Início » Brasil » Auxílio emergencial: análise revela R$ 223 mi em pagamentos indevidos

Auxílio emergencial: análise revela R$ 223 mi em pagamentos indevidos

A Controladoria-Geral da União identificou mais de 317 mil pagamentos do auxílio emergencial de R$ 600 para servidores públicos

Victor Hugo Silva Por

O cruzamento de dados do governo federal indica pagamentos indevidos do auxílio emergencial de R$ 600 para milhares de servidores públicos. A Controladoria-Geral da União (CGU) afirma que, apenas em maio, foram 317.163 pagamentos com servidores como beneficiários, totalizando a transferência de R$ 222,9 milhões.

App CAIXA | Auxilio Emergencial Topo

Para realizar o levantamento, o órgão buscou nas bases de dados do auxílio emergencial o CPF de servidores da esfera federal, de 22 estados e do Distrito Federal. A iniciativa foi realizada por conta de um acordo de cooperação técnica com o Ministério da Cidadania. A CGU também trabalhou com órgãos como tribunais de contas estaduais e municipais, além de controladorias-gerais dos estados.

A análise aponta que, dos pagamentos irregulares, 7.236 envolvem servidores civis da esfera federal registrados no Sistema Integrado de Administração de Pessoal (Siape) e 17.551, servidores militares da União ou pensionistas. As parcelas de R$ 600 também foi transferidas para 292.376 servidores públicos estaduais, distritais e municipais.

Apesar dos dados, a CGU explica que não é possível afirmar que todos os servidores identificados pediram o auxílio emergencial. Eles podem ter recebido os pagamentos por estarem inscritos no CadÚnico ou por serem beneficiários do Bolsa Família. Outra possibilidade é de que seus CPFs tenham sido cadastrados de forma indevida por terceiros.

Servidores não têm direito ao auxílio emergencial

Criado por conta da pandemia do novo coronavírus, o auxílio emergencial é voltado apenas para quem não tem emprego formal e atende aos pré-requisitos de renda. O decreto que regulamenta o pagamento explicita ainda que servidores públicos não têm direito ao benefício.

A Dataprev, responsável pela análise dos cadastros, explicou em maio que alguns dados oficiais estavam desatualizados, o que poderia levar ao pagamento indevido do auxílio. Uma das brechas existe porque a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), base que inclui trabalhadores públicos e privados, está desatualizada em um ano e não abrange, por exemplo, quem virou servidor em 2019.

A CGU informa que o levantamento foi encaminhado para o Ministério da Cidadania e os órgãos estaduais e municipais responsáveis pelas bases de dados. O objetivo é bloquear o pagamento das parcelas para quem não cumpre as regras previstas em lei ou identificar quem aparece no cruzamento de dados, mas não se enquadra mais como servidor público.

Com informações: CGU.

Comentários da Comunidade

Participe da discussão
9 usuários participando

Os mais notáveis

Comentários com a maior pontuação

Goku SSGSS (@renatodantas)

Essa galera que ganha bem e ainda pediu auxílio não devia simplesmente devolver o dinheiro e pagar multa. Deveria ir presa!

@ksio89

O vagabundo do meu vizinho é um que recebeu indevidamente. Ele é desempregado mas mora com a mãe que é servidora aposentada pelo estado do Ceará, recebe mais de 5000 reais mensais, obviamente mentiu sobre a renda familiar. Mal pegou o dinheiro e já gastou todo com cachaça (sério), e ainda conta vantagem abertamente. A mãe dele é opositora ferrenha do presidente, mas não vê problema em receber o auxílio do governo federal, hipocrisia pouca é bobagem.

Consegui a muitas custas o número do CGU pra denunciá-lo, mas ainda tô meio receoso se vão garantir meu anonimato mesmo, vou tentar arrumar um chip novo pois do meu celular eu não confio de ligar.