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Exclusivo: Claro Box TV exige caixinha para experiência integrada, diz executivo

Claro Box TV requer uso de caixinha própria, ao contrário do DirecTV Go e Oi Play; diretor de marketing explica estratégia de IPTV

Felipe VenturaPor

O Claro Box TV tem uma ambição grande: a operadora divulgou a intenção de conquistar 60 milhões de assinantes no serviço de IPTV. No entanto, o produto pode não agradar alguns consumidores: a operadora exige o uso de uma TV Box própria, ao contrário de concorrentes como DirecTV Go e Oi Play. Por quê? O Tecnoblog descobriu alguns detalhes exclusivos sobre essa estratégia em entrevista com o diretor de marketing Márcio Carvalho.

Claro Box TV (Imagem: Divulgação)

Claro Box TV (Imagem: Divulgação)

Claro aposta em plataforma com busca integrada

Quem não é cliente de celular pós-pago ou banda larga da Claro deve pagar uma taxa de adesão de R$ 399, e deve devolver o equipamento em caso de cancelamento. Para Márcio, a caixinha tem esse preço em parte devido ao dólar alto, que exige um “investimento significativo”.

Além disso, a operadora precisa recuperar o equipamento se o serviço for cancelado – já que ele não vai funcionar sem a assinatura – e corre o risco de o cliente não devolver. Isso tenderia a acontecer menos quando a pessoa já possui um relacionamento anterior, seja no pós-pago ou banda larga. O problema é que a taxa de adesão não é reembolsável.

Márcio Carvalho, diretor de marketing da Claro (Imagem: Divulgação)

Márcio Carvalho, diretor de marketing da Claro (Imagem: Divulgação)

E por que exigir o uso da caixinha? Márcio afirma ao Tecnoblog que a operadora aposta em uma integração dos mundos de streaming e canais lineares: por exemplo, de usar o controle remoto para ir rapidamente de um programa da Globo para uma série da Netflix. Com um serviço apenas de streaming – caso do DirecTV Go – isso não é possível, não dá para ter uma busca integrada. No entanto, o executivo não descarta a proposta de um app conectado, tal qual o concorrente.

Ele também explica a recente alta nos preços, de R$ 49,99 para R$ 79,99 mensais, após a inclusão dos canais da Globo: ele ressalta que a Claro faz negociações com provedores de conteúdo em cima do modus operandi da TV por assinatura, e essas empresas precisam sustentar a própria estrutura para crescer. Com o tempo, os termos de negociação tenderiam a melhorar.

Claro Box TV paga menos imposto que TV paga tradicional

Um dos motivos para que a Claro e outras empresas lancem suas próprias plataformas de streaming é que esse formato é muito menos onerado que a TV por assinatura tradicional. Após a definição da Anatel de que serviços online não precisam seguir as regras da TV paga (SeAC), houve segurança jurídica para lançamento do Claro Box TV.

Enquanto o serviço pelo de TV paga tradicional precisa pagar ICMS, Fust, Funttel e Condecine, plataformas de streaming pagam apenas ISS. Já existe um projeto na Câmara dos Deputados querendo barrar a definição da Anatel, alegando que a migração total do SeAC para a internet pode gerar perda de R$ 3,77 bilhões em impostos.

Colaborou: Lucas Braga.

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imhotep (@imhotep)

A cara não queima né?

Até entendo a questão da integração, troca instantânea de canal, mas não me justifica 400 pilas de adesão, nem essa caixinha própria. Me sinto de volta aos anos 90.

Kadu (@kadu)

Não vejo problema em ter a caixinha, pelo contrário, acho uma vantagem pois a experiência fica muito mais fluída do que usando aplicativos (principalmente na questão de troca de canais). E se a Claro disponibilizar o NOW para assistir a TV via streaming como faz com a TV por assinatura tradicional, melhor ainda, porque aí você tem ambas as opções (apenas com a limitação de alguns canais no streaming).

O problema não é a caixa em si, é o preço ridículo que eles cobram de adesão de quem não é cliente. Isso é que mata o produto. Se o problema é o risco de não ter o aparelho devolvido ao final do contrato, bastaria reter o dinheiro como caução e devolvê-lo ao final do contrato mediante a entrega da caixa. Da forma como foi feito, soa como oportunismo e como forma de forçar a compra casada.