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Bitcoin custa mais de US$ 87 mil na Nigéria após ser banido do país

Banimento de criptomoedas na Nigéria cria mercado paralelo que vende bitcoin (BTC) por mais de US$ 87 mil

Bruno Ignacio Por

O bitcoin (BTC) pode ser uma criptomoeda descentralizada, mas isso não significa que seu preço seja o mesmo no mundo inteiro. É normal haver variações leves entre países, mas nesta sexta-feira (26) a Nigéria negociou o ativo digital a mais de US$ 87 mil, quase o dobro do que o valor médio mundial.

Bandeira da Nigéria (Imgaem: Gerard Flores/Flickr)

Bandeira da Nigéria (Imgaem: Gerard Flores/Flickr)

Segundo dados do Bitcoin Price Map, plataforma que agrega os preços do criptoativo ao redor do mundo, a Nigéria é o país onde a moeda é mais cara. Isso acontece após o governo local banir criptomoedas, fazendo com que a população se volte ao mercado paralelo e inflado de ativos digitais.

Os preços subiram exponencialmente de acordo com as dificuldades que existem no país para negociar bitcoin hoje. Bolsas, exchanges e plataformas de pagamentos que operam na Nigéria não podem transacionar criptoativos de nenhuma maneira.

Ainda que sejam incertas as maneiras que a população desenvolveu para driblar as proibições, um mercado paralelo e ilegal se formou no país. O bitcoin chegou a ser negociado a mais de US$ 87 mil hoje, um preço recorde no mundo todo.

Ranking de preços do bitcoin ao redor do mundo (Imagem: Reprodução/Bitcoin Price Map)

Ranking de preços do bitcoin ao redor do mundo (Imagem: Reprodução/Bitcoin Price Map)

A situação de criptomoedas na Nigéria

No dia 5 de fevereiro de 2021, o Banco Central da Nigéria (CBN) divulgou uma carta dirigida a bancos e outras instituições financeiras proibindo negociações ou qualquer tipo de transações envolvendo criptomoedas. As autoridades também forçaram o fechamento de contas de pessoas jurídicas e físicas que possuíam moedas digitais.

Não surpreendentemente, a carta gerou grande preocupação no mercado, principalmente na área de startups e fintechs. Após muitas críticas, o CBN emitiu mais um comunicado informando as razões por trás de sua decisão.

O Banco Central da Nigéria explicou que criptomoedas são emitidas por “entidades não regulamentadas e licenciadas” para operar no país. O governo então identificou nas moedas digitais um tipo de recurso financeiro ilegal.

Outro ponto levantado é a polêmica questão do “anonimato” que criptomoedas dariam para seus usuários, tornando-as suscetíveis a atividades ilícitas, como lavagem de dinheiro e financiamento de grupos criminosos. Por fim, o CBN afirmou que ativos digitais são muito voláteis e que ofereceriam riscos para a estrutura financeira nacional.

As razões paralelas à decisão

A adoção de criptoativos pela população nigeriana apenas cresceu nos últimos anos. Diante da inflação, moeda instável e desejo de internacionalização do povo, o bitcoin e outras moedas digitais são vistas como uma maneira de liberdade econômica. Contudo, o controle que os governos buscam ter sobre a economia nacional fraqueja diante da ampla adoção de ativos digitais.

Ao longo de 2020, uma onda de protestos assolou a Nigéria e o bitcoin teve um papel muito importante para o financiamento dos organizadores. Muitas doações locais e internacionais foram feitas através de criptomoedas para os grupos protestantes, até que o governo nigeriano fechou as contas bancárias vinculadas às organizações.

Na ocasião, as criptomoedas foram o que mantiveram os protestos vivos através de crowdfunding. Até que no começo de fevereiro deste ano o Banco Central da Nigéria adotou uma das mais duras restrições ao uso de criptomoedas já tomadas no mundo todo.

Outros países passam por efeitos similares

Esses efeitos também acontecem em países como a Malásia, Argentina e Africa do Sul, onde, por quaisquer que sejam as razões, a oferta e demanda do bitcoin é afetada. Por exemplo, a Argentina enfrenta uma dura crise econômica e a população sofreu restrições à compra de dólares para que as reservas nacionais não fossem esvaziadas diante da alta inflação e da dolarização do comércio.

Como resultado, o bitcoin e outras criptomoedas são vendidas por exchanges argentinas a preços mais altos do que a média global diante da maior demanda. Cada vez mais criptoativos estão sendo vistos como opções viáveis de reserva de valor que pessoas do mundo todo podem ter acesso para se proteger de moedas fiduciárias instáveis e da inflação.

Com informações: Cointelegraph, CoinDesk

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