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TCL 10 SE: um pouco além do básico

Smartphone TCL 10 SE tem tela interessante e boa autonomia de bateria, mas trio traseiro de câmeras não convence

Emerson AlecrimPor
Nota Final8.1
TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

No finalzinho de 2020, o TCL 10 SE surgiu como mais uma opção de smartphone intermediário para o mercado brasileiro. O modelo é o mais avançado de uma série de três celulares que a marca trouxe para o país na ocasião. Ele também é o mais caro do trio: seu preço de lançamento é de R$ 2.199, embora já seja possível encontrá-lo por cerca de R$ 1.600.

Estamos falando de um celular com tela HD+ de 6,52 polegadas, 4 GB de RAM, 128 GB de armazenamento e câmera tripla na traseira, a principal com sensor de 48 megapixels. O processador é o não muito conhecido MediaTek Helio P22.

Com base nisso, surgem as perguntas: com ou sem desconto, o TCL 10 SE vale a pena? O processador dele é bom? A bateria dura bastante? As câmeras são decentes? É o que você vai descobrir nos próximos instantes.

Análise do TCL 10 SE em vídeo

Aviso de ética

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O TCL 10 SE foi fornecido pela TCL por empréstimo e será devolvido à empresa após os testes. Para mais informações, acesse tecnoblog.net/etica.

Design, acabamento e áudio

O TCL 10 SE tem corpo de plástico, mas isso não significa que o acabamento deixa a desejar. Pelo contrário. A moldura, por exemplo, é feita de um plástico bem rígido que, como tal, garante alguma robustez para o modelo.

Já a traseira tem uma superfície fosca que é agradável ao toque e adere relativamente bem ao contato, detalhe que evita que o aparelho escape facilmente da mão.

Traseira do TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Traseira do TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Por ali também encontramos o leitor de impressões digitais que, aliás, é rápido no desbloqueio e faz leitura correta na primeira tentativa na grande maioria das vezes.

Seria interessante se o componente ficasse mais próximo do meio do smartphone para facilitar o alcance. De todo modo, ele foi posicionado longe do módulo de câmeras, então, o risco de sujá-las com marcas de dedo é reduzido aqui.

Os botões de volume e liga / desliga foram posicionados à direita. Novamente, seria interessante se eles estivessem um pouco mais abaixo, mas tudo bem.

TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Botão para o Google Assistente (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Botão para o Google Assistente (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Enquanto isso, o topo abriga a conexão para fones de ouvido e a lateral esquerda reúne a gaveta de chips, com suporte para dois SIM cards ou um SIM card mais um microSD, e um botão físico para o Google Assistente que, infelizmente, não pode ser reconfigurado para outras funções.

Como de hábito, a parte inferior concentra a porta USB-C e um alto-falante (e não dois, como as aberturas ali sugerem). O componente é ok: o volume máximo não é dos mais altos e o som é mono, mas distorce pouco quando está no limite.

TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Tela

A tela do 10 SE é um generoso painel LCD de 6,52 polegadas, formato 20:9 e 89% de aproveitamento do espaço frontal. As bordas do componente são bem pronunciadas, principalmente na parte inferior, mesmo assim, a tela consegue convencer.

Tela do TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Tela do TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Primeiro porque a visualização sob ângulos variados é satisfatória. Segundo porque as cores são vívidas, mas não exageram na saturação. Em parte, isso é mérito de uma tecnologia chamada NXTVision que ajusta contraste, saturação e nitidez automaticamente.

Curiosamente, o NXTVision também conta com um modo de leitura que deixa a tela em preto e branco e com um tom quente que faz o componente lembrar o display de um Kindle. É um recurso que pode realmente deixar a leitura de textos um pouco mais confortável.

Modo leitura (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Modo leitura (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Por outro lado, o nível de brilho não é dos mais impressionantes. A céu aberto em um dia claro, você conseguirá enxergar o conteúdo da tela, mas com algum esforço.

Além disso, o painel tem 1600×720 pixels. Não é uma resolução ruim. A questão é que, embora você não possa distinguir pixels com facilidade aqui, uma tela desse tamanho merecia ser full HD.

Software

Por alguma razão, eu imaginei que iria encontrar uma implementação simples do Android aqui. Me enganei. A interface do aparelho, chamada simplesmente de TCL UI, é dotada de vários recursos, principalmente para personalização.

Começa pelo já mencionado NXTVision, que ajusta automaticamente parâmetros como brilho da tela e dá acesso ao modo de leitura.

A organização de aplicativos também chama atenção. Por padrão, a interface adiciona cada um deles em uma categoria, como Comunicação, Mídia e Utilitários. Se você não gostar desse estilo, tudo bem, basta tocar no botão no canto direito superior e escolher outro método de arranjo.

