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Pagamento via QR Code, por favor!

Modalidade de pagamento via QR Code apresenta tendência de crescimento em 2020, ano marcado pela pandemia de COVID-19

Bruno Gall De BlasiPor
Pagamento via QR Code, por favor! (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Pagamento via QR Code, por favor! (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Sempre que possível, pago minhas compras com o celular. Especialmente depois que a Organização Mundial de Saúde (OMS) sugeriu esse tipo de transação devido à pandemia de COVID-19. 2020, porém, me trouxe mais uma surpresa: ao informar que pagaria por aproximação (NFC) em um supermercado no interior do Rio de Janeiro, fui surpreendido diversas vezes com a maquininha preparada para o pagamento via QR Code. E, ao questionar, eu sempre ouvia a mesma pergunta: “não é PicPay?”.

Foto por Gerd Altmann/Pixabay

Pagamento via QR Code cresce no Brasil

Este comportamento, porém, não é tão inesperado assim. É o que mostra a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box sobre o comércio móvel: entre março e agosto de 2020, o percentual de pessoas que já fizeram pagamentos via QR Code cresceu de 35% para 48%.

A cifra chega até a superar as transações por aproximação, que seguiu o mesmo crescimento. Ainda de acordo com o estudo, 33% dos entrevistados afirmaram que já tinham feito pagamentos com a modalidade, que engloba tanto o NFC quanto o MST, tecnologia que foi removida da linha Samsung Galaxy S21. Em março, era 23%.

A tendência é observada, também, pelas empresas de maquininhas de cartões. Ao Tecnoblog, o diretor da Rede, Eduardo Amorin, conta que as transações com o código começaram a apresentar mais relevância em junho do ano passado. Segundo o executivo, cerca de 3,9 milhões de transações foram aprovadas apenas em dezembro.

“Basicamente, existem dois fatores que contribuíram para esse crescimento. O primeiro deles foi o crescimento da utilização de carteiras digitais, cada vez mais presentes no dia a dia dos consumidores”, explicou. “O segundo fator – e, com certeza, o mais impactante –, foi o auxílio emergencial oferecido pelo governo federal, via aplicativo Caixa Tem”.

A Cielo acompanha a percepção. A empresa conta que, em 2020, registrou 36 vezes mais transações com o código do que em 2019. Para a empresa, o auxílio emergencial e o Caixa Tem, que possui uma opção para realizar pagamentos com o código, contribuíram para tornar a modalidade mais popular entre os brasileiros. “O período tornou o QR Code ainda mais conhecido”, disseram.

Para o fundador e vice-presidente de produtos e tecnologia do PicPay, Anderson Chamon, além da questão do auxílio emergencial, as possibilidades oferecidas pela tecnologia “são diferenciais que ganharam força no contexto da pandemia”. Mas ele observa que o cenário do isolamento não pode ser creditado como o único fator de crescimento acelerado desse meio de pagamento.

“Vale reforçar, no entanto, que o uso das carteiras digitais já era uma realidade global antes da pandemia”, afirmou. “Trata-se de uma construção e fortalecimento do mercado, no qual, cada vez mais, a população em geral – principalmente os desbancarizados – compreende os benefícios oferecidos pelas carteiras digitais”.

QR Code em maquininha da Rede (imagem: Itaú)

QR Code em maquininha da Rede (imagem: Itaú)

Como funciona pagamento por código QR?

Não há muito mistério para utilizar a modalidade. Basicamente, o usuário só precisa de um celular com uma câmera. Outro requisito é o aplicativo de algum banco ou carteira digital com suporte ao recurso, como o PicPay, que oferece esta opção desde 2012.

“O pagamento é realizado por meio da leitura do QR Code com a câmera do celular, diretamente do aplicativo”, explica Chamon. “O código pode estar exposto no caixa, ou ser exibido na tela de maquininhas, podendo, ainda, estar disponível para leitura na seção ‘Pix’, dentro de nossa plataforma”.

Além disso, Chamon lembra que o usuário ainda pode receber cashback durante a transação. É o caso de uma grande rede de supermercados no Rio de Janeiro que, em fevereiro, ofereceu 10% do valor de volta em compras de até R$ 200. Para obter o benefício, o consumidor só precisava pagar as compras via QR Code pelo PicPay.

O Iti, a carteira digital do Itaú, é outra plataforma que oferece praticidade ao utilizar a tecnologia. Da mesma maneira, basta abrir o aplicativo e acessar a opção correspondente. Depois, é só ler o código com a câmera do celular para dar prosseguimento à transação.

