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Microsoft prepara processadores ARM para servidores e Surface

A Microsoft deve se juntar ao que já faz a concorrência, como é o caso dos chips ARM presentes em servidores AWS da Amazon

André Fogaça Por

A Microsoft aparentemente está com alguns chips de arquitetura ARM em desenvolvimento, com processadores focados para servidores da empresa, mas que podem sim aparecer em computadores da linha Surface. A implementação pode ser mais um revés para a Intel, atual fornecedora majoritária deste tipo de componente para o Azure e outros serviços de nuvem da marca.

Estande da ARM (foto: Facebook/ARM)

Estande da ARM (foto: Facebook/ARM)

A informação vem diretamente de fontes próximas ao assunto e que foram ouvidas pela Bloomberg. Os chips fabricados pela Microsoft utilizam a arquitetura ARM, a mesma escolhida por praticamente toda indústria de smartphones e tablets, além da decisão recente da Apple no processador M1 dos novos MacBooks e Macs Mini – também chamado de Apple Silicon.

Microsoft já tem experiência com ARM

Criar processadores em casa e com arquitetura ARM não é bem novidade para a Microsoft, que escolheu a base do Snapdragon 8cx para o SQ1 do Surface Pro X de primeira geração, e 8cx Gen 2 para o SQ2 que equipa a segunda geração do tablet da empresa.

O novo projeto foca o assunto nos servidores, onde a utilização muda drasticamente; seja pelo tempo quase ininterrupto de uso, ou então pelo desempenho maior que é exigido. Neste cenário, soluções criadas com base em ARM também costumam ser mais eficientes no consumo energético, representando um dos objetivos para o desenvolvimento da Microsoft.

Ainda não existe previsão para o primeiro chip da Microsoft com ARM, sem utilizar a base de outra empresa como a Qualcomm, chegar ao mercado. Como o primeiro passo está focado nos servidores, a adoção nos PCs deve levar ainda mais tempo.

Certamente o empurrão que a Apple deu ao escolher esta arquitetura para todos os seus computadores ajuda bastante na decisão da concorrência. Será que 2021 é o ano dos computadores com ARM?

Com informações: Bloomberg.

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@doorspaulo

Pode sim, só licenciar o uso da arquitetura, como qualquer fabricante.
Se não me engano, a Intel já está desenvolvendo alguma coisa ARM.

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

Talvez agora o sonho de servidores ARM saia do papel com uma gigante como a Microsoft investindo nele.

André (@andre00)

Intel não tá dando conta nem de melhorar os próprios processadores.

Gabriel Arruda (@gdarruda)

x86 é uma piada a falta de concorrência, já que é praticamente um duopólio da Intel e AMD, com VIA Technologies tendo market share insignificante. E se considerar apenas o x86-64, é um duopólio de facto, devido ao acordo de licenciamento mútuo de patentes sobre a arquitetura.

A Microsoft também deu zero incentivos para processador ARM no Windows, o que torna de saída uma desvantagem já que o mercado de computadores pessoais não utilizaria os novos processadores. Seria algo exclusivos para servidores que poderia flopar, ainda mais considerando que não existia uma plataforma de desenvolvimento antes do M1.

Suponho inclusive que o grande motivador seja o Azure, lembrando que a Amazon já está fazendo processadores ARM também. O Surface e Windows 10 parecem mais um subproduto da iniciativa.

x86 e outras ISAs CISC ainda têm seu lugar em aplicações científicas e corporativas, mas não vai demorar muito para o ARM se tornar poderoso o suficiente a ponto de empregarem em supercomputadores e servidores.

Acho que aplicações que científicas serão as primeiras a entrar nesse barco, justamente porque a maioria dos problemas são “CPU bound” enquanto aplicações corporativos normalmente são mais “I/O bound”. Tinha a famosa história do PS3 ser cluster para simulações, o CUDA da Nvidia transformou a empresa de games para algo bem maior…porque o pessoal foi babando nas possibilidades que GPU oferece para alguns problemas.

Vale muito a pena o custo de desenvolvimento para essas coisas acadêmicas, dado o que se ganha em tempo e economiza em energia/cloud. O que não costumar ser verdade para sistemas corporativas, em um banco os ganhos seriam muito menores e o custo muito mais alto pelo legado e tudo mais.

Há um exagero no entusiasmo com o M1 devido a comparação com a Intel, que se perdeu no 14nm…X86 deve dar uns pulos quando avançar para processos melhores com a Intel também. Mas ao que tudo indica, mesmo comparado com Ryzen em 7nm, o M1 compete bem e é o processador mais básico com total foco em eficiência. Supondo que a Apple consegue chegar em clocks muito maiores e adicionar mais núcleos, tem tudo para a primeira geração de Mac Pro já ser um arrasa quarteirão.