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Apple cogita usar “estratégia de iPhone” para fazer carros

A Apple pode fechar parceria com fábricas terceirizadas, como Foxconn e Magna, para entrar na indústria automobilística

Ana MarquesPor

A Apple pode usar a mesma estratégia de produção de iPhones para estrear com sucesso na indústria automobilística. De acordo com novas informações da Bloomberg, a empresa estaria planejando trabalhar com uma fabricante terceirizada para montar seus primeiros carros.

Loja da Apple em Hong Kong (Imagem: Alexandr Bormotin/Unsplash)

Loja da Apple em Hong Kong (Imagem: Alexandr Bormotin/Unsplash)

Os novos rumores aparecem após a interrupção de negociações com marcas famosas, como a Hyundai. Sobram para a Apple duas opções: realizar uma parceria com uma fabricante contratada, como a chinesa Foxconn ou a canadense Magna International; ou montar suas próprias instalações de fabricação.

A Foxconn já tem um pé no ramo automotivo: em outubro, ela produziu um chassi de carro elétrico e uma plataforma de software para ajudar empresas a lançarem novos automóveis no mercado rapidamente. A empresa também fechou um acordo com a startup Fisker para produzir mais de 250.000 veículos elétricos.

A Magna também é um nome bastante possível, já que tem muita experiência no segmento automobilístico. A montadora é responsável por modelos de luxo da BMW, Daimler e Jaguar Land Rover.

Apple Logo (Imagem: Divulgação/Apple)

Apple Logo (Imagem: Divulgação/Apple)

A expectativa mais aceita é de que a Apple fique responsável pelo desenvolvimento do software para o automóvel, bem como do design do veículo, deixando a produção final nas mãos da empresa terceirizada. Para fins de comparação, a Tesla, de Elon Musk, chegou a perder bilhões de dólares com a administração de suas próprias fábricas antes de efetivamente começar a gerar renda regular. Ainda assim, enquanto a montadora de carros elétricos lucrou US$ 700 milhões em 2020, a Apple teve lucro de US$ 60 bilhões.

Os primeiros desafios no segmento automotivo

A paralisação nas negociações com montadoras tradicionais representou o primeiro desafio para a Apple, já que o acordo com uma marca conhecida basicamente exigiria que uma empresa de automóveis já existente voltasse sua produção totalmente para privilegiar uma nova rival.

Segundo a Bloomberg, uma funcionária com cargo de gerência – que passou tanto pela Apple quanto pela Tesla – teria comparado a ação a um cenário no qual a Apple pediria à Samsung para parar de fabricar seus smartphones para se dedicar a iPhones.

Ainda que o CEO da Volkswagen, Herbert Diess, tenha feito alguns pronunciamentos sobre o assunto, dizendo à toda a indústria que “não tem medo” de um Apple Car, dificilmente uma marca consolidada na indústria de automóveis aceitaria de bom grado dar palco para a gigante de Cupertino.

Apesar de poder apelar para as fábricas terceirizadas, a Apple também pode considerar uma produção interna. Recentemente, a empresa abriu vagas de emprego para “engenheiro de manufatura sênior” no seu grupo de projetos especiais.

Com informações: Bloomberg

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Juliano Machado Olivetti (@Juliano_Machado_Oliv)

Porque a Foxconn hoje é tão relevante e importante para a fabricação de equipamentos?? Suas fábricas são versáteis e trabalham para quem deseja contratar, usando praticamente 100% da capacidade operacional, o que amortiza fácil seus investimentos. No setor automotivo a história é outra, onde pouco se colabora entre os players na questão fabril, e ninguém de fora do setor tem capacidade fabril completa para que projetos como o da Apple ganhem forma. Justamente por esse motivo a Tesla optou por queimar por anos capital, até que seus fábricas ficassem aptas a tocar a sua produção. A Apple só existe dois caminhos, construir suas próprias unidades fabris, ou dividir seu projeto com algum fabricando do setor (inadmissível na filosofia da empresa)…Não existe e não existirá a “Foxconn” da produção veicular!

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Mas eles tem uma divisão pra isso. É uma das áreas de interesse da empresa.

Juliano Machado Olivetti (@Juliano_Machado_Oliv)

Hiper embrionário e que ainda não fabricou nada relevante no segmento. Posso até quebrar a cara, mas duvido completamente que dessa forma a Apple consiga colocar algo no mercado.

Lucas M (@Lucas_M)

Mesmo na fabricação dos gadgtes, não é raro a Apple entrar com a maior parte do capital necessário para a instalação das fábricas. E capital é o que não falta para a Apple, basta ver a pilha de dinheiro em caixa que a empresa tem.

Diversos acordos da Apple caminham dessa forma: a Apple empresta o dinheiro necessário para a construção das fábricas e já assina contratos com demanda assegurada comprando a produção. Conforme o parceiro vai entregando o que foi encomendado, também vai devolvendo o capital investido. Dessa forma a Apple assegura alguns pontos como segregação total da produção, exclusividade nos produtos e nos materiais e consegue barganhar margens melhores.

Não seria nada difícil ela conseguir fazer o mesmo na indústria automotiva, ainda mais quando já há empresas que trabalham exatamente dessa forma, atendendo a diversos fabricantes, como a Magna International que o artigo menciona, que produz carros para marcas como BMW, Daimler, Jaguar Land Rover e Toyota.

Juliano Machado Olivetti (@Juliano_Machado_Oliv)

A Magna vem há alguns anos investindo bilhões justamente em software/sensores de veículos autónomos e componentes de veículos elétricos, justamente buscando estar pronto para suprir com solução os fabricantes parceiros.
Não vejo qualquer possibilidade de a mesma ser um braço fabril da Apple, que reafirmo que não vai encontrar “parceria” se não optar pela sociedade com alguma empresa estabelecida. Ou é isso, ou vai ter que montar suas fábricas.