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Alta do bitcoin faz disparar consumo de energia em mineração

Mineração de bitcoin apresentou grande aumento no consumo de energia no último ano e ultrapassou a Holanda

Bruno IgnacioPor

A recente onda de valorização do bitcoin estimulou a mineração da criptomoeda ao redor do mundo e levou o consumo de energia elétrica envolvendo a atividade a níveis inéditos. Segundo dados da Universidade de Cambridge, ao longo do ano de 2020 houve um aumento de quase 40% no gasto energético, sendo que em 2021 a alta é de 11% em apenas dez dias.

Mineração de bitcoin (Imagem: Karolina Grabowska/Pexels)

Mineração de bitcoin (Imagem: Karolina Grabowska/Pexels)

O Centro de Finanças Alternativas da Universidade de Cambridge (CCAF) criou um índice de consumo estimado em terawatts por hora (TWh) da atividade de mineração de bitcoin. Os dados mais recentes, referentes ao dia 10 de janeiro deste ano, indicam um gasto médio de 111,66 TWh para minerar a criptomoeda, 11% maior que o registrado em 31 de dezembro do ano passado.

Preço do bitcoin estimulou a atividade de mineração

Ao longo de todo o ano de 2020 o bitcoin acumulou uma alta de 300%. A mineração da criptomoeda acompanhou essa valorização, conforme aponta o índice de consumo de energia. Comparando o gasto médio de 72,2 TWh referente a 1º de janeiro com os 100,67 TWh de 31 de dezembro, o aumento foi de 38,8% ao longo do ano.

Essa alta foi particularmente maior no mês passado, quando o bitcoin começou a bater recordes históricos novamente. No dia 16 de dezembro, a criptomoeda chegava aos US$ 20 mil pela primeira vez desde 2017. No dia seguinte, o consumo de energia da mineração do ativo voltou a subir sem apresentar qualquer recuo até o momento. Já em 2021, o bitcoin atingiu o maior preço registrado na história, de quase US$ 42 mil no dia 8 de janeiro.

Consumo de energia da mineração de bitcoin desde outubro de 2015 até hoje (Imagem: reprodução/CCAF)

Consumo de energia da mineração de bitcoin desde outubro de 2015 até hoje (Imagem: reprodução/CCAF)

Mineração do bitcoin consome mais que a Holanda

Para fatores comparativos, os atuais 111,66 TWh de consumo energético da mineração do bitcoin ultrapassam a média anual de 108,8 TWh da Holanda. O gasto que a atividade gera também é quase 4 vezes superior ao da cidade de São Paulo, que registrou 27,51 TWh de acordo com o Anuário de Energéticos por Município do Estado de São Paulo de 2020. Os números mais recentes também se aproximam da média de países como os Emirados Árabes, com 113,2 TWh, e a Argentina, com 121 TWh.

China é responsável por 65% de toda mineração de bitcoin

O índice do CCAF mostra a distribuição geográfica da mineração do bitcoin ao redor do globo. A China é de longe a maior mineradora da criptomoeda, sendo responsável por 65% de todo hashrate do ativo digital. Em seguida ficam os Estados Unidos, que participam de 7,2%, e a Rússia, com 6,9%.

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² (@centauro)

Imagina se todo esse poder de processamento fosse direcionado pra alguma tarefa que beneficiasse uma parcela maior da população, tipo as iniciativas científicas de grid computing como o [email protected] ou os disponíveis no BOINC.

Oh well.

@ksio89

Só mesmo na China ou outros países onde a energia elétrica é muito barata pra compensar mineração. No Brasil, onde o governo sem noção cobra impostos abusivos e a tarifa é mais cara se o nível dos reservatórios estiver baixo, duvido dar lucro.

Rafael Salgado (@rafasalgado)

Sempre que vejo qualquer lance com bitcoin eu só consigo pensar: uma hora isso vai dar merda

@ksio89

Pior que enquanto durar essa pandemia, a bolha não vai estourar tão cedo. Do mês passado pra cá tá impossível comprar uma placa de vídeo por causa dessa praga de mineração.

@Diego1

Rapaz, faz anos que não dá para minerar BTC com GPUs.

@Diego1

Pelo que pagamos pelo megawatt não dá para lucrar com mineração no BR

@ksio89

Não no Brasil, onde energia custa muito caro. Até lá fora GPUs dispararam de preço e estão escassas.