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C6 Bank é barrado pela Senacon de vender empréstimo consignado

C6 Bank detém 10% do mercado de consignado no Brasil; queixas sobre empréstimos indevidos aumentaram 1.900% este ano

Felipe VenturaPor

O C6 Bank deverá suspender as operações de crédito consignado por causa de uma decisão da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), ligada ao Ministério da Justiça. O número de reclamações contra a fintech sobre empréstimos indevidos saltou 1.900% entre agosto e novembro de 2020.

C6 Consig (Imagem: Reprodução)

C6 Consig (Imagem: Reprodução)

O crédito consignado é uma modalidade que desconta as parcelas do empréstimo direto na folha de pagamento, ou seja, no salário ou na aposentadoria. As queixas sobre o C6 envolvem principalmente idosos beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A Senacon determinou que o C6 Bank suspenda as contratações de empréstimo consignado feitas de forma direta, exceto nos casos em que o interessado fizer a solicitação por escrito, segundo o Valor.

Além disso, os correspondentes bancários — empresas que representam o C6 ao vender crédito consignado — não poderão oferecer esse tipo de empréstimo, seja por escrito ou por meios eletrônicos (site ou app). Em caso de descumprimento, a multa será de RS 100 mil por cada operação indevida.

Reclamações contra C6 Consig

Juliana Domingues, titular da Senacon, afirma que tomou essa medida drástica porque o número de reclamações na plataforma Consumidor.gov.br não parou de aumentar, mesmo após o C6 ter sido notificado. Eram 90 casos em agosto e 1.811 em novembro; por isso, ela vê um “potencial para provocar danos irreparáveis para o mercado de consumo”.

O C6 Bank responde por 10% do mercado de consignado no Brasil: a fintech comprou o Banco Ficsa em 2017, que vendia empréstimos desse tipo até agosto deste ano; ele foi renomeado para C6 Consig.

Em outubro, a Senacon pediu que o INSS tomasse providências sobre o credenciamento do C6 Consig. O Procon-SP, por sua vez, notificou a empresa por ter recebido diversas reclamações de empréstimos consignados que não foram contratados, além de dificuldades para entrar em contato com o banco.

Nos últimos meses, quando foi questionado, o C6 Bank ressaltava que “todos os casos são resolvidos sempre sem prejuízo ao consumidor”. O Tecnoblog pediu um posicionamento oficial, mas recebeu a seguinte resposta: “o banco não vai comentar a medida da Senacon”.

Este ano, o C6 Bank foi avaliado em R$ 11,3 bilhões após receber um novo aporte financeiro. A empresa, que possui mais de 4 milhões de contas abertas, planeja estrear na bolsa de valores em 2021. Ela firmou parceria com a TIM para oferecer bônus aos clientes do pré-pago, controle e pós-pago.

Comentários da Comunidade

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Marno Paz (@Marno_Paz)

Tenho conta nesse bando e ler “o banco não vai comentar a medida da Senacon” me deixa inseguro ao ver que o banco não fala abertamente sobre esse tipo de problema e nem dá a enteder que vai tentar solucionar.

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

Se não resolverem isso logo tem boas chances da entrada na bolsa virar um fiasco.

Xico Pires (@xicopires)

Tb tenho conta mas só uso o Taggy. Ler uma resposta assim e a falta de posicionamento é tenso e pra mim cria total incredibilidade. Em grupos do facebook e avaliações da página do C6 tem dezenas de pessoas lesadas reclamando desse consignado.

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

Como eu sempre digo, fazem falcatrua porque o judiciário não aceita cobrar indenizações altas, se as indenizações fossem na casa de 100 vezes o valor do empréstimo, nenhum banco nunca mais tentaria esse tipo de manobra.

² (@centauro)

O problema não é só o valor das indenizações, mas também a cobrança efetiva.
Só ver as teles.
Anatel aplicando multas e mais multas na casa dos milhões que nunca são pagas em sua totalidade. Anos mais tarde a Anatel ou aceita renegociar e receber só uma fração infíma do valor original ou aceita converter para investimentos que as empresas já teriam de fazer de qualquer jeito.

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

É que multas administrativas são uma coisa muito diferente de indenizações judiciarias, as multas se não forem pagas ainda tem de ir pro judiciário serem cobradas, enquanto que as indenizações normalmente já vão mais rápido para confisco de valores e bens.