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Venda de PCs cai 12,6% no Brasil e preços aumentam

Desktops ficaram 67,8% mais caros com a alta do dólar, segundo pesquisa da IDC

Ana Marques Por

O “boom” de vendas em computadores no início de 2020 – devido às demandas de home office e aulas à distância na pandemia – não se confirmou no segundo trimestre, aqui no Brasil. Um estudo da consultoria IDC revela queda de 12,6% na venda de PCs, em relação ao mesmo período do ano passado.

O movimento vai contra o aumento registrado em escala global. A alta do dólar teve forte impacto nos preços de máquinas e componentes, e o mercado corporativo foi o mais impactado.

De acordo com a IDC, o Brasil vendeu 1,265 milhão de máquinas entre abril e junho de 2020, 183 mil a menos do que no 2º trimestre de 2019 e 205 mil menos do que no 1º trimestre deste ano. Apesar da retração em relação a desktops, os notebooks mantiveram o ritmo registrado entre janeiro e março deste ano.

O mercado corporativo registrou a venda de 137.892 desktops e 221.646 notebooks no segundo trimestre. De acordo com Rodrigo Okayama, analista da IDC Brasil, as empresas vivem uma crise de fluxo de caixa. Alterações em cobranças de impostos sobre peças e transportes de produtos também contribuíram para que as companhias “colocassem o pé no freio”, congelando investimentos.

Dentro desse mercado, o setor educacional foi o ponto fora da curva, apresentando crescimento de 11,2% em vendas.

pc gamer

O varejo teve melhor desempenho, com um total de 906.423 máquinas vendidas em lojas físicas e online. Até os supermercados entraram como ponto de venda de computadores. A pesquisa mostra ainda que a busca por PCs de alto desempenho teve forte crescimento: 90%.

“Apesar de ainda representarem nichos de mercado, gamers, editores de arte, fotógrafos, arquitetos etc., que precisam de máquinas de alta performance, com maior poder de processamento, compraram 92 mil notebooks e 20,4 mil desktops”, revela Okayama.

Preços de computadores disparam no Brasil

De acordo com a IDC, no segundo trimestre foi a vez do repasse de preços chegar aos consumidores. Veja, na tabela a seguir, as médias de preços de desktops e notebooks entre maio, abril e junho de 2020 e a variação em relação ao ano anterior.

Período Preço médio de desktops Preço médio de notebooks
2º trimestre de 2019 R$ 2.150 R$ 2.670
2º trimestre de 2020 R$ 3.607,08 R$ 4.342,45
Aumento (ano contra ano) 67,8% 62,6%

Apesar dos números alarmantes, a IDC prevê melhora daqui pra frente. A estimativa é de crescimento de 1,2% no terceiro trimestre e 3,5% no quarto tri – período que envolve as compras de Black Friday e Natal. Em termos gerais para o mercado de computadores, o ano de 2020 deve fechar com um crescimento de 4,4% no varejo e queda de 9,9% no setor corporativo.

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@ksio89

Ah se tivessem aumentado só por causa do dólar, tem peças que dobraram ou até mesmo triplicaram de preço. Lojista brasileiro é oportunista demais, estão aproveitando que tem trouxa desespersdo para pagar preços absurdos, já que sabem que brasileiro é incapaz de fazer boicote. E se forem ver o preço das peças usadas no OLX é rir para não chorar de raiva, se pedem valores exorbitantes, é porque tem tonto que paga.

Esse ano já era para montar um PC ou fazer upgrade, o jeito é esperar até ano que vem ou comprar peças da China. Prefiro importar componentes e não ter que garantia do que dar meu dinheiro pra empresário brasileiro malandro, máximo que compraria aqui é fonte e gabinete.

@ksio89

Não adianta, brasileiro é mimado demais e não sabe boicotar ou esperar preço baixar, o povo passa fome mas não deixa de comprar. O pior que como esses consumidores são maioria, eles acabam inflacionando os preços para todos, boicote só funciona se for generalizado.

João M. (@RonDamon)

Se fosse simples assim era bom. Além do dólar, tem a questão da falta de estoque das importadoras devido ao coronga.

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

E tem outro porém. Quem fabrica aqui precisa incluir um número X de peças brasileiras. Muitas marcas optam por não incluir e precisam pagar uma taxa por não usar peças brasileiras.

Não sei se ainda hoje é assim.

O grande problema é que não tem incentivo fiscal para virem para cá. Não adianta fazer um acordo de oferecer terreno, ou abatimento em impostos, se toda a cadeia produtiva continua exposta a esse ambiente improdutivo. Uma vez que trouxe uma fábrica para cá, precisa contratar pessoas.

E o Brasil é um dos países que mais tem ações trabalhistas em curso. O que desanima investimentos.

Fora isso tem toda a questão de falta de infraestrutura generalizada.

Se não tivéssemos esses problemas, seríamos uma excelente opção para atrair dezenas de empresas que estão saindo da China e diversificando sua cadeia produtiva.

J. Menezes (@Janailson_Menezes)

Os preços estão um absurdo. tava de olho no Ryzen 5 1600 AF, que em fevereiro custava R$540, agora tá R$940. Tá tudo extremamente caro, ia fazer upgrade do PC esse ano, mas pelo jeito não vai rolar.

Vinícius (@Lage)

Até o mercado de usados está cara, pessoal se aproveita demais.
Ano passado comprei um controle de Xbox One, com frete e nota fiscal a 279 reais. Hoje vocÊ não encontra um, sem frete, por menos de 500 reais, fica entre 510 e 600. E nos usados? Não acha por menos de 350 reais sem o frete. Imagina se eu vendesse meu controle, um rendimento quase 30% ao ano, baita investimento.
Sem contar meu notebook gamer de entrada, comprei em março por 3400, hoje não encontra por menos de 4700.

@ksio89

O Ryzen 5 1600AF ficou alguns dias por 629, que é preço até justo considerando que ele já está quase 150 dólares lá fora.

@ksio89

É verdade, mas tem uma boa dose de oportunismo também, até mesmo produtos de fabricação nacional subiram absurdamente de preço, como alimentos.

Sobre preços ridículos de peças usadas, o que seriam dos espertos se não fossem os bobos:

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Igor Lana de Melo (@igor_meloil)

Falou indústria nacional vai aparecer um ANCAP xingando já já…

Caleb Enyawbruce (@Enyawbruce)

Exato. Enquanto tiver gente pagando esses absurdos os caras tão dando risada da nossa cara

Tiago Jeronimo (@TiagoJL)

Está tudo absurdamente caro, desisti de trocar de notebook esse ano e comprei um SSD pra dar uma sobrevida ao meu Note.

Quanto a questão do boicote, não é tão simples como muitos fazem parecer, minha esposa tem uma loja de venda online e precisou comprar 3 notebooks para os atendentes, pesquisei muito, mas no fim não tinha para onde correr, ou compra ou deixa de trabalhar.