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Disparos em massa no WhatsApp continuam mesmo após TSE proibir

Eleições 2020 ainda contam com empresas que oferecem listas com dados de eleitores e disparo de mensagens em massa no WhatsApp

Victor Hugo Silva Por

Os disparos em massa de mensagens no WhatsApp ainda são utilizados na campanha das Eleições 2020, mesmo estejam proibidos há quase um ano pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a Folha de S.Paulo, algumas empresas seguem oferecendo esse serviço para candidatos a prefeito e vereador.

WhatsApp / Pixabay / silenciar o whatsapp

A reportagem se baseou em uma denúncia do candidato a vereador por São Paulo, Todd Tomorrow (PDT). Após ter recebido várias mensagens por e-mail, WhatsApp e Facebook com a oferta de serviços de disparos de mensagens em massa, ele decidiu ligar para as empresas e gravar as ligações.

Uma delas é a Bom Brasil, nome fantasia para Brasil Opções de Mercado. A empresa anuncia bancos de dados para envio de mensagens no WhatsApp com nome, endereço, bairro, renda e data de nascimento de eleitores. Uma lista com 20 mil contatos, por exemplo, custa R$ 1.800.

A Bom Brasil oferece o disparo de mensagens em massa como um serviço separado. Cada contato feito por SMS custa R$ 0,09, enquanto no WhatsApp o valor chega a R$ 0,15. Ao entrar em contato com a empresa, o candidato recebeu a informação de que, conforme a quantidade, o custo pode cair para R$ 0,12, caso a empresa realize os disparos, ou R$ 0,05, caso ele próprio faça a tarefa.

Em seu site, a Bom Brasil também anuncia uma ferramenta para extrair dados de perfis do Instagram e do Facebook. Com ela, é possível buscar de forma automatizada por contas que utilizaram uma hashtag específica para obter nome e celular dos usuários. A empresa também indica que consegue automatizar o envio de mensagens diretas no Instagram e a publicação de comentários em perfis.

Ainda de acordo com a Folha, o proprietário da Bom Brasil afirma que a empresa é apenas uma afiliada da Housoft, que criou as ferramentas de disparo em massa de mensagens e extração de dados de perfis. A Housoft, por sua vez, alega que parte do pressuposto da boa fé de seus clientes e que não controla o objetivo de cada um. O Facebook e o WhatsApp afirmam ter enviado notificação extrajudicial para a Housoft interromper o serviço.

WhatsApp

Outra empresa é a Automatize Soluções Empresariais, que já inicia o contato com candidatos por meio do WhatsApp. Em ligação, o representante da empresa indicou que pode evitar o banimento de contas no WhatsApp porque usa uma API que simula o comportamento humano. Segundo ele, é possível configurar 15 mensagens diferentes e enviá-las em velocidade mais parecida com a de uma pessoa para a plataforma entender que o robô não é um robô.

A Automatize afirma que o serviço custa R$ 699 e já foi vendido para cerca de 700 candidatos, segundo a reportagem. A empresa alega ainda que só vende o software desenvolvido pela Autland, que nega ter oferecido a ferramenta para políticos.

A agência Minds, por sua vez, afirmou ao candidato que pode oferecer banco com milhões de nomes e celulares. Esses dados seriam filtrados por bairro, cidade e estado. Em contato com a Folha, a empresa afirmou que nunca se envolveu com campanha política.

A candidata a vereadora por São Paulo, Andrea Werner (PSOL), também afirmou ter sido abordada com uma oferta de disparo de mensagens em massa. A chamada Solução e Tecnologia lhe ofereceu o WhatsApp Marketing, um serviço que promete chegar a até 20 mil usuários por hora.

TSE proíbe disparos em massa no WhatsApp

O TSE publicou em novembro de 2019 uma resolução que proíbe o disparo em massa de mensagens com fins eleitorais em aplicativos como o WhatsApp. Antes disso, a prática era permitida se atendesse a algumas condições: os eleitores precisavam dar o consentimento para receberem mensagens, o serviço deveria ser informado como despesa de campanha e o disparo não poderia envolver a disseminação de ataques e notícias falsas contra outros candidatos.

Com a proibição, os candidatos que realizarem disparo em massa nas Eleições 2020 estão sujeitos a multa e investigação que pode resultar na cassação da chapa. Na tentativa de impedir a prática, o TSE fez uma parceria com o WhatsApp e criou um canal para receber denúncias de contas suspeitas. Os usuários que identificarem mensagens que parecem ter sido enviadas por empresas e robôs podem informar o órgão eleitoral por meio deste link.

Comentários da Comunidade

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Mafiotecano (@Mafiotecano)

Para a imensa surpresa de ninguém.

Helliton Soares Mesquita (@Helliton_Soares_Mesq)

Colocou seus dados na internet, todo mundo vai pegar. Por isso, não deveria ter uma lei de proteção de dados e sim uma lei que proíbe qualquer serviço de exigir o nome verdadeiro, com exceção se envolver pagamentos. Ou seja, Facebook deveria ser proibido de exigir os dados e nomes verdadeiros. E olhe, tenho meu perfil falso por lá, e nunca que eles reclamaram, porém o meu verdadeiro eles exigiram documentos, e fiz questão de deixar que eles apagassem, afinal porque o Facebook quer ter certeza que sou eu.

Claro que os disparos em massa, são uma baita exagero. Poucas pessoas realmente recebem essas mensagens. O que o povo recebe mesmo é mensagem em grupo, que daí é uma farra mesmo, mas já perdeu muito a eficácia ninguém liga mais para o que parente posta em grupo.

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

Acho que deveriam deixar rolar solto durante as eleições, só coletar provas dos envolvidos, depois das eleições processa todos que usaram essas ferramentas e deixa os políticos inelegíveis por 8 anos, tem de bater onde doi mais neles.

E politico inelegível não deveria poder ocupar nenhum cargo de CC em nenhum lugar.

ochateador (@ochateador)

Tira print da conversa inteira e envia ao TSE como denúncia. Depois bloqueia o contato e denuncia ao whatsapp.

Talvez, caiba processo na justiça comum por uso não autorizado dos dados pessoais ?