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Lavagem de dinheiro em criptomoeda é concentrada em 270 endereços

Chainalysis aponta que apenas 270 endereços de blockchain são responsáveis por 55% da lavagem de dinheiro com criptomoedas

Bruno Ignacio Por

A maioria das operações de lavagem de dinheiro no mundo acontece através de apenas algumas centenas de endereços. Um novo relatório da Chainalysis, empresa de pesquisa e análise de segurança em blockchain, indica que 270 contas de criptomoedas são responsáveis pela conversão de 55% dos fundos ilícitos.

Lavagem de dinheiro em criptomoedas é concentrada em 270 endereços (Imagem: David McBee/Pexels)

Lavagem de dinheiro em criptomoedas é concentrada em 270 endereços (Imagem: David McBee/Pexels)

Golpes de criptomoedas, ransomware, hacks e outras atividades ilegais no mundo todo recorrem principalmente a 5 serviços de exchanges não especificadas. Elas operam através de apenas 270 endereços de carteiras digitais para lavar seus fundos ilícitos. As atividades acontecem convertendo as moedas digitais adquiridas de maneira ilegal para dinheiro convencional, sem registrar dados pessoais dos usuários.

Quantia lavada através de criptomoedas pelo número de endereços usados (Imagem: Reprodução/Chainalysis)

Quantia lavada através de criptomoedas pelo número de endereços usados (Imagem: Reprodução/Chainalysis)

Endereços operam exclusivamente para criminosos

O Chainalysis 2021 Crypto Crime Report agrupou dados coletados no ano passado e concluiu que esses endereços trabalham quase que exclusivamente com criminosos e não seriam capazes de operar no mercado atual de criptomoedas sem o processamento de fundos ilícitos. Essas contas provavelmente também estariam vinculadas ao financiamento do terrorismo e aos mais diversos pagamentos realizados pela dark web.

“Investigadores podem prejudicar significativamente a capacidade dos cibercriminosos de converter criptomoedas em dinheiro indo atrás desses provedores de serviços de lavagem de dinheiro, reduzindo assim os incentivos para que os criminosos usem moedas digitais”, concluiu o relatório.

“Eles (criminosos) contam com um grupo surpreendentemente pequeno de provedores de serviços para liquidar seus ativos digitais. Alguns deles se especializam em lavagem de dinheiro, enquanto outros são simplesmente grandes operadores de criptomoedas e empresas financeiras com programas flexíveis”, afirma o estudo. Quanto mais leniente é uma exchange de criptoativos, por exemplo, maior a chance de dinheiro ilício ser processado por ela.

Estados Unidos é o maior destino de fundos ilícitos

Principais destinos de fundos ilícitos em criptomoedas (Imagem: Reprodução/Chainalysis)

Principais destinos de fundos ilícitos em criptomoedas (Imagem: Reprodução/Chainalysis)

A Chainalysis também identificou geograficamente onde esses endereços operam. “Os seguintes países recebem o maior volume de criptomoedas ilícitas, com base nas informações das localizações dos usuários e dos serviços que recebem esses fundos”, afirma o relatório. Por ordem decrescente, os maiores destinos são: Estados Unidos, Rússia, China, África do Sul, Reino Unido, Ucrânia, Coreia do Sul, Vietnã, Peru e França.

Criminosos usaram menos criptomoedas em 2020

Outro relatório da Chainalysis publicado no final de janeiro apontou que, em 2020, US$ 10 bilhões provenientes de atividades ilícitas foram movimentados por criminosos, uma queda considerável em comparação a 2019, quando esse montante foi de US$ 21,4 bilhões. O documento também apontou que apenas 0,34% de todo o volume de transações em criptomoedas vieram de atividades criminosas no ano passado. Esse percentual em 2019 foi de 2,1%.

“Crimes relacionados a criptoativos estão caindo e ainda são uma pequena parte da economia geral do mercado de moedas digitais”, afirma o relatório. O estudo revelou que o tipo de crime que mais cresceu no ano passado foi o ramsonware, um hack que “sequestra” o sistema da vítima e só o devolve após um pagamento, geralmente em criptomoedas.

Com informações: Decrypt

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