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WhatsApp Pagamentos é suspenso no Brasil pelo Banco Central

Banco Central planeja "avaliar eventuais riscos" do WhatsApp Pagamentos; Facebook Pay poderia causar "danos irreparáveis"

Felipe Ventura Por

O Banco Central anunciou nesta terça-feira (23) que o WhatsApp Pagamentos deverá ser suspenso em todo o Brasil: a instituição pretende “avaliar eventuais riscos” e teme que, sem uma análise prévia, a novidade poderia causar “danos irreparáveis” à concorrência e à privacidade. O serviço, associado à carteira Facebook Pay, começou a ser liberado na semana passada para clientes do Nubank, Sicredi e Banco do Brasil.

WhatsApp Pagamentos

A ordem do Bacen é para a Visa e a Mastercard: as bandeiras deverão suspender imediatamente todas as atividades relacionadas ao WhatsApp Pagamentos; ele foi liberado inicialmente para 1,5 milhão de usuários. Caso isso não seja cumprido, as duas empresas estarão sujeitas a multa e a processo administrativo.

Vale notar que o serviço foi suspenso de forma temporária no Brasil; ele não foi proibido. O Bacen planeja “avaliar eventuais riscos para o funcionamento adequado do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e verificar a observância dos princípios e das regras previstas na Lei nº 12.865, de 2013”. Esta lei define o Sistema de Pagamentos Brasileiro e estabelece as funções do Banco Central.

WhatsApp Pagamentos “poderia gerar danos irreparáveis”

Sem uma análise prévia, o WhatsApp Pagamentos “poderia gerar danos irreparáveis ao SPB notadamente no que se refere à competição, eficiência e privacidade de dados”, afirma a instituição.

O Bacen justifica a decisão dizendo que quer “preservar um adequado ambiente competitivo, que assegure o funcionamento de um sistema de pagamentos interoperável, rápido, seguro, transparente, aberto e barato”.

Na semana passada, o Bacen disse que via potencial para incorporar o recurso do WhatsApp aos pagamentos instantâneos do PIX. No entanto, havia o receio de “qualquer iniciativa que possa gerar fragmentação de mercado e concentração em agentes específicos”.

O WhatsApp Pagamentos e o Facebook Pay foram lançados com suporte a cartões de débito e crédito do Nubank, Sicredi, Woop e Banco do Brasil. Os pagamentos são processados pela Cielo, que cobra 3,99% sobre o valor das transações feitas por empresas no WhatsApp Business; para pessoas físicas, as transferências são gratuitas.

Rumores dizem que Bradesco, Santander e Itaú Unibanco fizeram testes do WhatsApp Pagamentos, mas saíram do projeto antes do lançamento. Havia planos de incluir suporte em breve a cartões do Banco Inter, C6 e Neon, além da bandeira Elo.

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Red (@Red)

Medida pode até ser impopular a princípio, mas é importante. O PIX vindo no final do ano e o Facebook resolve por acaso liberar pagamento por WhatsApp no Brasil antes de todos os outros países do mundo…

Deixar Facebook cuidar de dados já é um problema, imagina ele cuidando de dinheiro.

Matheus Motta (@Matheus_Motta)

Quis dizer Facebook Pay, né?? Whatsapp Pay por enquanto só existe exclusivamente no Brasil

ya G (@ya_G)

Isso vai ser descontinuado aqui no Brasil ou vai ser incorporado ao PiX no fim do ano, do jeito que foi feito vai criar um monopólio do Facebook e a Cielo, e qual a razão de escolher a Cielo e não abrir para concorrentes? Muito estranho! No mais não confio meus dados pessoais ao Facebook, não uso nenhum da suas rede sociais e mensageiros consequentemente não usaria o whatsapp pay, mas quem seria louco de confiar seus dados financeiros a uma empresa que sempre está envolvida em vazamento de dados e manipulação eleições, Cambridge Analytica que o diga.

Cripto moeda Libra e agora isso qual o interesse dela em entrar no sistema financeiro?! Fico com um pé atrás.

imhotep (@imhotep)

Melhor continuar pagando as coisas com cheque.
“O Estado sabe o que faz.”

Caio Henrique Galli dos Santos (@chgsantos)

Zero sentido.

O estado brasileiro tentanto interferir novamente em uma inovação só porque não sabe como ela funciona, ou porque ficou com inveja das empresas privadas terem lançado uma solução similar ao Pix mas de forma “antecipada”, ou porque os concorrentes fizeram um lobby para bloquear.

Não tem nada demais, na prática é TED simplificado. Picpay, Mercado Pago, PagSeguro, Paypal, entre tantos outros estão aí no mercado há anos fazendo operações similares. Os próprios bancos têm em seus apps uma opção de escanear sua agenda de contatos e já sugerir amigos que podem receber pagamentos.

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Esse caso do WhatsApp vai se arrastar por um bom tempo. Não duvidaria que só liberassem após o lançamento do PIX.

Mas de todo esse imbróglio vai servir para dar precedentes para outros futuros meios de pagamento, desembarcaram por terras verdes amarelas. E que seja feita a concorrência. Muito antes do Card, o imassage já contava com o pay cash. Porém apenas nos US.

Caio Henrique Galli dos Santos (@chgsantos)

É exatamente isso! É o super protecionismo do estado brasileiro. As vezes o pessoal pega umas coisas para regular só porque é famoso.

Vou dar um exemplo idiota de falha que já aconteceu com meus amigos no Picpay e ninguém não tá nem aí: lá só exibe o nome de usuário das pessoas, já aconteceu diversas vezes de amigos mandarem dinheiro para a pessoa errada, e o Banco Central em nenhum momento interviu no Picpay para “avaliar eventuais riscos” e checar se haveria “danos irreparáveis”. Além disso tem um problema gigante de privacidade que você não pode esconder a sua transação para outras pessoas, fica lá na timeline visível para todo mundo, você só pode esconder o valor da transação.

Quem escolheu não participar foram os grandes bancos, o Facebook não tem nada haver com isso. Tá lá disponível para as empresas que querem fazer parceria.

Igual o Nubank que até hoje não se juntou ao Google Pay / Apple Pay, foi opção do Nubank, e o Banco Central não foi lá obrigar o Google ou a Apple a fazer parceria com todo mundo.

² (@centauro)

Eu não sei como é o backend, se tem uma empresa só por trás dos pagamentos ou se é a própria Tencent que faz (o que não me supreenderia, já que essa empresa tem braço em tudo que é segmento).
Mas é fato que tem loja que só aceita Wechat pay ou Alipay, por exemplo. Cartão de crédito/débito é pouco usado lá e dinheiro está caindo cada vez mais em desuso também. Tem lugar que só aceita dinheiro se for exato porque não tem troco. Então a coisa fica complicada, ainda mais pra estrangeiro.

Leo (@leonardoroese)

Quando comecei usar o PayPal, que começou a revolução Fin, bastava associar seu cartão internacional e pronto, usava a plataforma para fazer compras na plataforma e o governo nem tem que se meter, a responsabilidade é da operadora do cartão em lidar com o PayPal.

Depois veio pagseguro, mercadopago, etc…

Não teve toda essa repercussão, não que eu lembre, e funcionava bem, funciona até hoje e ninguém morreu.

Mas agora que o Whatsapp quer entrar na brincadeira por que não pode? Algo estranho mesmo.

MuMu da Mangueira (@Cacildis)

Isso é defesa da livre concorrência. Longe de defender os bancos, mas o BC precisa criar regras para concorrência justa entre as partes.