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China promete resposta após proibição à Huawei no 5G do Reino Unido

O governo da China passou uma espécie de recado por um jornal estatal, que defende uma retaliação "pública e dolorosa" ao Reino Unido

Victor Hugo Silva Por

A decisão do Reino Unido de impedir operadoras de usarem equipamentos 5G da Huawei em seu território pode levar a represálias da China, que parece ter passado seu recado por meio do veículo estatal Global Times. Em editorial, o jornal afirmou que o país asiático não pode “permanecer passivo” após a proibição e precisa dar uma resposta “pública e dolorosa”.

China promete resposta após proibição a Huawei no 5G do Reino Unido

“É necessário para a China retaliar contra o Reino Unido, caso contrário, não seríamos vistos como fáceis de intimidar?”, questiona o texto. Na terça-feira (14), o governo britânico anunciou que empresas no país não poderão comprar produtos de infraestrutura móvel de quinta geração da Huawei a partir do final do ano. Os equipamentos que já foram instalados deverão ser removidos até 2027.

O editor do Global Times, Hu Xijin, sugeriu no Twitter, que a situação pode mudar porque a empresa chinesa estaria muito à frente de seus competidores europeus. “O Reino Unido só pode remover completamente a Huawei até 2027, o que indica que é difícil deixar a Huawei. Mas pode haver mudanças antes e depois disso”, publicou.

O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que a decisão do governo britânico não considerou a segurança nacional, também apontado pelos Estados Unidos como motivo para impedir a Huawei de fazer negócios com empresas americanas. Para o governo chinês, a proibição no Reino Unido envolveu a politização de questões comerciais e tecnológicas.

O embaixador da China no Reino Unido, Liu Xiaoming, considerou “decepcionante e errada” a proibição de equipamentos 5G da Huawei para as empresas britânicas. “Tornou-se questionável se o Reino Unido pode oferecer um ambiente de negócios aberto, justo e não discriminatório para empresas de outros países”, afirmou.

Em torno da discussão sobre a Huawei, estão as críticas à nova lei de segurança de Hong Kong, em que a China continental terá mais poderes sobre a região. A relação entre os países ficou mais tensa após o Reino Unido demonstrar seu apoio aos manifestantes de Hong Kong. Vale lembrar que o território foi uma colônia britânica até 1997, quando foi devolvido aos chineses.

A proibição contra a Huawei foi comemorada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou ser responsável pela medida. “Convencemos muitos países e eu próprio fiz isso, na maioria das vezes, a não usar a Huawei porque achamos que é um risco à segurança”, afirmou. “Conversei com muitos países para não usá-los [equipamentos da Huawei]. Se eles querem fazer negócios conosco, não podem usá-los”.

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