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Vivo tem lucro 21,6% menor no segundo trimestre com pandemia

Vivo tem lucro de R$ 1,1 bilhão no segundo trimestre de 2020 com desconexões do pós-pago e queda na receita fixa

A Telefônica Brasil, dona da Vivo, divulgou os resultados financeiros do 2° trimestre de 2020. A companhia registrou lucro líquido de R$ 1,1 bilhão no período, queda de 21,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Por conta da pandemia do novo coronavírus, causador da COVID-19, a operadora foi impactada com queda na receita, nos acessos fixos e em investimentos.

Estes são os principais destaques financeiros:

Indicador 2° trimestre de 2020 2° trimestre de 2019 Variação anual
Lucro líquido R$ 1,11 bilhão R$ 1,42 bilhão -21,6%
Receita operacional líquida R$ 10,31 bilhões R$ 10,87 bilhões -5,1%
Custos operacionais R$ 6,21 bilhões R$ 6,6 bilhões -5,9%
EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) R$ 4,1 bilhões R$ 4,25 bilhões -3,8%
Magem EBITDA 39,8% 39,2% +0,6 p.p
Capex (investimentos) R$ 1,9 bilhões R$ 2,36 bilhões -19,1%
Clientes (total de acessos) 92,01 milhões 94,36 milhões -2,5%

Vivo perde acessos e receita do segmento móvel

A Vivo fechou o trimestre com 74,4 milhões de acessos móveis, crescimento de 0,9% no ano. No entanto, a variação trimestral é negativa: a operadora desconectou 608 mil linhas do pós-pago no período, justificados pelo fechamento das lojas, o que limitou o volume de altas.

O negócio móvel representou receita líquida de R$ 6,6 bilhões, redução de 5,1% no ano. Na comparação trimestral, a retração foi de 1,5%, com queda na receita do pós-pago em 0,7% e no pré-pago de 4,9%. O maior impacto foi na receita de venda de aparelhos, com redução de 40,9% em relação ao mesmo período de 2019.

Em comparação com 2019, a Vivo conseguiu crescer a participação de mercado em 0,7 p.p, somando 33% de todas as linhas móveis brasileiras. O ARPU (gasto médio por usuário) da telefonia celular foi de R$ 27,9, queda de R$ 2,6 em relação ao ano anterior.

Vivo perde clientes de TV, banda larga e telefone fixo

No segmento fixo, a Vivo também apresentou queda: a receita líquida da categoria foi de R$ 3,7 bilhões (-5,1%). A companhia encerrou o período com 17,6 milhões de acessos, retração de 14,6% no ano. A maior desconexão do serviço de telefonia fixa, que totalizou 9,7 milhões de linhas e redução de 17,8% no ano.

A operadora também perdeu clientes de banda larga fixa: são 6,5 milhões de acessos, redução de 9,8% na comparação anual. A baixa é causada pela desconexão de modens de tecnologia xDSL, que utiliza a rede legada de cobre. Na banda larga Vivo Fibra, houve crescimento de 31,9%, fechando em 2,86 milhões de acessos.

No serviço de TV por assinatura, a operadora perdeu 13% da sua base, totalizando 1,27 milhões de assinantes. Assim como na banda larga, acessos de tecnologias legadas (TV via satélite) foram responsáveis pela retração, uma vez que o serviço de IPTV por fibra óptica teve alta de 24,3%, com 805 mil acessos.

Com a adição de clientes usando fibra, o ARPU de banda larga foi de R$ 74,5 (+R$ 17,6) e o de TV foi de R$ 106,8 (+R$ 2,6), enquanto o de voz fixa teve queda de R$ 3,8, fechando em R$ 34,7. A Vivo perdeu participação de mercado em todos os setores do negócio fixo: são 2,7 p.p a menos na banda larga, 0,3 p.p na TV paga e 1,9 p.p na telefonia fixa.

Vivo precisa substituir rede de cobre

Para continuar relevante no setor residencial de telecomunicações, a Vivo precisa investir em fibra óptica, especialmente nas regiões da GVT. Dados da Anatel de maio de 2020 apontam que, em todos estados, exceto São Paulo, cerca de 70% dos acessos são feitos via xDSL. São 845 mil conexões com fibra, contra 2 milhões em cobre; em maio de 2019, a operadora tinha 2,6 milhões de acessos de banda larga com cobre e 513 mil usando fibra.

A principal concorrente com expansão de fibra óptica a nível nacional é a Oi, que conquistou cerca de 1 milhão de acessos no mesmo período. A Vivo diz que trabalha para fazer a sobreposição da rede de cobre e mudou a política de investimentos, que desestimulará gastos com as redes legadas.

Os investimentos da Vivo não parecem concentrados para resolver a sobreposição nas áreas da GVT: no último trimestre, a operadora adicionou 30 municípios com fibra, dos quais 15 são novas cidades e as demais pertecem ao estado de São Paulo, onde não há competição com a Oi Fibra. No período, a companhia adicionou 1,3 milhões de domicílios com cobertura de fibra, totalizando 13,1 milhões; a expectativa é terminar 2020 com 14 milhões (+3 milhões em relação a 2019).

A Vivo também anunciou a construção de uma rede neutra de fibra óptica, mas apenas em cidades entrantes de médio porte. A companhia espera cobrir 1,1 milhões de casas em 2021 e viabilizar a rede para que empresas parceiras ofereçam serviços de banda larga fixa.

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