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Apple Silicon terá desafio em rodar programas antigos, diz Qualcomm

Para Qualcomm, transição de Intel para Apple Silicon nos Macs trará desafios na emulação de software legado

Emerson Alecrim Por

A essa altura, todo mundo já sabe: na última terça-feira (10), a Apple anunciou os primeiros MacBooks e um Mac Mini com o M1, chip baseado em tecnologia ARM. Mas essa transição de Intel para Apple Silicon (a arquitetura do M1) não será fácil. Pelo menos é no que a Qualcomm acredita: para a companhia, emular softwares antigos será um trabalho desafiador para a Apple.

Apple Silicon (Imagem: Reprodução/Apple)

Apple Silicon (imagem: Reprodução/Apple)

Não é novidade para ninguém que a Qualcomm é líder no fornecimento de processadores com tecnologia ARM para dispositivos móveis. A companhia também vem tentando emplacar seus chips no segmento de PCs — o Snapdragon 8cx Gen 2 é a mais recente aposta para esse mercado —, mas com pouco sucesso.

O problema está justamente na capacidade de adaptação. Já é possível emular softwares x86 (32 bits) ou x64 (64 bits) no Windows 10 para ARM, mas, frequentemente, esses aplicativos apresentam problemas de desempenho. Em casos pontuais, o software sequer roda quando emulado.

Provavelmente, isso explica a decisão da Samsung de lançar um laptop Galaxy Book S com processador Intel Lakefield apenas alguns meses depois de a companhia ter revelado o mesmo modelo com chip Snapdragon 8cx.

Embora a situação do Windows na plataforma ARM venha melhorando, a Qualcomm não esconde que a integração entre esses dois universos tem lá seus desafios. Com base em sua experiência com o assunto, a companhia explicou ao Android Authority que a Apple deve enfrentar dificuldades semelhantes.

Chip Apple M1 (Imagem: Reprodução/Apple)

Chip Apple M1 (imagem: Reprodução/Apple)

“Contar com emuladores para unir o ecossistema legado com o novo é bom, mas você enfrentará desafios”, disse um representante da companhia, que complementou: “há muitos softwares muito mal escritos ou antigos por aí; os emuladores não podem lidar com tudo isso”.

Para executar softwares legados, os Macs com Apple Silicon contam com uma ferramenta conhecida como Rosetta 2, que traduz aplicativos de 32 ou 64 bits para ARM.

Tudo indica que essa é uma solução engenhosa. O temor é o de que o procedimento de tradução ocasione problemas de desempenho ou, no caso dos softwares mais antigos, de compatibilidade.

Nos resta esperar pelos resultados dos primeiros testes independentes com os novos Macs para termos uma noção mais clara dos possíveis problemas.

Comentários da Comunidade

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João Almeida (@Joao_Almeida)

O Windows por si só é um ninho de código antigo e mal escrito kkk então acho que da nem pra comparar com o MacOS. A Apple disse que roda até melhor gráficos no Rosetta que nativamente, veremos isso.

Filipe Espósito (@filipeesposito)

Pois é. A Apple já passou por uma grande transição de arquitetura antes e na prática foi mais simples do que muita gente imaginava. Certamente vai ter uma incompatibilidade ou outra aqui e ali, mas acredito que o Rosetta 2 vai funcionar tão bem quanto o primeiro.

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

O mais engraçado é a Qualcomm falando o parecer sobre os SoCs da concorrência, dando a entender que sabe mais sobre os desafios da transição, que a própria Apple, que já fez isso umas 3 vezes, e conhece melhor que ninguém suas próprias limitações e fraquezas.

Com o lançamento desse M1, a Apple jogou seguro. Anunciou seu Apple silicon para Macs no tier mais básico e para aqueles que requerem o máximo de compatibilidade por terem um workflow bem mais robusto, seguiu oferecendo Macs com specs mais altas com intel. Por isso não vimos M1 com configurações de RAM maiores, pois essas estão no tier da intel.

Um usuário mais básico não terá grandes demandas logo no início, dando tempo da indústria se preparar, atualizar seus apps e programas. Ano que vem ela completa o restante da linha e pode subir a barra, até chegar o ponto que a intel será dispensável.

Não é porque a Apple pode escalar sua arquitetura a ponto de tornar as soluções com intel obsoletas no dia um, que ela deva fazer isso logo de cara. Não teria efeito prático algum, fora dar uma de phill Schiller no palco e soltar um “can’t Innovate anymore my ass”. Quem precisa evoluir não são os SoCs da Apple, mas a oferta de software disponível, e isso vem com o tempo.

Jonathan (a.k.a Halls) (@akahalls)

Era isso que ia falar kkk De qualquer forma, o ecossistema Mac é muito diferente, tanto na quantidade de programas extremamente legados quanto a ser baseado em BSD

Bruno Cabral Peixoto (@Bruno_Cabral_Peixoto)

Parece que até o Wine tá entrando nessa de emular X86 em ARM.