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Faz duas semanas que não tem internet na Etiópia

Etiópia, segundo país mais populoso da África, bloqueou internet em meio a protestos após assassinato de cantor e ativista

Paulo Higa Por

A Etiópia, segundo país mais populoso da África, com 109 milhões de habitantes, está desconectado da internet há duas semanas. O governo etíope bloqueou o acesso dos cidadãos à rede para conter protestos após o assassinato de Hachalu Hundessa, famoso cantor e ativista local. A internet do país é controlada por uma estatal que detém o monopólio do serviço.

Cores da Etiópia (Foto: Bruce Becker/Flickr)

Hachalu Hundessa foi um músico que se tornou um dos símbolos na Etiópia após os protestos de 2016 contra os abusos de direitos humanos; ele escreveu músicas para que os oromas, que representam um terço da população etíope, se unissem e resistissem à opressão. Na época, o governo também respondeu bloqueando o acesso à internet da população.

O cantor, que já vinha recebendo ameaças, foi morto a tiros no dia 29 de junho na capital Adis Abeba. Seu assassinato causou protestos pelo país que resultaram na morte de pelo menos 239 pessoas e na prisão de mais de 5.000 etíopes, segundo o Wall Street Journal. Na manhã de 30 de junho, praticamente toda a Etiópia já estava desconectada da internet. Acredita-se que o governo tenha cortado as conexões para conter informações sobre abusos.

Desde então, a internet não voltou no país: o governo chegou a liberar o serviço para embaixadas e missões estrangeiras na quinta-feira (9), mas a população continua sem acesso. Trata-se do maior período de bloqueio na Etiópia; o último havia sido de 10 dias, em junho de 2019, quando o chefe do exército foi assassinado durante uma tentativa de golpe.

Na Etiópia, o acesso à internet é feito por uma única operadora, a Ethio Telecom, uma das gigantes estatais do país, junto com a Ethiopian Airlines. A Ethio detém o monopólio de todos os serviços de telecomunicações do país, incluindo telefonia fixa, móvel e banda larga. O governo iniciou um processo de privatização, mas ainda pretende manter o controle da companhia.

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Bruno Cabral Peixoto (@Bruno_Cabral_Peixoto)

Isso amiguinho, apoia empresa 100% estatal sob justificativa de “patrimônio nacional” e empresa “estratégica”. Estratégica sim, estratégica pra uma ditadura no teu lombo!

Lucca (@lucca)

O problema aqui é o monopólio.

Bruno Cabral Peixoto (@Bruno_Cabral_Peixoto)

Aonde o estado se mete na economia, vira monopólio.

Diogo Nóbrega (@diogoan)

Querem apostar quanto que, para os apoiadores do governo da Etiópia, esse Hachalu Hundessa era um fascista, e que os protestos são massa de manobra golpista?

🤷‍♀️ (@xavier)

Cadê o pessoal que apoia com unhas e dentes as estatais?
Cadê os argumentos de que estatais só trazem benefício para a população?

Anderson Antonio Santos Costa (@Anderson_Antonio_San)

Monopólio estatal nas telecomunicações é pior do que a formação de cartel.
O monopólio estatal acaba prejudicando a vida da população neste setor.
Monopólios e cartéis são atitudes anti-consumidor pois geram preços caros e serviço ruim.

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

Estatal sem monopólio pode ser algo bom, atender lugares que as privadas não querem.

Problema lá é mais em baixo, tanto que pretendem privatizar e manter o monopólio e poder de desligar a internet.

imhotep (@imhotep)

A Internet e as redes sociais foram fundamentais em protestos como no Egito ou mesmo no Brasil.
Se querem calar o povo etíope, certeza de que o governo cometeu abusos.

Mas como não tem nada de valor na Etiópia para os EUA, Europa e China, ninguém nem quer saber.

² (@centauro)

Pessoal falando de estatal e monopólio.
Mas o problema no caso da Etiópia parece ser mais um problema de Estado autoritário do que monopólio estatal.
Vide China e Rússia, onde existem mais empresas de internet mas mesmo assim a internet é censurada.

ochateador (@ochateador)

Não existe um aplicativo de conversa que “não depende” da internet da operadora para funcionar, funcionando apenas com o bluetooth e wifi local.

Alberto Prado (@Alberto_Prado)

monopólio

substantivo masculino

economia

privilégio legal, ou de fato, que possui UMA pessoa, UMA empresa ou um governo de fabricar ou vender certas coisas, de explorar determinados serviços, de ocupar certos cargos.

2.economia

comércio abusivo que consiste em UM indivíduo ou grupo tornar-se único possuidor de determinado produto para, na falta de competidores, poder vendê-lo por preço exorbitante.

Matheus Alexandre (@matheusalexandre)

Sim, existe! Durante os protestos na China comunista muitos estavam usando aplicativos do tipo, que criam uma espécie de rede pelo bluetooth e que transmitem as mensagens criptografadas através unicamente dos aparelhos conectados.

Matheus Alexandre (@matheusalexandre)

Eis o que sempre acontece quando o estado se mete em qualquer coisa que seja. Eu não duvido que muito em breve o mesmo esteja acontecendo por aqui - porque já acontece em menor grau, com o bloqueio de apps e recentemente opiniões.

Alberto Prado (@Alberto_Prado)

Exatamente. Aqui no Brasil tem 4 operadoras de porte nacional e outras virtuais. Se olha para o mundo, poucos são os que conseguem ter 4 operadoras. A maioria é duas e o resto é virtual.

 • 令和 • Ward'z de Souza 🇯🇵🎌🦊🔥 - Risonho e Límpido (@Wardz_de_souzA)
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