“Essa transação pode ser feita de Iti para Iti, com códigos impressos, nas maquininhas da Rede, Cielo e GetNet, ou lendo qualquer QR Code Pix”, afirma o diretor do Iti, João Araújo. “Vale ressaltar que desde o lançamento do Iti também disponibilizamos a opção de receber dinheiro via QR Code”.

A modalidade para transações com o código também está disponível em aplicativos de outros bancos e carteiras digitais. Entre eles, estão a Ame Digital, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Tem, Itaú e Mercado Pago. Mas vale lembrar que a compatibilidade com as soluções de pagamentos e transferências e os procedimentos podem variar de serviço para serviço.

Máquina da Cielo com QR Code (Imagem: Reprodução/Cielo/YouTube)

Máquina da Cielo com QR Code (Imagem: Reprodução/Cielo/YouTube)

E onde eu posso usar a tecnologia?

Existem diversas maneiras para fazer transações com o recurso. O Nubank, por exemplo, permite que o usuário gere um QR Code para realizar cobranças. Depois, é só pedir para a outra pessoa ler o código emitido na tela do celular para concluir a transferência com o Pix.

Os códigos também estão disponíveis em estabelecimentos comerciais através de maquininhas de cartão. Segundo Amorin, diretor da Rede, a maioria dos dispositivos em operação já está habilitada para gerar o QR Code. Além disso, se estiver desativada, o executivo explica que o vendedor só precisa fazer uma atualização de software para habilitar a função.

“A transação é bem simples”, disse. “Para efetuar o pagamento via QR Code, basta que o lojista selecione a opção de pagamento e gere o código no equipamento para que o cliente possa apontar o celular, capturando o código, e finalize o pagamento”.

Ao Tecnoblog, a Cielo afirma que todas as suas máquinas têm suporte ao pagamento via QR Code. Além disso, a simplicidade também é encontrada por aqui: “após a inserção do valor e a escolha do produto na tela de inserir o cartão, o vendedor aperta a tecla verde e o QR Code é gerado”, afirmam.

A empresa ainda lembra que seus terminais já estão prontos para pagamentos com o recurso via Pix.

Pix (Imagem: Divulgação / Banco Central)

Pix (Imagem: Divulgação / Banco Central)

E o Pix?

Outra corrente que pode dar ainda mais força ao QR Code é o Pix, lançado em novembro de 2020. Entre os recursos da plataforma, por exemplo, está o Pix Cobrança, previsto para ser lançado em março de 2021. Trata-se de uma espécie de alternativa ao tradicional boleto bancário que utiliza o código para realizar as transações.

Algumas companhias já levaram a novidade aos seus clientes, como a Vivo, que passou a aceitar o Pix para pagamento de recarga. A Claro e a TIM, por sua vez, disponibilizaram uma forma de realizar o pagamento da fatura com o código QR através da nova plataforma de pagamentos do Banco Central.

Anderson Chamon acredita que a chegada do Pix pode impulsionar os pagamentos com a modalidade através do PicPay. “Por ter uma tecnologia muito similar da que apresentamos em nossa plataforma, o Pix vai acelerar o uso da modalidade de pagamento por QR Code”, disse o executivo ao Tecnoblog.

João Araújo, do Iti, também é otimista quanto à novidade. “Acreditamos que o Pix veio para impulsionar ainda mais a inclusão financeira e o uso de soluções digitais para operações bancárias no dia a dia”, afirmou. “Esse contexto, inclusive, agrega ainda mais valor a tudo aquilo que o Iti sempre acreditou sobre como deve ser a relação das pessoas com o dinheiro: democrática, simples e acessível para todos”.

Eduardo Amorin, da Rede, observa que o Pix não somente pode ocupar gradativamente o lugar do DOC e TED, como também do dinheiro em espécie. Mas lembra que, mesmo que exista um crescimento diário no uso da modalidade, este ainda não é o meio de pagamento mais procurado pelo consumidores.

“O fato é que a pandemia tem acelerado a busca de consumidores e lojistas por operações que não exijam o contato direto com maquininhas ou dinheiro”, conclui. “E, desde que os consumidores passem por boas experiências nesse tipo de transação, o mais provável é que a adesão ao Pix siga cada vez mais crescente”.

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Alisson Santos (@alisson)

Já paguei por aproximação, mas ainda não via QR Code. Seria meu principal meio de pagamento se os lojistas da minha cidade oferecessem. Mas em cidade do interior as coisas funcionam mais lentamente. Quando aqui começarem a oferecer é porque em outros lugares o QR Code já estará consolidado. Creio que seja falta de informação, pois até onde eu sei sai mais barato para o comerciante o pagamento via código do que via cartão.

