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Visa e Mastercard tentam liberar WhatsApp Pagamentos no Brasil

WhatsApp Pagamentos foi suspenso pelo Banco Central; Visa e Mastercard explicam que Facebook Pay será arranjo de transferências

Felipe Ventura Por

O WhatsApp Pagamentos foi suspenso enquanto o Banco Central “avalia eventuais riscos”. Agora, as bandeiras Visa e Mastercard tentam convencer o BC a liberar o serviço, associado à carteira Facebook Pay, que se encaixaria em uma nova modalidade chamada “arranjo de transferências”. Segundo as duas empresas, isso não afeta a competitividade nem a segurança do sistema de pagamentos brasileiro.

WhatsApp Pagamentos

Recapitulando: o serviço de pagamentos do WhatsApp seria um intermediário para o envio e recebimento de dinheiro entre amigos e familiares usando cartões de débito; e para compras em empresas do WhatsApp Business no crédito e débito.

Inicialmente, o recurso de pagamentos exigia contas bancárias de algumas instituições financeiras (Banco do Brasil, Nubank, Sicredi, Woop), e dependia da Cielo para processar transações. Pessoas físicas não pagavam taxa; empresas arcavam com 3,99% sobre as vendas. Além disso, Visa e Mastercard eram os arranjos de pagamento compatíveis; havia planos de adicionar mais bancos e bandeiras.

WhatsApp Pagamentos será arranjo de transferências

Na quarta-feira (8), Visa e Mastercard protocolaram no BC o modelo de “arranjo de transferências”. Isso significa que, basicamente, o WhatsApp vai gerar tokens mas não vai processar as transações: isso será responsabilidade dos parceiros do aplicativo, como a Cielo, que enviam esses tokens para as bandeiras de cartão.

“A Visa protocolou junto ao BC proposta que detalha o arranjo de pagamento, incluindo a modalidade de transferência, solicitada pelo órgão”, explica a empresa ao Correio Braziliense. “O documento busca responder à todas as preocupações do regulador e assegura o cumprimento das novas disposições, garantindo todos os protocolos de segurança e interoperabilidade das soluções.”

João Pedro Paro Neto, presidente da Mastercard, afirma ao Valor que “existe sim competitividade no negócio e que o WhatsApp vai aceitar novas empresas”. Um dos receios era que o serviço tivesse exclusividade com a Cielo, uma das maiores no setor de pagamentos.

Caso o BC aceite essa explicação, o WhatsApp teria que fazer dois registros no órgão: um como arranjo de transferências; e outro como arranjo de pagamentos para participar do PIX, sistema de transações instantâneas que deve ser lançado em novembro.

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anon31878329 (@anon31878329)

Claro! Porque ter tudo controlado pelo Facebook é muito melhor, exemplo de empresa!

Vamos alugar o Brasil, o dólar dele paga o nosso mingau

Sem contar a incoerência de seu comentário, se o Facebook Pay prioriza a Cielo que é uma empresa dos grandes bancos (Caso não saiba, os donos da Cielo são o Bradesco e Banco do Brasil), logo quem você quebraria seriam as pequenas soluções, como as fintechs (PagSeguro, Stone, PicPay, Ame e assim por diante) e entregaria todo o mercado, novamente, para as mãos dos grandes bancos e uma empresa estrangeira que não é sinônimo de nada, nem de respeito ao consumidor e nem de controles de segurança.

anon31878329 (@anon31878329)

Não, acho que você não entendeu.

Hoje o mercado financeiro está bem diversificado, a chegada de diferentes fintechs ameaçou os grandes bancos, que tiveram que correr atrás e investir não só em tecnologia, como também criarem fintechs próprias para concorrem com as menores. Talvez você não saiba, mas o setor financeiro brasileiro é um dos mais avançados tecnologicamente falando.

Hoje vivemos uma “guerra” de maquininhas, uma “guerra” de soluções de pagamento e os grandes bancos tiveram todos os seus segmentos ameaçados por fintechs, seja na parte de pagamento, na de investimentos e até cartões.

Ai tu acha que não existe competição dentro do nosso setor financeiro e o que resolveria é colocar o controle nas mãos de uma empresa estrangeira, que é mal vista em todo o mundo, prejudicando players locais que tem se destacado mundialmente?

Realmente, alugar o Brasil para o Facebook é a melhor solução, vamos garantir nosso mingau, né meu querido.

Não sou contra liberar a porcaria do Facebook para competir também, mas precisa ser, SIM, muito bem analisado para que a empresa não aproveite-se de seu forte posicionamento com o WhatsApp e poderio financeiro para fazer acordos e parcerias nocivas que derrubem os concorrentes menores e acabar causando um monopólio ou pior, voltando para o antigo cenário, onde dependíamos de duas ou três empresas para todo o processo de pagamento (Cielo, Redecard e GetNet).

Entenda uma coisa, a total ausência de regulamentação é uma utopia como o anarquismo, nada na sociedade funciona sem um minimo de regras. Um mercado sem uma devida regulamentação, abre espaço para empresas agirem de forma anti competitiva e utilizarem de poder econômico ou certo posicionamento no mercado para forçarem um monopólio.

E veja, regulamentação não significa burocracia e monopólio coercivo, como alguns confundem. Um mal exemplo é nossa regulamentação em telefonia, essa sim é uma regulamentação que impede a livre concorrência.

² (@centauro)

O sentido do discurso não se resume apenas aos elementos explícitos. Todo discurso também contém elementos implícitos em diferentes graus e que são entendidos a partir de diversos elementos do discurso, incluindo contexto.

No caso, eu concordo com o Holmes. Na sua mensagem está implícito que, pra você, as pessoas acham que proibir é a solução.