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CEO do Twitter diz que banir Trump abriu precedente “perigoso”

Jack Dorsey avaliou que a decisão do Twitter foi correta, mas admitiu que ela pode dar ainda mais poder às redes sociais

Victor Hugo Silva Por

O CEO do Twitter, Jack Dorsey, comentou a decisão da empresa de banir o perfil de Donald Trump depois da invasão ao Capitólio dos Estados Unidos. O executivo afirmou que não celebra, nem sente orgulho da medida adotada na conta do presidente americano. Segundo ele, a decisão criou um precedente perigoso na internet.

Jack Dorsey (Imagem: Reprodução)

Jack Dorsey (Imagem: Reprodução)

Em uma thread, Dorsey voltou a explicar que Trump foi banido devido às ameaças que seus tweets criavam à segurança dentro e fora da plataforma. “Acredito que foi a decisão certa. Enfrentamos uma circunstância extraordinária e insustentável, que nos obrigou a focar todas as nossas ações na segurança pública”, afirmou.

Apesar disso, o executivo admitiu que a decisão de banir uma conta tem consequências significativas. Ele afirmou que, apesar de algumas exceções claras e óbvias, considera a suspensão definitiva de um perfil uma falha do Twitter em seu objetivo de promover discussões saudáveis entre os usuários.

“Ter que realizar essas ações [banir contas] fragmenta a conversa pública. Elas nos dividem. Elas limitam o potencial de esclarecimento, redenção e aprendizado. E abre um precedente que considero perigoso: o poder que um indivíduo ou empresa tem sobre uma parte das conversas públicas globais”, continuou Dorsey.

CEO do Twitter avalia poder das redes sociais

O executivo afirmou que o poder das redes sociais costuma se resumir a ações individuais. O Twitter pode remover um usuário, que pode migrar para o Facebook, por exemplo. Para Dorsey, as medidas contra perfis de Trump em várias plataformas colocam em xeque a ideia de que usuários que não concordam com as regras podem migrar para outro serviço.

“Esse conceito foi desafiado na semana passada, quando vários provedores fundamentais também decidiram não hospedar o que consideraram perigoso. Não acredito que isso tenha sido coordenado. Mais provavelmente: as empresas chegaram às suas próprias conclusões ou foram encorajadas pelas ações dos outros”.

O CEO do Twitter aponta que o momento exigia essa decisão das plataformas, mas afirmou que, a longo prazo, a prática será destrutiva ao propósito de internet aberta. “Uma empresa que toma a decisão de se moderar é diferente de um governo que remove o acesso, mas pode parecer o mesmo”, afirmou.

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@JackBauerAL (@JackBauerAL)

Censura é sempre péssimo, independentemente de quem seja ou de qualquer finalidade. Espero que o Twitter também esteja preparado para a queda de receita/credibilidade que esse ato ditatorial trará.

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Falta só agora fazer a limpa de todas as atrocidades que já foram promovidas anteriormente na plataforma, por diversos líderes de nações, jogadores de futebol, e celebridades.

Agora que fez, faz direito. Se vale pra um, tem que valer pra plataforma inteira.

Maycon Cruz (@MikeCross)

Bem, errado no argumento ele não está.
Claro que banir o Trump foi necessário e que mitigar qualquer tipo de conteúdo que leve a incitações agressivas e caóticas é fundamental. Só que isso entra aquela faca de dois gumes sobre punir severamente ideias, que uma hora outra acaba tocando em éticas e valores, que muitas vezes são subjetivos e variam de pessoa pra pessoa. E a pataquada que é o “cancelamento” que vira e mexe acontece no Twitter não deixa mentir.

A máxima “quem vigia os vigilantes” serve pra tudo quanto é lado.

