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Microsoft tentou comprar Nintendo e Square há 20 anos

Microsoft tentou comprar a Nintendo há 20 anos, mas recebeu risadas em resposta; ex-executivo lembra outra aquisição

Felipe Vinha Por

Aparentemente a Microsoft tentou comprar Nintendo e Square Enix há 20 anos – mas não conseguiu. A novidade vem de uma série documental com entrevistas do Bloomberg, que comemora a história da linha Xbox, nascida em novembro de 2001.

Microsoft tentou comprar Nintendo há 20 anos (Imagem: Reprodução/Felipe Vinha)

Microsoft tentou comprar Nintendo há 20 anos (Imagem: Reprodução/Felipe Vinha)

Kevin Bachus, ex-diretor de relações externas e um dos fundadores da linha Xbox, conta a história, citando Steve Ballmer, que na época era diretor do Xbox na Microsoft:

“Steve nos fez marcar uma reunião com a Nintendo para saber se eles considerariam uma venda para nós. Eles só riram da nossa cara. Tipo, imagina uma hora com alguém só rindo de você. Esse foi o tipo de reunião que tivemos”.

A Nintendo também foi procurada pelo Bloomberg para comentar, mas se recusou a dar qualquer detalhe sobre a reunião, por se tratar de um evento privado e confidencial.

Compra da Square

Sobre a Square Enix, Bob McBreen, diretor de desenvolvimento, conta o seguinte:

“Tínhamos uma carta de intenção para comprar a Square. Era início de novembro de 1999 e fomos ao Japão. Tivemos um jantar com o CEO deles e Steve Ballmer. No dia seguinte, estávamos em uma reunião e eles disseram ‘nosso financeiro gostaria de dar uma declaração’. E, basicamente, o financeiro disse: ‘a Square não pode prosseguir com o acordo pois o preço é muito baixo’. Juntamos nossas coisas e fomos pra casa, este foi o fim da negociação”.

Vale lembrar que, na época, a Square Enix era apenas “Squaresoft” e não havia firmado parceria com sua principal concorrente, a Enix.

Curiosamente, hoje, a Microsoft tem comprado diversos estúdios nos últimos anos, com investimentos consideráveis. Em setembro de 2020 a empresa adquiriu a Bethesda, e todos os seus estúdios internos, por US$ 7,5 bilhões.

Com informações: Siliconera.

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20 anos atrás a Nintendo já tinha cerca de 111 anos. Enquanto a Microsoft tinha “apenas” 25.

Considerando o passado de sobrevivência da Nintendo, acho que consigo entender a reação. Apesar de que com certeza ela foi desrespeitosa, mas pense bem:

Você tem uma empresa que sobreviveu a duas guerras, várias crises econômicas, uma revolução industrial e aí vem uma empresa americana oferecendo-se pra comprar não apenas a Nintendo, mas também ser responsável por manter todo o legado dela.

Eu também iria dar risada. A Nintendo é tão tradicionalista que hoje possui medidas para conter um takeover hostil, o mesmo que a Ubisoft sofreu pela Vivendi e a Codemasters pela Take Two/EA. Tudo para garantir que ninguém mude o que ela conquistou.

Isso também se reflete para nós consumidores, muitas vezes quem tem um produto da Nintendo já deve ter se perguntado: porque a Nintendo não fez desse jeito ou daquele?

Por exemplo, eu me pergunto até hoje porque a Nintendo é tão mão-fechada quanto a retrocompatibilidade, também me pergunto porque ela nos força a usar um aplicativo mobile para nos comunicar com nosso amigos.

Falta de recurso para desenvolver? Com certeza não.

É triste, mas empresas pioneiras no mercado sempre possuem o necessário para direcionar seus consumidores e ditar as regras do mercado. Vejam a Apple.

No caso da Nintendo, já repararam que os jogos dela nunca baixam de preço? (a não ser em promoções). É porque o legado dela garante que vai ter consumidor pagando alto por produtos antigos.

Não há apenas pontos ruins nisso, a Nintendo é uma das poucas publishers que da liberdade para as desenvolvedoras de produzir um jogo sem pressa. Anunciando eles somente quando estão próximos do ciclo de produção, como a Rockstar também faz.

O resultado disso é um jogo que pode não sair perfeito, mas é muito bem polido comparado com o que a maior parte dos estúdios ocidentais fazem hoje, graças ao sistema de pré-venda.