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JBL Club 950NC: robustez com cancelamento de ruído

Mais graves, menos cancelamento de ruído e muito peso são as características do headphone da JBL

Fone JBL Club 950NC (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

O JBL Club 950NC é um dos fones de ouvido com cancelamento ativo de ruído mais sofisticados da marca americana. Ele tem design robusto de metal, bateria com duração de até 55 horas e formato de headphone circumaural para envolver suas orelhas e reduzir as distrações externas.

Apesar de não ser um headphone barato, o preço sugerido de R$ 1.499 é menor que o dos modelos mais famosos do segmento, como o Sony WH-1000XM4. Será que vale a pena apostar na JBL? Como é a qualidade do som? Ele cancela bem o ruído? Eu ouvi dezenas de horas de músicas nas últimas semanas e conto tudo nos próximos minutos.

Análise do JBL Club 950NC em vídeo

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Nenhuma empresa, fabricante ou loja pagou ao Tecnoblog para produzir este conteúdo. Nossos reviews não são revisados nem aprovados por agentes externos. O JBL Club 950NC foi fornecido pela Intel por doação. O produto será usado em conteúdos futuros e não será devolvido à empresa.

Design e conforto

Fone JBL Club 950NC (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

O design do Club 950NC se sobressai em relação aos outros headphones com cancelamento ativo de ruído. Enquanto a Sony, a Bose, a Beats e outras marcas conhecidas apostam em materiais mais leves e até menos sofisticados, a JBL colocou peças de metal unindo o arco às conchas. É uma faca de dois gumes: passa uma sensação de robustez e durabilidade, mas torna o produto mais pesado.

Nos primeiros dias, senti o Club 950NC um pouco desconfortável devido à pressão em volta das orelhas e do peso acima da média, de 372 gramas. Para fins de comparação, o Bose QuietComfort 35 II tem 235 gramas, quase 40% a menos, o que faz uma diferença significativa ao usar o headphone por longas horas.

Fone JBL Club 950NC (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

Foi questão de tempo até se acostumar, mas não é um fone que eu escolheria para uma viagem longa de ônibus ou avião, por exemplo. Somando a pressão do headphone com as espumas volumosas, revestidas de um material que lembra couro, o Club 950NC também esquenta mais a cabeça, o que pode ser incômodo em dias quentes para algumas pessoas.

Apesar de parecer um tanque de guerra, ele não possui nenhuma certificação IP para proteção contra água e poeira; é um headphone que deve ser usado principalmente em ambientes fechados, como um trem, um escritório ou dentro de casa, assim como outros fones de ouvido com cancelamento ativo. O transporte do Club 950NC é facilitado pelo formato dobrável, que se encaixa em um estojo bem rígido, capaz de proteger bem o fone dentro de uma bolsa ou mochila.

Fone JBL Club 950NC (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

Botões físicos não faltam aqui. A concha esquerda pode ser pressionada para chamar o Google Assistente ou Alexa e reúne ainda os comandos de liga/desliga, pareamento por Bluetooth e cancelamento de ruído, além de uma entrada para conectar um cabo P2. Do outro lado, temos uma conexão USB-C para carregar a bateria, controles de volume e um botão para aumento de graves, que comento adiante.

Fone JBL Club 950NC (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

Software e funções

O fone de ouvido pode ser controlado pelo aplicativo My JBL Headphones, disponível para Android e iPhone. A versão para iOS é extremamente mal avaliada na App Store, com média de 1,4 estrela, mas isso pode ter acontecido mais por uma falha de comunicação da JBL em informar quais fones são compatíveis do que pela qualidade do software; particularmente, não encontrei nenhum problema no aplicativo com o Club 950NC.

Fone JBL Club 950NC (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

O My JBL Headphones tem uma interface fácil de usar. Ele mostra a porcentagem de bateria, permite configurar o assistente de voz preferido, ativar ou desativar o cancelamento de ruído e personalizar o som. Também é possível definir uma das duas ações para o botão lateral: o TalkThru diminui o volume e deixa o som do ambiente passar, para você conversar com alguém sem tirar o fone, enquanto o Ambient Aware só desliga o cancelamento, para você não ser atropelado por não ter escutado um carro na rua.

O Stage+ é o equalizador da JBL, que permite ajustar as bandas de frequência como um equalizador comum, mas também traz modos pré-definidos de DJs. Tocando em uma das fotos, você pode obter mais informações sobre a biografia e o estilo de cada um, deixando o fone mais ou menos enérgico, dependendo do DJ. É uma forma mais democrática de fazer um equalizador, sem adotar termos que possam ser confusos para quem é mais descompromissado com som.

Fone JBL Club 950NC (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

Qualidade de som e microfone

Sendo bem direto, o Club 950NC tem uma sonoridade que não me agrada, mas que faz sentido do ponto de vista mercadológico e tem seu público. A JBL aposta em um som mais quente e enérgico; toda a linha de fones de ouvido da marca costuma ter graves mais fortes que o resto do espectro. O que me incomoda nesse modelo é uma elevação nos médio-graves que torna algumas músicas congestionadas. Além disso, os graves por vezes me parecem superficiais: eu consigo ouvir, mas não sentir tão bem as batidas.