Júlio César (@Potrinho)

O cara passou meses falando mentiras sobre as eleições e nem teve os tweets excluídos. Depois incentivou a invasão do capitólio, no que resultou em mortes. Queria que ele ficasse livre pra falar bobagens até quando? E não faz sentido compará-lo com outras pessoas que tb falam besteiras no site porque ele é presidente dos EUA, tudo o que fala acaba tendo influência no mundo todo.

Júlio César (@Potrinho)

Eu acho que o Hitler em 2021 não seria censurado, pois é necessário ouvir os dois lados. Aiai…

Katia Pagani (@Katia_Pagani)

Não tenho Instagram
Não tenho Twitter
Não tenho facebook
Não tenho LInkedim

Sou um pessoa Feliz to saindo do WhatsApp para Signal para ajudar a derrubar Face…lixo sistema

André Cardoso (@andre)

Sim, ele tem um ponto, mas nesse caso não tinha solução além dessa mesmo. Não tem como continuar dando voz a alguém que joga dúvidas infundadas sobre a própria democracia, isso é um ataque à liberdade do próprio país de escolher seu representante. Fora que ele mantendo essa atitude ele prejudica o mandato do próximo, que foi escolhido pela maioria mas vai ter dificuldades porque o Trump simplesmente não aceita a derrota. Todo podem falar o que querem, mas tem que arcar com as consequências. As consequência pro Trump estão chegando.

Scott (@Lord_Scott)

O maior erro do Twitter foi o de não bani-lo muito antes. Passou da hora de deixar claro que, a liberdade de expressão não pode por em risco a segurança pública.
Parece que a legislação não está preparada para lidar com populistas canalhas, que se aproveitam de sua popularidade para atacar as instituições e a própria democracia.

Júlio César (@Potrinho)

Isso também vai contra a política do twitter também. Agora você quer comparar a voz desse jornalista com a voz do Trump?

Júlio César (@Potrinho)

Preocupado com o Brasil em 2022 com essas instituições fracas. Bolsonaro vai fazer a msm coisa caso n vença.

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Se a máxima é frear o discurso de ódio, precisa valer para todos. Discurso de ódio não tem partido ou ideologia, é simplesmente ódio. E é isso que deve ser combatido.

Se a politica do Twitter é frear o discurso de ódio, é frear o discurso de ódio, não alvos, a regra deve atingir a todos, independente de quem seja.

@JackBauerAL (@JackBauerAL)

Você não deve saber ler e interpretar textos. Lá em cima mesmo, em nenhum momento citei Trump e você já veio atacando… é esse tipo de Democracia que você defende? De mentir descaradamente e imputar frases não ditas aos outros?? Ou você realmente não sabe interpretar textos?

Daniel R. Pinheiro (@DiFF7Skyns)

Interessante é o argumento de alguns de que não se pode comparar pessoas altamente visionadas, tal como Trump, com outras que praticam discurso de ódio abertamente e até pior, na mesma rede social. Como se, de alguma forma, implicitamente, eles estivessem passando pano pra esse tipo de atitude vindo de outrem (especialmente se o tal é da mesma linha ideológica).

Meus caros, não existe essa de “comparação”. Discurso de ódio é discurso de ódio, seja do Trump ou do Zé da esquina.

Mas se quer um argumento demonstrando que isso tem que valer pra qualquer pessoa, independentemente do seu alcance, aqui vai um: nenhuma pessoa ganha visibilidade mundial da noite pro dia. E se o Twitter (ou qualquer outra rede) permite esse tipo de coisa, partindo de pessoas menos conhecidas, elas ganham terreno e, quando vai ver, já é tarde. A exemplo do próprio Trump.

Ou seja, ou o Twitter passa o pente fino em todos ou em nenhum. O parâmetro é o discurso de ódio, não a visibilidade da pessoa.

Espero que essa explicação simples e objetiva tenha aberto a mente de vocês e parem de ficar repetindo essa de “comparação”, pois não faz o menor sentido. Apenas demonstra qual a bandeira vocês defendem, ainda que não deixem explícito.