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Por que o álcool em gel fica grudento?

Substituição de componente pode deixar o álcool em gel grudento; aspecto sensorial do produto depende de sua formulação

Gabrielle Lancellotti Por

O álcool em gel grudento — sensação de maior viscosidade ao aplicar o produto na pele — pode indicar mudanças na formulação feitas pelo fabricante, ao produzir a mercadoria. Indicado para inativar de maneira rápida e eficaz microrganismos causadores de doenças, a demanda pelo item se mantém alta devido à pandemia de Covid-19, enfermidade provocada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2).

Álcool em gel: item reduz a transmissão do vírus e a contaminação cruzada (Imagem: Kelly Sikkema/Unsplash)

Álcool em gel: item reduz a transmissão do novo coronavírus (Imagem: Kelly Sikkema/Unsplash)

Por que mudanças na formulação?

A maior procura e, consequentemente, o aumento abrupto da produção de álcool em gel resultou no rápido esgotamento de um componente, usado na preparação da fórmula: o carbômer 980 (carbopol), polímero que atua como agente espessante e é responsável pelo aspecto gelatinoso conferido ao produto.

O uso do cabopol na preparação do álcool em gel é indicado na 2ª edição do Formulário Nacional da Farmacopeia Brasileira — o código oficial farmacêutico do país.

Fórmula do álcool em gel (Imagem: Reprodução/Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. do formulário nacional)

Fórmula do álcool em gel (Imagem: Reprodução/Farmacopeia Brasileira, 2ª ed. do formulário nacional)

Com a falta do componente mais adequado, outro agente espessante é usado pelos fabricantes. A substituição do carbômer 980 pode alterar o aspecto sensorial do produto. Isto é, gerar a sensação de um álcool em gel grudento. Vale destacar que em um contexto de crise sanitária, a prioridade é manter a eficiência da ação antisséptica da mercadoria.

Géis à base de álcool: alternativas para suprir a demanda

Para auxiliar na demanda, a Organização Mundial da Saúde (OMS) criou um guia [hwo.int/guide] direcionado para as empresas fabricantes autorizadas, que oferece formulações de géis à base de álcool para antissepsia higiênica das mãos. Ou seja, fórmulas alternativas para inativar microrganismos causadores de doenças, que podem ser usadas quando produtos comerciais mais adequados não estão disponíveis.

Com base nesse documento, a Anvisa fez seu próprio manual [gov.br/anvisa] seguindo as orientações de produção da OMS. Entre as formulações que constam no guia da Anvisa, há o álcool isopropílico glicerinado 75% e o álcool etílico glicerinado 80%.

Vale destacar que a agência reguladora permitiu, em caráter excepcional devido à pandemia de Covid-19, que empresas de medicamentos, cosméticos, saneantes e farmácias magistrais regularizadas produzam antissépticos à base de álcool sem sua autorização prévia. Sendo assim, a viscosidade do gel alcoólico pode variar de acordo com o fabricante.

Com informações de: Organização Mundial da Saúde, Anvisa, Farmacopeia Brasileira, CNN, ICTQ e Brasil Escola

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