Para mim, esse perfil sonoro é ruim para músicas pop com maior alcance dinâmico. Na Cornelia Street, da Taylor Swift, as partes calmas aparentam ser mais agitadas do que deveriam, com batidas se sobressaindo em uma região mais amena. Além disso, senti que a voz da cantora fica escondida nos refrões, com um peso menor do que poderia. O curioso é que qualquer um dos cinco DJs do equalizador piora esse efeito, aumentando as batidas.

Fone JBL Club 950NC (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

Em compensação, o Club 950NC se dá bem com estilos mais agitados. Na Enter Sandman, do Metallica, os graves da JBL entram em ação e tocam os bumbos de bateria com autoridade; poderiam ter um pouco mais de profundidade e extensão, mas a maioria das pessoas deve ficar bem feliz. Ao mesmo tempo, os médios e agudos, que não mostram picos desagradáveis, deixam a guitarra e os pratos trabalharem em harmonia.

O resultado também pode agradar os amantes de graves em Playing God, do Paramore, com um ritmo divertido e um vocal com textura. Em compensação, a sensação de música embolada pode voltar na parte final de Looking Up, do mesmo álbum. Essa dualidade sonora torna o Club 950NC um fone menos versátil, que pode ser muito bom para algumas músicas e não tanto para outras.

Fone JBL Club 950NC (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

As minhas considerações anteriores foram feitas com o aumento de graves sempre desativado. Ao tocar nesse botão, as frequências baixas têm ainda mais presença no Club 950NC (como se já não tivessem normalmente!). Mas eu acredito que a maioria das pessoas não vá usar esse modo: é legal nos primeiros minutos para brincar e sentir a cabeça chacoalhando, mas gera fadiga auditiva e enjoa depois de um tempo.

Fone JBL Club 950NC (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

Já o microfone integrado tem qualidade mediana, apenas dentro do esperado para um fone de ouvido Bluetooth. A pessoa do outro lado da linha consegue escutar sua voz com certa clareza se você estiver em um ambiente relativamente calmo e silencioso, mas nada além disso.

Cancelamento de ruído e bateria

O “NC” do Club 950NC se refere ao cancelamento ativo de ruído e a efetividade desse recurso depende das suas expectativas. Em comparação com as referências nesse segmento, como o Sony WH-1000XM4 e o Bose QuietComfort 35 II, o headphone da JBL é muito inferior, especialmente em reduzir os ruídos mais graves e constantes, como motores, por exemplo. Só que ele também é mais acessível que esses pares, que são vendidos acima dos R$ 2 mil.

Fone JBL Club 950NC (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

A redução de ruído nas frequências médias fica dentro do esperado para um fone com cancelamento ativo de ruído, ou seja, não é eficiente em reduzir barulhos inconstantes (como vozes de fundo), mas ameniza suficientemente o ruído externo para trabalhar ouvindo música em um volume agradável. Boa parte desse trabalho é feito passivamente pelas conchas, que se encaixaram de maneira mais firme na minha cabeça.

Já a bateria cumpre o que promete. A JBL diz que o Club 950NC pode aguentar até 55 horas sem cancelamento de ruído e 22 horas com ANC. Como de costume, eu ouvi músicas sempre com o recurso de cancelamento ativado, conectado a um iPhone 11 Pro Max e com volume em 50%, suficiente para ouvir bem a música por longas horas. Em um teste contínuo, o fone de ouvido aguentou cerca de 23 horas, o que é um pouco acima do prometido pela marca.

Vale a pena?

Fone JBL Club 950NC (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

Pode valer, mas não para todo mundo. O grande problema do Club 950NC no Brasil é que ele fica em uma faixa de preço ingrata para um fone de ouvido: é menos caro que os melhores do mercado, mas ainda é um produto muito caro para a maioria dos brasileiros. Olhando por esse lado, é difícil dizer que vale a pena “economizar” dinheiro (muitas aspas aqui) e não levar um Sony WH-1000XM4, por exemplo, que é a referência do mercado de fones de ouvido com cancelamento ativo.

Eu cheguei a ver alguns gráficos de resposta de frequência que mostram o Club 950NC como um fone mais balanceado, versátil e com menos graves que o Sony WH-1000XM4, por exemplo. Não é o que eu ouço: para mim, o headphone da JBL se aproxima muito mais de um Sony WH-XB900N, que carrega a inscrição Extra Bass na embalagem. É certamente um fone para bass heads e para curtir músicas sem compromisso, chacoalhando a cabeça.

O Sony WH-XB900N, inclusive, seria o concorrente direto do Club 950NC pela faixa de preço. Entre os dois, eu ficaria dividido, mas tendendo para o lado da Sony: ele tem um estilo enérgico e quente parecido o da JBL, perde alguns luxos como o estojo de transporte rígido, mas ganha muito em conforto e traz uma duração de bateria maior com cancelamento ativo de ruído.

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