Interface do 10 SE e Smart Manager (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Interface do 10 SE e Smart Manager (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Em Recursos Avançados, na área de configurações, você também pode escolher a disposição dos botões de navegação ou, ainda, ativar a navegação por gestos.

Esses são só exemplos. Se eu tivesse que resumir a interface do TCL 10 SE em uma só palavra diria “detalhes”. Você pode não só organizar numerosas características facilmente, como também ter acesso a vários parâmetros ali.

Isso pode ser feito por meio do app Smart Manager, por exemplo, que mostra os aplicativos com inicialização automática, permite ativar ou desativar notificações de determinados apps, mostra o status da memória RAM e habilita ou desabilita o modo de economia de energia.

A única ressalva fica para a versão do sistema operacional: o TCL 10 SE sai de fábrica com o Android 10. Ao Tecnoblog, a fabricante confirmou que o modelo deve receber atualização para o Android 11, mas não deu previsão de data para isso.

Câmeras

No quesito fotografia, o TCL 10 SE não me deixou muito convencido. O modelo traz três câmeras alinhadas horizontalmente na traseira: a principal com sensor de 48 megapixels, uma grande angular de 115 graus e sensor de 5 megapixels, além de um sensor de 2 megapixels para profundidade.

Câmeras do TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Câmeras do TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

A câmera principal até passa no teste, mas a grande angular, não. A primeira está longe de fazer registros impressionantes, mas tem bom nível de detalhamento e controle decente de ruído. Senti falta de um pouco mais de vivacidade nas cores, mesmo assim, essa câmera quebra um galho.

Sobre a grande angular, como ela tem um sensor muito limitado para os padrões atuais, as fotos saem com nível baixo de nitidez, principalmente nas áreas próximas às bordas da imagem. Para piorar, com ela, áreas de sombra tendem a sair mais escuras do que realmente são.

Câmera principal (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Câmera principal (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Grande angular (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Grande angular (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Câmera principal (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Câmera principal (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Grande angular (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Grande angular (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Câmera principal (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Câmera principal (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Grande angular (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Grande angular (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

 Câmera principal (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Câmera principal (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Grande angular (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Grande angular (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Talvez fosse o caso de fazer o 10 SE ter apenas a câmera principal e a de profundidade que, aliás, cumpre bem o seu papel de ajudar a primeira a registrar fotos com fundo desfocado rapidamente, a despeito de o foco não ser preciso nas bordas.

Fundo desfocado (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Fundo desfocado (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Nas cenas noturnas, não conte com nenhuma das câmeras. Com baixa iluminação, as duas apresentam problemas de definição e ruído em excesso.

Câmera principal à noite (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Câmera principal à noite (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Um detalhe curioso: a traseira conta com dois LEDs para flash. Quando o modo lanterna é ativado, os dois acendem. É uma pena que esse detalhe pouco ajude na qualidade das fotos.

A situação melhora ligeiramente com a câmera frontal e seus 8 megapixels. No primeiro plano da foto, a definição e a intensidade das cores agradam. As fotos com modo retrato podem ficar estranhas, porém: além de falhas de foco, dá para notar nelas uma espécie de contorno sobre a pessoa. Bizarro.

Câmera frontal (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Câmera frontal (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Câmera frontal com modo retrato (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Câmera frontal com modo retrato (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Hardware e bateria

O MediaTek Helio P22 que equipa o TCL 10 SE é um chip com oito núcleos Cortex-A53, todos de desempenho médio, por assim dizer. Ele é acompanhado de 4 GB de RAM e 128 GB para armazenamento de dados, como você já sabe.

Com essa configuração, o smartphone deu conta de todas as tarefas testadas, mas sem fazer milagres. Só para dar um exemplo, vez ou outra você pode perceber engasgos em aplicativos com bastante rolagem de tela, como o Chrome e o Twitter.

A alternância entre apps abertos também pode demorar um pouco de vez em quando, o mesmo valendo para o tempo de resposta a determinados comandos.

Não que essas limitações prejudiquem o uso do aparelho. Mas é preciso ter em mente que o Helio P22 é um chip direcionado a tarefas básicas. Jogos e apps pesados até vão rodar, mas você poderá notar algum gargalo na execução deles.

É o que acontece com Asphalt 9: Legends, que dá umas travadinhas até com gráficos no nível padrão. Já Breakneck rodou bem, apesar de ter sido possível notar uma ligeira queda na taxa de frames em determinadas cenas.

