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Apple restringe fabricante de iPhones na Índia após protestos

A fábrica da Wistron, contratada pela Apple para fabricar iPhones para o mercado local, atrasou salários de outubro e novembro

André Fogaça Por

Após protestos por atrasos no pagamento de funcionários em uma unidade da taiwanesa Wistron, que faz parte da cadeia de fabricação dos iPhones lá na Índia, a Apple restringiu seus pedidos. A empresa da maçã afirma que não vai retomar a produção na planta enquanto os problemas não forem solucionados.

iPhone 12 Pro Max (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

iPhone 12 Pro Max (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

O protesto ocorreu no dia 12 deste mês, quando funcionários invadiram a fábrica da Wistron, que fica na área industrial de Narasapura, na Índia. Na planta, centenas de colaboradores tiveram o pagamento atrasado dos salários de outubro e novembro deste ano, após falhas no sistema responsável por gerenciar as horas trabalhadas.

Neste ano a fábrica aumentou sua capacidade de montagem em mais de quatro vezes, respondendo pela produção de iPhones na região sul da Ásia. O objetivo da expansão está no plano de diversificação de fornecedores para a Apple, focado na venda de iPhones produzidos localmente e assim evitar impostos para produtos importados.

O problema encontrado seria grave o suficiente apenas com salários atrasados, mas o governo local aponta algumas situações de desrespeito das leis do trabalho. A lista de acusações inclui pagamento incompleto dos salários, condições impróprias para o trabalhador e irregularidades nas horas dos colaboradores.

Com este conjunto de problemas, funcionários da empresa quebraram parte da planta, incluindo maquinários de produção, de segurança e até mesmo os iPhones que estavam por lá. A Wistron alega que o valor dos danos causados pelos funcionários chega a US$ 7 milhões.

Como parte da solução dos atrasos e outros problemas apontados, a empresa de Taiwan demitiu um executivo responsável pela planta da fábrica na Índia. “Estabelecemos um programa de assistência ao empregado para os trabalhadores da unidade. Também criamos uma linha direta para reclamações em canarim, telugu, tâmil, hindi e inglês para garantir que todos os trabalhadores possam expressar quaisquer preocupações que possam ter, de forma anônima”, diz a Wistron.

Apple está investigando os problemas

A Apple afirma que as regras de conduta para fornecedores foram violadas na planta indiana da Wistron. “Como sempre, nosso foco é garantir que todos em nossa cadeia de suprimentos sejam protegidos e tratados com dignidade e respeito. Estamos muito decepcionados e tomando medidas imediatas para resolver esses problemas,” disse a empresa em nota.

“A Wistron tomou medidas disciplinares e está reestruturando suas equipes de recrutamento e folha de pagamento dos colaboradores em Narasapura. Os funcionários da Apple, junto de auditores independentes, vão monitorar seu progresso,” complementa.

Enquanto os problemas não são solucionados, a Apple diz que não enviará nenhum novo produto para ser fabricado na montadora.

Com informações: Reuters e TechCrunch.

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