Início » Negócios » Universal faz acordo que reduz exclusividade de filmes em cinemas

Universal faz acordo que reduz exclusividade de filmes em cinemas

Acordo entre Universal Pictures e rede de cinemas AMC permitirá que filmes cheguem mais cedo ao streaming nos EUA

Emerson Alecrim Por

Funciona assim: o filme é exibido nos cinemas para só depois de algum tempo ser disponibilizado em plataformas de streaming e outros serviços. É o que se conhece como janela de exibição. Mas, aos poucos, isso está mudando: a Universal Pictures fechou um acordo com a AMC Theatres, uma das maiores redes de cinemas do mundo, para diminuir o intervalo entre essas modalidades.

Universal Pictures

Nos Estados Unidos, a janela de exibição costuma ser de 75 dias, mas, dependendo dos acordos estabelecidos, pode chegar a 90 dias. Há algum tempo que estúdios de cinema vêm tentando diminuir esse intervalo, por motivos um tanto óbvios: as plataformas de streaming crescem em praticamente o mundo todo.

As redes de cinema resistem, mas a pandemia de COVID-19 abriu caminho para essa mudança. Um exemplo vem da própria Universal, que disponibilizou vários filmes — como a animação Trolls 2 — em serviços de streaming dos Estados Unidos paralelamente à exibição nos cinemas ou sem passar por essas salas.

Os cinemas não gostaram disso. Adam Aron, CEO da AMC, considerou a abordagem da Universal “inaceitável” e chegou a prometer um boicote às futuras produções do estúdio. Só que existe um problema: estamos enfrentando uma pandemia. Consequentemente, se os cinemas não estão fechados, recebem poucos clientes.

Talvez seja por isso que a Universal conseguiu negociar com a AMC. Basicamente, o acordo, com validade de vários anos, reduz a janela de exibição para 17 dias: passado esse período após a estreia nos cinemas, a produção poderá ser disponibilizada em plataformas de vídeo sob demanda (VoD, na sigla em inglês).

Trolls 2

Trolls 2

Mas há condições. A nova janela só vale para produções premium, cujo preço de locação fique na faixa dos US$ 20. Filmes com preços entre US$ 3 e US$ 6 continuam com intervalo médio de 90 dias.

Além disso, sabe-se que a AMC receberá uma parcela da receita obtida com essa estratégia, embora nenhuma das partes tenha revelado qual proporção desse valor será destinada à rede de cinemas.

O acordo é válido apenas nos Estados Unidos, mas negociações em outros mercados não estão descartadas. Por representar uma mudança praticamente inédita, também é possível que a parceria entre Universal e AMC sirva de precedente para que estúdios como Disney, Paramount e Warner tentem buscar acordos parecidos.

Com informações: Variety.

Comentários da Comunidade

Participe da discussão
7 usuários participando

Os mais notáveis

Comentários com a maior pontuação

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

Interessante essa ideia de remunerar os cinemas no inicio da transmissão de um filme em VOD em troca de diminuir a janela de exclusividade.

Jedielson (@Jedielson)

Ou seja, saiu filme blockbuster espera 17 dias e pega no torrent, nem precisa ir mais ao cinema.

Daniel R. Pinheiro (@DiFF7Skyns)

O cinema é basicamente um local para passear com amigos, ou família. É que nem restaurante, você pode comer em casa, ou pedir pelo telefone, mas há momentos que exigem uma reunião pessoal, e é bacana. Por isso ainda existe aquela vibe de visitar o cinema em grandes lançamentos, por mais que o tempo até sair no streaming diminua.

Copi (@Copi)

Acho legal ver redes de cinema que já estavam se adaptando à mudança, trazendo novas atrações, mudando um pouco o modelo de entretenimento que vendem. Ao invés de esperar que as pessoas continuem indo assistir semanalmente ou mensalmente filmes, devem considerar a ida uma atração especial. Provavelmente vão diminuir muito em escala com o tempo, mas podem ganhar em margem de lucro por visita ao cinema.

Remunerar as redes temporariamente por lançamentos em streaming é uma forma de manter o negócio nessa época, até por que ainda é vantagem para as produtoras lançarem coisas no cinema e não só direto em TV/Streaming.

elias (@Elias)

Seria esperar de mais que esse tipo de acordo chegue logo ao Brasil?
O Brasil não é um mercado tão importante assim no cinema mundial, talvez seja ainda mais fácil conseguir esse tipo de acordo por aqui.
Resta saber se os studios terão interesse nisso.

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Bom, tem iTunes. E hoje mesmo sem esse acordo, já disponibiliza filmes super rápidos.