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Mercado Livre confirma interesse em comprar Correios na privatização

Mercado Livre é principal cliente dos Correios; empresa tem frota de aviões e armazéns para depender menos da estatal

Felipe Ventura Por

Rumores diziam que o Mercado Livre cogitava participar da privatização dos Correios, e agora é oficial: “queremos, sim, estar na mesa de negociações”, afirma Stelleo Tolda, presidente do ML na América Latina. Fábio Faria, ministro das Comunicações, diz que Amazon, Magazine Luiza e FedEx também estão interessadas em comprar a estatal.

Mercado Livre (Imagem/Divulgação)

Mercado Livre (Imagem/Divulgação)

Mercado Livre diminui dependência dos Correios

“Queremos, sim, estar na mesa de negociações na privatização dos Correios quando as regras estiverem definidas”, afirma Tolda em entrevista à IstoÉ Dinheiro. “Não vamos liderar nenhum consórcio, mas nosso volume é uma garantia de que vamos continuar trabalhando com os Correios, algo que vai interessar a qualquer comprador possível.”

O executivo observa que o Mercado Livre ainda era o principal cliente de encomendas dos Correios em 2019, mesmo que a estatal represente apenas 20% de suas entregas — há três anos, esse percentual era de 90%.

“Uma das coisas que nos incomoda como empresa privada é muitas vezes ficarmos sujeitos a greves”, reclama Tolda. Os funcionários realizaram uma paralisação em agosto e setembro deste ano, em parte como protesto contra a privatização.

Mesmo se o Mercado Livre não conseguir o lance vencedor na privatização, a empresa quer ter uma relação próxima com o futuro comprador. “Estamos na mesa conversando com as partes interessadas”, diz Leandro Bassoi, vice-presidente de Mercado Envios, ao Valor. “Sendo o maior cliente dos Correios, acredito que é importante que a gente tenha bom diálogo com o comprador”. 15% do faturamento da estatal vêm do ML.

A plataforma de e-commerce vem reduzindo sua dependência em relação à estatal. “Nos últimos anos, estamos tirando volume de entrega dos Correios e trazendo para dentro da nossa malha logística”, explica Tolda.

Com o Mercado Envios, o ML promete entregar 80% dos produtos vendidos na Black Friday em até dois dias. Atualmente, 70% dos produtos armazenados em seus centros de distribuição de São Paulo e Bahia chegam ao cliente em 24 horas; com a Meli Air, sua frota própria de aviões, esse percentual deve aumentar. Além disso, o Mercado Livre vai abrir mais cinco armazéns em São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina até o início de 2021.

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Felipe Silva (@Felipe_Silva)

Quero ver manterem as agencias em cidades do interior que não são lucrativas, já vimos que o foco das privadas e cortar custos mesmo que isso gere um colapso no serviço prestado.

wesley soares (@wesley_soares)

Pelo que eu li, haveria uma certa obrigatoriedade em atender todos os municípios que os correios já atendem, isso vai ser discutido no plano de privatização, que honestamente sou contra. O serviço melhorou muito nos últimos anos, mas se for privatizar que seja privatizado para alguma empresa de logística, só quem vende no MercadoLivre sabe a porcar** que é você ter de lidar com eles em caso de problemas.

@Fabiofs

Olha, aqui sou do interior, tem uma agência dos correios e mesmo assim o ML entrega mais rápido (2 ou 3 dias).
Se extinguir a agência e continuar entregando rápido não fará diferença pra mim

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

O Brasil tem tanta estatal, que é impossível gerenciar todas satisfatoriamente. Acaba sendo um ralo de dinheiro público indo para áreas que não beneficiam a população que paga pela manutenção de cargos e suas operações.

Faz sentido o Brasil como uma nação, ter estatais chave. Um exemplo prático seria na área da construção de obras públicas. Resolveriam problemas burocráticos envolvendo licitações bilionárias com meia dúzia de empreiteiras, que todos sabem quais são. A aprovação seria mais rápida, mais barata por não visar o lucro, apenas a manutenção e execução dessas obras públicas.

Agora áreas onde geram conflito de interesses, como uma petrolífera, que por mais rentável que seja, sua operação tem potencial de impactar negativamente no bolso do brasileiro, talvez não compense.

Quando um país tem estatais de mais, inevitavelmente há uma concentração de poder muito grande na mão de uma classe política, e isso nunca é bom. Porém mesmo em um estado mínimo, algumas estatais fazem sentido, visando a eficiência na gestão.

Em pleno 2020, existem empresas privadas altamente capazes de efetuar entregas, do que quer que seja. Na minha opinião não justifica-se mais o Brasil ter uma empresa como os correios, para um serviço que pode ser ofertado por uma ou mais empresas privadas.

“Ah, mas lá onde judas perdeu as botas, como fica?” Aí podem se estabelecer termos na hora da venda ou, a locação de parte da infra para atender locais tão remotos. E bom, a tecnologia está aí para oferecer alternativas mais baratas e eficientes.

🤷‍♀️ (@xavier)

Eu sou a favor da privatização, mas por este mesmo motivo não queria que o Mercado Livre levasse. Eles podem até ter criado nos últimos meses uma logística muito boa, com prazos incrivelmente rápidos, mas só. O atendimento ao cliente e ao vendedor está anos-luz atrasado em comparação com uma Amazon, por exemplo.

Isso já foi abordado por diversas vezes no Tecnoblog e/ou Tecnocast. O que se tem muito lá nos EUA são operadoras virtuais, donas de redes são poucas, igual aqui.

Excluindo o regime comunista da China, nós somos o país com o maior número de estatais, segundo a OCDE e a FGV.
Concordo integralmente com você.

Não necessariamente, os comerciantes locais podem exercer “pressão” sobre as privadas. Eu moro no interior de SP, em uma cidade relativamente pequena e pra pequenas encomendas, ficávamos reféns apenas dos Correios. Recentemente uma transportadora abriu um ponto de coleta aqui, porque o volume (tanto entrada quando saída) de itens aumentou.