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MediaTek ultrapassa Qualcomm no mercado de celulares

MediaTek assume liderança no mercado global de celulares e ultrapassa Qualcomm, fabricante de processadores Snapdragon

Bruno Gall De Blasi Por

A MediaTek colheu bons frutos no terceiro trimestre de 2020. A companhia taiwanesa ultrapassou a Qualcomm, fabricante de chips Snapdragon, se tornou líder no mercado global de celulares e teve crescimento na América Latina. Os números são parte de um levantamento da Counterpoint Research revelado nesta quinta-feira (24).

MediaTek (Imagem: Divulgação/MediaTek)

MediaTek (Imagem: Divulgação/MediaTek)

Os bons resultados fazem parte de três fatores, segundo o diretor de pesquisa Dale Gai. São eles o forte de desempenho no mercado de smartphones intermediários e em mercados emergentes, como a América Latina; o atrito entre a Huawei e os Estados Unidos; e o sucesso de fabricantes como Samsung, Xiaomi e Honor.

“A MediaTek também foi capaz de aproveitar a lacuna criada devido à proibição americana da Huawei”, disse Dale Gai. “Os chips MediaTek acessíveis fabricados pela TSMC se tornaram a primeira opção para muitos OEMs [fabricantes] preencherem rapidamente a lacuna deixada pela ausência da Huawei”.

Mercado de fabricante de chips no terceiro trimestre de 2020 (Imagem: Reprodução/Counterpoint Research)

Mercado de fabricante de chips no terceiro trimestre de 2020 (Imagem: Reprodução/Counterpoint Research)

A companhia taiwanesa abocanhou 31% do mercado, ultrapassando a Qualcomm, atualmente com 29%. “A participação dos chipsets MediaTek na Xiaomi aumentou mais de três vezes desde o mesmo período do ano passado”, afirmou Gai. Em 2019, as empresas tinha um market share de 26% e 31% do mercado, respectivamente.

A Samsung e a HiSilicon vêm nas colocações seguintes, ambas com 12%. Antes, a terceira colocação era posse da fabricante de celulares Samsung Galaxy e processadores Exynos, com uma fatia de 16% do mercado. A fabricante da Huawei, por sua vez, manteve a mesma faixa percentual do mesmo período do ano passado.

Apple e Unisoc vêm na sequência. A fabricante do iPhone cresceu um ponto percentual de um ano para o outro, subindo de 11% para 12%. A chinesa Unisoc, que produz chips para celulares como o Philco HIT P10 e o Positivo Q20, subiu de 3% para 4% no mundo.

Xiaomi Redmi K30 Ultra tem processador MediaTek (Imagem: Divulgação/Xiaomi)

Xiaomi Redmi K30 Ultra tem processador MediaTek (Imagem: Divulgação/Xiaomi)

MediaTek lidera na América Latina

A MediaTek também abriu uma larga vantagem na América Latina no terceiro trimestre. Na liderança, a fabricante taiwanesa cresceu de 19% para 41% entre 2019 e 2020. A Qualcomm vem em segundo lugar, com 30%; antes, a empresa tinha 33%.

A Samsung registrou uma queda expressiva no exercício, de 33% para 15%. A HiSilicon abocanhou 5% (era 7%), enquanto a Apple permanece com seus 3%.

Com informações: Counterpoint Research

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Felipe Silva (@Felipe_Silva)

tu tá olhando errado para o mercado, nem tudo é uma competição de quem é o mais potente, o importante pras fabricantes muitas vezes é o lucro final.

Me parece que a Unisoc tá tomando o mercado de entrada da mediatek enquanto que a mediatek tá abocanhando o mercado intermediário da qualcom, que tende a fica cada vez mais espremida no mercado de topo, o qual para celulares faz cada vez menos sentido com a potencia de sobra dos intermediários, e se não mantiver a vantagem de potencia vai acaba sendo engolida pela concorrência.

O que vai definir o mercado mais pra frente é a mediatek trazer soc baratos e com 5g de qualidade, mas só vejo esse mercado para os países emergentes daqui uns 3 anos.

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Até que importa de forma indireta. Volume de vendas dita quanto de investimento a empresa despenderá para futuras gerações. O desenvolvimento de silício começa uns 4 anos antes de chegar ao mercado e ocorre em várias frentes em paralelo.

Se a empresa não tem prospecto de crescimento, dificilmente investirá em tecnologias mais novas e caras, que demandam muita pesquisa e aquisição de patentes. 5nm é um exemplo real, porém já estão desenvolvendo em paralelo processos de 3 e 2 nanômetros. É um montante que precisa ser alocado.

A Qualcomm por maior que seja, possui um limite de até onde pode ir, se ultrapassar tende a inflar os preços e perde mercado. O que resulta em competir por preço ou focar em um segmento de nicho, para não perder relevância.

A Mediatek vem crescendo ano após ano, e segue fazendo um trabalho de limpar a imagem negativa que muitos ainda tem, daqueles tempos de processadores deploráveis. E vem dando certo, abocanhando o mercado de intermediários; básicos, avançados e IOT.

O movimento que a Samsung vem fazendo de aprimorar seus SoCs, é o mais acertado. Já que possui demanda constante e pode amortecer os custos se adotar mais SoCs próprios. Logo a Qualcomm se tornará muito cara e o desempenho não corresponderá. Cada vez mais o segmento premium se concentrará e o mercado de intermediários avançados tenderá a dominar.