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Mianmar sofre interferência em internet, Telegram e Signal

Internet e telefonia foi parcialmente bloqueada em Mianmar após golpe militar que alega fraude em eleição parlamentar

Victor Hugo SilvaPor

O golpe militar realizado nesta segunda-feira (1º) em Mianmar levou ao bloqueio parcial da internet no país. A conectividade foi reduzida pela metade com a interrupção de serviços de algumas das principais operadoras. Houve ainda interferência na telefonia, o que afetou indiretamente aplicativos como Telegram e Signal.

Aung San Suu Kyi foi detida após golpe em Myanmar (Imagem: Bria Webb/RTP/Agência Brasil)

Aung San Suu Kyi foi detida após golpe em Mianmar (Imagem: Bria Webb/RTP/Agência Brasil)

A informação do bloqueio parcial de internet foi confirmada pela NetBlocks, organização não governamental que monitora interrupções ao redor do mundo. Segundo a entidade, o nível de conectividade em Mianmar caiu de 100% para 75% a partir das 3h no horário local (17h30 de domingo no horário de Brasília).

Depois, às 8h de segunda-feira no horário local (ou 22h30 de domingo no Brasil), os índices caíram para 50%. Segundo a NetBlocks, o “padrão de interrupção indica ordem centralizada de apagão de telecomunicações”. O nível de internet no país voltou a 75% ao meio-dia do horário local (2h30 no Brasil).

No Twitter, a jornalista Aye Min Thant relatou que também houve interrupção no serviço de telefonia móvel, que afetou o uso de alguns aplicativos. Ela tentou se conectar novamente às suas contas de Telegram e Signal, mas não conseguiu porque os serviços enviam códigos de verificação por meio de SMS.

Golpe em Mianmar

O golpe em Mianmar foi um ato dos militares contra a Liga Nacional pela Democracia (NLD, na sigla em inglês) e levou à detenção de seus principais quadros, incluindo Aung San Suu Kyi, vencedora do Nobel da Paz de 1991 e principal líder do partido. O NLD venceu a eleição parlamentar em novembro de 2020, mas os militares alegam que o processo foi fraudulento.

A tomada do poder acontece antes da sessão do Parlamento que confirmaria a vitória da NLD na eleição de 2020, a segunda desde o fim do regime militar no país em 2011. Agora, os militares afirmam que o país ficará em estado de emergência por um ano e será governado pelo chefe militar Ming Aung Hlaing.

Com informações: TechCrunch, BBC.

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Rafael Salgado (@rafasalgado)

“Fraude” vai ser a nova alegação de qualquer milico ao redor do mundo que quiser dar o golpe. Eu não vejo um futuro muito diferente pra gente se o presidente conseguir emplacar o projeto que tira dos estados o controle da polícia militar.