Rockman (@Flavio_Toledo)

Pago muita coisas por apromiaçao com debito ainda nem cheguei usar QR apesar ve pequena placa no extra divulgando aceita PIX.

Luiz C. Eudes Corrêa (@Eudes)

Prefiro pagar por NFC, seja do cartão ou do celular, basicamente só uso do celular pois é mais seguro (só funciona após verificação biométrica no meu aparelho) e funciona sem Internet, e uso sem Internet mais do esperava, pois deste que a Claro desligou a rede da Nextel no RJ, apesar da rede da Claro sem 10 vezes mais rápida no LTE, a cobertura da Nextel era melhor.

QR code ou usa PicPay que paga nas maquininhas da Cielo/rede/getnet ou tem que usar mercado pago ou outro app.

NFC é universal, uso Apple Pay mas poderia ser Google Pay e Samsung Pay que daria no mesmo, aproxima da maquininha de cartão e funciona.

PIX só me seria interessante se dessem desconto, se for o mesmo valor do cartão, aproximo o celular com o dedo no leitor de impressão digital que é mais prático, rápido e conveniente do que abrir app da banco pra fazer pagamento.

Vítor Gomes Neves Oliveira (@vctgomes)

Eu não costumo fazer pagamentos via celular mais pela inconveniência dos atendentes sempre ficarem mais “atentos” para a transação. Odeio chamar atenção.

Porém, sempre quando faço pagamentos, utilizo o NFC. O QR Code vai se tornar o padrão no futuro, mas não é nada prático, principalmente o daqueles mercados menores.

Infelizmente o NFC já nem é mais prioridade para as fabricantes e várias estão capando o recurso dos celulares brasileiros. Isso mina quaisquer chance do pagamentos via NFC dos celulares se popularizem um dia.

André Gorgen (@Banana_Phone)

Eu prefiro pagar via NFC, é mais garantido que irá funcionar. Via QR code é necessário que o smartphone tenha internet e bateria, enquanto que com o NFC mesmo que a bateria do celular tenha acabado, você aperta no botão de power como se fosse ligar o celular, que ele ativa o NFC e realiza o pagamento (nunca testei isso, mas dizem que funciona).
A cobertura do NFC também é maior que o QR code.
Mas imagino que o QR Code irá popularizar muito e pequenos vendedores poderão usar esse meio de pagamento no início nos primeiros meses de negócio ou até mesmo por tempo indeterminado oferecendo descontos.

imhotep (@imhotep)

QR Code hoje qualquer celular de entrada pode usar, já que depende apenas da câmera.
NFC é muito prático, mas nem todo celular tem (o que acho absurdo).

² (@centauro)

Eu estou de boa pagando com NFC usando o cartão mesmo.

imhotep (@imhotep)

Aqui tb de boa com o NFC do cartão. Até cadastrei recentemente no Google Pay, mas sempre esqueço de testar. Acho o cartão mais prático.

Vítor Gomes Neves Oliveira (@vctgomes)

Não sabia disso.

Só tinha ouvido algo parecido com o Apple Pay, mas parece q é exclusivo para chaves e pagamentos de transporte. O cartão e a cidade tbm precisa dar suporte.

Mateus B. Cassiano (@mbc07)

Não são todos os aparelhos que tem esse recurso, precisa de um chip dedicado pra isso, que até onde sei só tá disponível nos modelos mais recentes do iPhone e do Google Pixel…

Vítor Gomes Neves Oliveira (@vctgomes)

Exato. No Android nunca ouvi falar sobre, agora no iPhone tem, mas tbm é bem limitado.

Ele só funciona para pagamentos de transporte público, ou seja: ônibus, metrô etc em cidades e com emissores compatíveis (acho que O Rio de Janeiro + Banco Inter funcionam) e para cartões de estudante de universidades compatíveis (nenhuma do Brasil).

Pagamentos tradicionais via cartão de crédito não funcionam.

Monin (@Monin)

O que me deixa com preguiça do QR Code é isso. Não é universal, uma rede ou outra não vai aceitar ser lido por X ou Y… Parece antigamente quando os cartões precisavam de uma máquina de alguma empresa específica. Por outro lado, as recompensas das carteiras de QR Code são bem chamativas, o que não acontece usando o NFC das fabricantes. O programa de recompensas da Samsung hoje é uma piada no SPay, por exemplo.

Luiz C. Eudes Corrêa (@Eudes)

Por isso uso NFC via Apple Pay, só uso QR code do PicPay quando tem cashback