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Facebook e Instagram removem perfis ligados a Bolsonaro e PSL

O Facebook removeu 35 contas, 14 páginas e 1 grupo ligados a Bolsonaro e ao PSL, enquanto Instagram retirou 38 perfis do ar

Victor Hugo Silva Por

O Facebook removeu nesta quarta-feira (8) contas falsas ligadas aos gabinetes do presidente Jair Bolsonaro, seus filhos Flávio e Eduardo, e ao PSL (Partido Social Liberal). A medida, que também foi adotada no Instagram, envolve a violação de regras sobre o comportamento inautêntico e coordenado de páginas nas redes sociais – e não sobre o conteúdo compartilhado nelas. Ao todo, foram excluídas 35 contas, 14 páginas e 1 grupo no Facebook, além de 38 contas no Instagram.

Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR - 02/07/20)

Em comunicado, o Facebook afirmou que, apesar dos envolvidos com a prática tentarem esconder suas identidades, a investigação levou a pessoas associadas ao PSL. A apuração da empresa também apontou para funcionários nos gabinetes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e dos deputados estaduais do Rio de Janeiro, Anderson Moraes (PSL) e Alana Passos (PSL).

“A atividade incluiu a criação de pessoas fictícias fingindo ser repórteres, publicação de conteúdo e gerenciamento de Páginas fingindo ser veículos de notícias”, indicou o Facebook. “Os conteúdos publicados eram sobre notícias e eventos locais, incluindo política e eleições, memes políticos, críticas à oposição política, organizações de mídia e jornalistas, e mais recentemente sobre a pandemia do coronavírus”.

As páginas no Facebook somavam 883 mil seguidores, o grupo tinha cerca de 350 pessoas e os perfis no Instagram contavam, ao todo, com 917 mil seguidores. A ação coordenada também incluiu despesa de cerca de US$ 1.500 com anúncios no Facebook, pagos em reais. Entre as páginas removidas, estão Bolsonaro News e Jogo Político.

Segundo a empresa, as páginas foram identificadas a partir de notícias na imprensa brasileira e de uma audiência no Congresso Nacional. Esta não é a primeira vez que a rede social remove contas falsas com teor favorável ao presidente Bolsonaro. No final de 2018, 68 páginas e 43 contas foram excluídas da plataforma por violarem políticas de autenticidade e spam.

Facebook também removeu páginas de EUA, Canadá, Equador e Ucrânia

A remoção de páginas por comportamento inautêntico coordenado também envolve redes de Estados Unidos, Canadá, Equador e Ucrânia. Nos EUA, foram 54 contas e 50 páginas do Facebook removidas, além de 4 contas no Instagram. A ação, que durou de 2015 a 2017, envolvia a criação de perfis falsos que se passavam por moradores da Flórida. O Facebook afirma ter encontrado ligações com Roger Stone, conselheiro do presidente dos EUA, Donald Trump, e condenado por mentir em investigação sobre interferência russa nas eleições americanas de 2016.

Outra decisão envolve a ação coordenada entre pessoas no Canadá e no Equador. A empresa removeu 41 contas e 77 páginas do Facebook, bem como 56 perfis no Instagram. O esquema combinava contas falsas e contas replicadas de pessoas reais para interferir na política de Argentina, Uruguai, Venezuela, Chile, El Salvador e do próprio Equador. A rede social encontrou ligações ligação com consultorias políticas e ex-funcionários do governo equatoriano e com a Estraterra, empresa canadense de relações públicas.

O Facebook removeu ainda 72 contas e 35 páginas da Ucrânia, além de 13 contas no Instagram. Esse grupo usava contas falsas para criar pessoas fictícias e interagir em grupos e páginas com memes políticos, sátiras e outros conteúdos sobre política ucraniana. As páginas passaram por mudanças significativas de nome e, segundo o Facebook, a ação coordenada tinha relação com a Postmen DA, uma agência de publicidade do país.

Com informações: Facebook.

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Sérgio (@trovalds)

Vão remover também os que desejam a morte do Bolsonaro abertamente?

Severino Cavalcante (@sev.cavalcante)

Oxi, tem páginas pedindo a morte do Bolsonaro? Compartilha aí os links que ainda não estou em nenhuma.

Alex (@wuhkuh)

Eu espero que não, precisamos desse milagre!

Uriel (@Uriel)

Mas ele fez isso com a Dilma! Abertamente. Quando ela foi pro hospital, nem lembro pq

Até agora não removeram ele kkk

🤷‍♀️ (@xavier)

Só sei que demorou. O gabinete do ódio existe há tempos e só o Facebook não sabia (leia-se fazia nada).

🤷‍♀️ (@xavier)

Não sei se você se deu ao trabalho de ler a matéria, mas não foi feito juízo de valor ao conteúdo (lixo) que os perfis publicavam, e sim que eles se diziam ser entidades que não eram.

Não concordo com quem está pedindo a morte dele, mas o próprio já falou inumeráveis vezes que incontáveis pessoas podiam morrer, então…

Victor Hugo Silva (@victorhugo)

Oi, Stefano! A afirmação de que as contas estão ligadas ao gabinete do presidente e a outros políticos não partiu do Tecnoblog, e sim do próprio Facebook em seu comunicado, disponível neste link. Além disso, na matéria de outubro de 2019 que você citou, o executivo do WhatsApp não cita nenhum candidato. Por isso, não há fotos de Fernando Haddad ou Jair Bolsonaro em destaque. No caso de hoje, há referência explícita ao detentor do principal cargo político do país.

E, como você mesmo lembrou, o texto de 2019 apresenta a quem lê as reportagens de outros veículos sobre empresas que realizaram disparos em massa pelo WhatsApp para as campanhas dos dois candidatos que chegaram ao segundo turno da eleição de 2018. Vale lembrar que, em março de 2019, Haddad não foi condenado por impulsionar notícias falsas, mas por impulsionar conteúdo negativo contra Bolsonaro no Google (neste ponto, não faço qualquer juízo de valor, só estou compartilhando uma informação mais precisa).

@Boleto

Se o apedeuta do teu presidente tem “histórico de atleta” e “tá usando cloroquina” ele vai passar tranquilo por essa “gripezinha”. Mas mesmo que nada disso de certo, sinto muito, o que eu posso fazer? Não sou coveiro…

Sérgio (@trovalds)

“Meu presidente”… pra mim ele vivo ou morto é a mesma coisa. Nem vou gastar meu tempo argumentando porque vai ser um monólogo meu versus o copia e cola do discurso de sempre da cartilha da esquerda.