem ficou surpreso com a suspensão.

@ksio89

Tem hora que eu dou razão para o Trump ao decretar sanções comerciais contra a China, quanto menos poder na mão dessa ditadura sanguinária, melhor. Assim como o governo chinês, esse aplicativo não é nada confiável. E como já diziam Os Simpsons:

Bruno (@Unknown)

A China é o maior perigo ao mundo neste século.
Anotem isso.