A bateria, com seus 4.000 mAh, não decepciona. Testei o componente com um vídeo de duas horas na Netflix com brilho máximo na tela, meia hora de YouTube, 15 minutos de Asphalt 9: Legends, 15 minutos de Breakneck, uma hora de Spotify via alto-falante, uma hora e meia de Kindle e redes sociais, além de uma chamada de 10 minutos.

Carregador do TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Carregador do TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Comecei os testes pela manhã, com 100% de bateria. Por volta das 22:00, o TCL 10 SE ainda registrava cerca de 40% de carga. É uma autonomia muito boa.

Já o tempo de recarga de 20% para 100% usando o carregador de 10 W que acompanha o celular foi de duas horas. Não é um tempo ruim, mas o aparelho suporta carregadores de 15 W. Bem que ele poderia ter vindo com um.

O TCL 10 SE vale a pena?

O TCL 10 SE pode servir bem a quem procura um intermediário básico. Ele não tem nenhum recurso notável, mas a tela generosa, apesar de ser apenas HD+, soma pontos, assim como a bateria com boa autonomia, os 128 GB de armazenamento e os recursos de conectividade, incluindo NFC.

As câmeras não impressionam e o chip Helio P22 pode perder um pouco de fôlego sob determinadas circunstâncias, mesmo assim, esses itens conseguem cumprir o seu dever. Só que o preço precisa ser condizente com as limitações técnicas do modelo.

TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

TCL 10 SE (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Na época da publicação deste review, já era possível encontrar o 10 SE com preços variando entre R$ 1.500 e R$ 1.700. Se levarmos em conta o atual cenário de dólar nas alturas, não são valores tão fora da realidade.

Só que, na mesma faixa de preço, você pode encontrar smartphones com hardware melhor, a exemplo do Samsung Galaxy M31 e do Motorola One Fusion.

Diante disso, o TCL 10 SE só vai valer a pena sob uma condição: a de que você consiga encontrá-lo com um preço ainda mais baixo que a faixa atual, algo que não passe dos R$ 1.200, de preferência.

TCL 10 SE

Prós

  • Dois LEDs para flash na traseira
  • Tela interessante para a categoria
  • O modo de leitura é legal
  • Autonomia de bateria decente

Contras

  • O desempenho é apenas ok
  • Câmera grande angular tem baixa nitidez
  • O botão de assistente não pode ser reconfigurado
Nota Final8.1
Tela
8
Design
8
Câmera
7
Bateria
9
Software
8
Desempenho
8
Conectividade
9

Especificações técnicas

  • Tela: LCD, 6,52 polegadas, formato 20:9, notch em V, resolução de 1600×720 pixels (HD+), 268 PPI
  • Processador: octa-core MediaTek Helio P22 de 2 GHz com GPU PowerVR GE8320
  • RAM: 4 GB
  • Armazenamento: 128 GB expansíveis com microSD de até 128 GB
  • Câmeras:
    • Principal: 48 megapixels
    • Grande angular: 5 megapixels, ângulo de 115 graus
    • Profundidade: 2 megapixels
  • Câmera frontal: 8 megapixels
  • Bateria: 4.000 mAh com carregador de 10 W
  • Conectividade: Wi-Fi 802.11n, Wi-Fi Direct, Bluetooth 5.0, NFC, 3G, 4G, porta USB-C, dual SIM, GPS, Galileo, conexão para fones de ouvido, rádio FM
  • Sensores: acelerômetro, bússola, iluminação, proximidade, leitor de impressões digitais
  • Sistema operacional: Android 10 com interface TCL UI
  • Dimensões e peso: 164,9 x 74,7 x 8,39 mm, 166 g
  • Outros: cores azul escuro (versão testada) e prata, botão físico para Google Assistente, flash LED duplo na traseira

Comentários da Comunidade

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Sérgio (@trovalds)

Samsung Galaxy A51 mandou dizer que também é opção nessa faixa de preço. E você leva tela OLED com resolução maior, leitor de digitais sob a tela, conjunto de câmeras melhor e acabamento mais refinado. Quando esse aparelho aparecer por uns R$ 999 (que é o que ele vale de fato) aí de repente se torne opção pra um celular backup.

. (@Mr.Robot)

Celular na casa dos dos 1600 sem tela full hd eu nem leio a review

Breno Ribeiro (@BrenoDJ)

Faixa de preço pra MediaTek é 500 reais.

Eu (@Keaton)

E pensar que eu paguei 749 reais no meu Redmi 7 com nota fiscal e tudo lá em 2019…

Milton T Silva (@Milton_T_Silva)

Concorrência sempre é bem vinda, espero muito mais para baixar os preços.