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WhatsApp pode concentrar mercado de pagamentos, teme Banco Central

Bacen (BC) crê que WhatsApp Pagamentos pode ser integrado aos pagamentos instantâneos do PIX, mas teme "fragmentação"

Felipe Ventura Por

O Banco Central está de olho no WhatsApp Pagamentos, serviço lançado nesta segunda-feira (15) para facilitar a transferência de dinheiro entre amigos e familiares, além de permitir pagamento a empresas no Brasil. A instituição vê potencial em integrar essa iniciativa ao sistema de pagamentos instantâneos PIX, mas teme que ela “possa gerar fragmentação de mercado e concentração”.

WhatsApp Pagamentos

Em comunicado ao Convergência Digital, o Bacen afirma que “está acompanhando a iniciativa do WhatsApp e avalia que há grande potencial para sua integração ao PIX”. No entanto, a instituição “considera prematura qualquer iniciativa que possa gerar fragmentação de mercado e concentração em agentes específicos”.

Por enquanto, o WhatsApp Pagamentos está disponível apenas por clientes do Nubank, Banco do Brasil e Sicredi; mais instituições financeiras poderão se juntar no futuro. É necessário adicionar o cartão de débito ao Facebook Pay. As transações não têm taxa.

Também é possível fazer pagamentos a empresas que usam o WhatsApp Business, seja com cartão de débito ou crédito. Neste caso, a companhia deverá pagar uma taxa fixa de 3,99% à Cielo, que processa as transações.

Bancos e fintechs aderem ao PIX do Banco Central

O conceito do PIX é mais amplo: a ideia é que todas as instituições no SPI (Sistema de Pagamentos Instantâneos) possam transferir dinheiro praticamente em tempo real, 24 horas por dia, inclusive em finais de semana e feriados. Seria um substituto aos tradicionais DOC e TED, a ser lançado em novembro de 2020.

Os grandes bancos já providenciam a adesão ao PIX, como Itaú, Bradesco, Santander, Caixa e Banco do Brasil; assim como as fintechs Nubank (Nu Pagamentos), PicPay, Mercado Pago, PayPal, RecargaPay, entre outras.

O Bacen avisa, portanto, que “vai ser vigilante a qualquer desenvolvimento fechado ou que tenha componentes que inibam a interoperabilidade e limite seu objetivo de ter um sistema rápido, seguro, transparente, aberto e barato”.

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Edilson Junior (@Edilson)

Realmente, o WhatsApp tem um potencial monstruoso para se tornar o único meio de pagamento móvel. E isso é preocupante.

Daniel lucena (@Daniellucena)

Rapaz, e pode muito, eu creio que isso pode passar por cima do PIX como um tanque se o BC não regular… Pensa no potencial, tanto para o bem quanto para o mal? Para o bem, pequenos comércios, que não aceitam cartão de credito, ou que não vão mais precisar aceitar… Lado ruim, venda de produtos roubados/ilegais, drogas… Etc… Se bem que se hoje já acontece né… Mas é um caso a se analisar muito.

Vítor Gomes (@vctgomes)

Mas um mercado concentrado em praticamente três bancos eles não temem kkk.

O que eles estão com medo mesmo é de perder o controle pra um app de mensagens que já é bem difundido e, praticamente, “matar” a principal ideia do PIX antes mesmo dele nascer.

Se o WhatsApp conseguir popularizar essa ferramenta própria, talvez ninguém nem se sinta interessado mais em utilizar o QR Code do PIX no futuro.

O ponto positivo é que deve pressionar os bancos a reduzir o valor das TEDs.

Filipe Poeta (@Filipe_Poeta)

Não sei, mas eu não consigo confiar. Acho que não irei adotar essa forma de pagamento por um tempo. Acredito que uns 3 anos é tempo suficiente para perceber se não houve ataques e brechas perigosas. E facebook não é lá muito honesto.

Darllan Marinho (@Darllan_Marinho)

Acho que o Bacen realmente tem com o que se preocupar, na China o WeChat e AliPay dominam o mercado. No Brasil o WhatsApp está presente em cerca de 92% dos smartphones, conforme outros bancos façam adesão ao Facebook Pay, ela pode seguramente ser a principal plataforma de pagamentos no Brasil e tornar a operação de outros serviços como de carteiras digitais e contas de pagamento, difíceis de sobreviver.

O que o Bacen pode fazer, é regular o serviço e incluir outros gateways de pagamentos por trás do Facebook Pay, não limitar apenas a Cielo.

Acho que o que preocupa não são os bancos presentes na plataforma, até porque, será mandatório todos os bancos estarem presentes em um futuro próximo, a preocupação é ter apenas a Cielo por trás transacionando.

imhotep (@imhotep)

O medo é de perder o controle, só isso, já que provavelmente vai funcionar melhor que todos os meios de pagamento existentes hoje. Deve ter lobby de banqueiro no meio disso tudo.

As regras já existem. O que mais quer o BC?

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

Não da pra bater de frente com os bancos, mas não da pra negar que se tem criado alternativas a eles nos últimos anos e o BC não tem impedido elas de prosperarem, é um processo lento desmonopolizar o sistema bancário, o pix deve ser um importante passo nesse sentido.

PinPortal ✔️ (@pinportal)

Mais ou menos, cara. Antes nós tínhamos vários bancos (Santander, Itaú, Unibanco, Bradesco, Banco Real, Citibank, etc). Eles foram reduzidos a Santander, Itaú e Bradesco (além dos públicos, é claro). As taxas já eram altas na época que tínhamos vários bancos. Foi o Banco Central quem facilitou a entrada de novas fintechs como Nubank, Banco Inter, etc e que derrubaram o valor do TED/DOC e as taxas de administração cobradas pelos bancos. Então, a preocupação do Banco Central é exatamente em ter um monopólio da Cielo processando essas transações. Hoje o valor cobrado vai ser de 3,99% para os empreendedores que quiserem vender no Whatsapp. Talvez, com todo mundo migrando para o Whatsapp, eles aumentem a taxa lentamente 0,5% ao ano e logo logo teremos uma plataforma que cobra 6%, 7% ou até 10% por cada transação. Porque terão o monopólio. Uma coisa é você ter o monopólio das mensagens (já que você cobra de graça para isso), agora no setor de pagamentos, cada 0,1% que você cobra afeta demais o setor.

FelipeCG (@FelipeCG)

Eita, o governo já tá querendo colocar as patas imundas numa iniciativa boa.
Porcaria de instituição que tinha que fechar.

Raul H. (@raulxgang)

Perigosa demais essa nova função do Whatsapp.

LengoTengo (@LengoTengo)

A bronca aí seria mais com a dobradinha WhatsApp-Cielo do que com o FacebookPay/WhatsApp em si, ou entendi errado?

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

Sim, se fosse uma plataforma aberta pra outros gateways de pagamento não se teria tanto problema, já que existiria concorrência.
Lembra da época que as maquininhas de cartão aceitavam visa ou master mas nunca os 2? é mais ou menos a mesma situação.

Tech Nerd 🤓 (@technerd)

Vejo um forte concorrente para o PagSeguro e a Stone.

E não tenham pena dos bancos, eles nos roubam TEDs, taxas, seguros e juros abusivos há décadas e nunca sentiram um pingo de remorso por isso.

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

tu leu a noticia? quem vai gerenciar isso é a cielo e os bancos, os mesmos personagens de sempre cobrando taxas abusivas, 4% pra receber é caro.

@Comentador

Deviam é se preocupar com a privatização desses bancos públicos.

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