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Parler está de volta sem depender de Amazon, Apple e Google

Apple e Google removeram app do Parler e Amazon deixou de oferecer hospedagem; rede social agora "não depende da Big Tech"

Felipe Ventura Por

O Parler anunciou seu retorno nesta segunda-feira (15): o processo será em fases, recebendo usuários antigos nos próximos dias e novos cadastros a partir da semana que vem. A rede social, que promete ser a “líder mundial em liberdade de expressão”, foi banida por Amazon, Apple e Google devido a seu papel na invasão ao Capitólio dos EUA.

Site do Parler volta ao ar (Imagem: Reprodução)

Site do Parler volta ao ar (Imagem: Reprodução)

O site do Parler na verdade estava online desde meados de janeiro, mas só informava sobre o status do serviço – não era possível usar, de fato, a rede social. Os perfis foram mantidos e é possível fazer login, mas o TechCrunch aponta que todos os posts foram apagados, e os usuários precisam recomeçar do zero.

Além disso, usuários podem se deparar com a mensagem de erro “você está desconectado, verifique sua conectividade de rede”; a empresa promete que isso será resolvido ao longo desta semana e da próxima.

Em comunicado à imprensa, o Parler afirma que o site agora “é baseado em tecnologia independente e sustentável e não depende da chamada Big Tech para suas operações”. A plataforma já teria mais de 20 milhões de usuários.

A SkySilk foi escolhida para oferecer hospedagem ao serviço. O domínio é registrado pela americana Epik, que já teve como clientes o 8chan e o site neonazista The Daily Stormer; e a proteção contra ataques DDoS é feita pela russa DDoS-Guard.

Apple, Google e Amazon baniram Parler

Parler (Imagem: Bruno Gall De Blasi/Tecnoblog)

Parler (Imagem: Bruno Gall De Blasi/Tecnoblog)

Em janeiro deste ano, a Apple e o Google removeram o app do Parler de suas respectivas lojas para iOS e Android. A rede social foi utilizada por apoiadores do ex-presidente Donald Trump para planejar o ataque ao Capitólio.

O Amazon Web Services (AWS), por sua vez, deixou de oferecer hospedagem para o site, alegando ter avisado a rede social durante meses sobre posts que “incitam e planejam o estupro, tortura e assassinato de pessoas públicas e cidadãos em geral”.

O cofundador do Parler, John Matze, disse ao New York Times que estava disposto a banir usuários que propagassem a teoria da conspiração QAnon, supremacistas brancos e terroristas domésticos caso isso permitisse que o app voltasse à App Store e Google Play.

“Recebi um silêncio sepulcral como resposta e entendi isso como uma discordância”, explica Matze. Ele foi demitido do cargo de CEO no início de fevereiro. O conselho administrativo tomou a decisão a pedido de Rebekah Mercer, filha do bilionário Robert Mercer; ela também cofundou a empresa e é a principal responsável por seu financiamento.

No ano passado, a equipe de Trump estava conversando com o Parler para que o então presidente abrisse uma conta oficial no serviço. A empresa ofereceu uma participação de 40%, mas as negociações aparentemente não deram em nada. Ele foi banido do Twitter e está suspenso por tempo indeterminado do Facebook e Instagram.

Com informações: The Wrap. Atualizado às 17h25.

Comentários da Comunidade

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brad (@brad)

O ano é 2021 e alguns grupos ainda acham que liberdade de expressão é falar o que quiser a hora que quiser, sem consequências.

Gustavo Vieira Theml (@gustavo_vieira)

Aí sim. Só espero que não deixem os neonazistinhas sujarem a rede denovo.

Eu (@Keaton)

A questão não é proibir que estejam lá ou não, é fazer esses zé ruelas pararem de fazer bobagens. Muita gente não gosta de ser ofendido gratuitamente por eles.

Mike Hunt (@MikeHunt)

liberdade de expressão é falar o que quiser

E é.

sem consequências

Errado. A “consequência” (nesse caso eu imagino que você esteja se referindo a palavra censura) só é considerada imoral/ilegal quando é demandada por terceiros não envolvidos no contrato inicial. Por exemplo, o estado não tem jurisdição NENHUMA sobre servidores hospedados pelo Google ou Amazon, ou seja, seria censura caso o estado exigisse que o Google ou a Amazon retirasse os servidores do Parler do ar.

Ao mesmo tempo, o Google e a Amazon não são obrigados a fornecer serviços ao Parler (ou qualquer outra empresa ou indivíduo que eles quiserem e por quaisquer motivos - desde que estabelecidos previamente em contrato).

Então quem diz que as “big techs” estão cometendo um ato de censura aqui é, no mínimo, tolo.

Mas confesso que isso abre um precedente interessante. Imagine um dia que o Google, que é um dos maiores provedores de DNS do mundo, também parar de resolver domínios que vão contra as “ideias deles”.

Imagino que eles dirão que é “for the greater good” e vai ter bobo aplaudindo.