As eleições federais no Brasil acontecem de 4 em 4 anos. Em todo o território nacional os brasileiros devem se dirigir ao seu local de votação para escolher seus representantes através da votação eletrônica. Por isso, achei pertinente (mentira, foi o nosso leitor Raph4 que lembrou e sugeriu o post :P) publicar um artigo explicando melhor a parte tecnológica envolvida no funcionamento dos aparelhos usados na votação. Afinal de contas, nós somos o Tecnoblog e não o TecnoTudoSobreAUrnaEletrônicablog.

Foto por TRE-RJ/Flickr

Uma breve história da urna eletrônica

O Brasil foi um dos primeiros países a arriscar uma votação eletrônica. Enquanto países tecnologicamente mais avançados como os EUA e Canadá ainda usavam papel, nós, aqui no chamado terceiro mundo, preferimos apertar botões para escolher políticos. O responsável pelo processo sempre foi o Tribunal Superior Eleitoral e ele começou a inserir o voto eletrônico nas eleições de 1996. Naquele ano, apenas parte das eleições foi realizada eletronicamente, por falta de tempo em fabricar urnas o suficiente e também por ser uma fase de testes. Foi apenas nas eleições do ano 2000 que o país foi 100% coberto com urnas eletrônicas. Figurativamente falando, claro. Elas não caíram do céu.

Hardware

O design original da urna eletrônica já passou por diversas revisões e atualizações, mas a versão atual (modelo UE2000) é fabricado pela empresa brasileira FIC Brasil. A parte chutável dos componentes é composta pelo terminal de votação (a urna propriamente dita) e um terminal de atendimento.

O terminal de votação pode fazer qualquer calculadora científica atual se roer de inveja: ele conta com um processador X86, 256 MB de memória RAM, um visor de LCD e interfaces USB, Serial, SmartCard, PS/2 e CompactFlash. Poderoso, não? Já o terminal de atendimento tem um leitor biométrico e um teclado, através do qual o mesário ativa o modo de votação.

Software

Já a parte que se xinga da urna é composta de uma versão do sistema Linux criada por uma empresa autorizada pelo TSE. 180 dias antes das eleições, esse código é liberado para membros dos partidos políticos, da OAB e do Ministério Público, que o fuçam de cabo a rabo, procurando por bugs e falhas para reportarem ao tribunal. Até 20 dias antes das eleições, o código final é apresentado novamente, junto com os manuais, documentação e executáveis. As hashes de todos os sistemas também são apresentadas aos membros e publicadas na internet, para verificação da assinatura digital dos arquivos.

Antes das eleições começarem, os dados da zona e da sessão eleitoral em que a urna está são carregados nela, além de dados dos futuros políticos ladr— perdão, candidatos. Os dados da votação são gravados com criptografia em um cartão CompactFlash e extraídos no final do processo para um pendrive USB. Dentro do pendrive ficam gravados um boletim da urna, o registro digital do voto, dados de quem não foi votar (para aplicarem a multa, claro), justificativas e arquivo de log. Porque afinal de contas, tudo precisa de um log.

Segurança e Fraude

Em 2009 o Tribunal Superior Eleitoral, confiante que tinha feito um bom trabalho no código-fonte, criou um desafio: convidou hackers a invadirem a urna eletrônica usando apenas seus conhecimentos técnicos e impondo várias restrições. 20 especialistas em segurança bateram suas respectivas cabeças no teclado durante 4 dias seguidos, tentando acessar os dados de teste dentro dos aparelhos. Devido às restrições impostas pelo tribunal, nenhum deles teve sucesso, embora os testes tenham servido para aperfeiçoar a segurança da votação. Segundo alguns dos especialistas presentes, se eles pudessem usar de engenharia social ou de programas específicos, garantem que conseguiriam invadir o aparelho tão facilmente quanto tirar um doce de uma criança.

As eleições são um passo importante no governo do país e uma fraude nesse processo é considerado serious business. Por isso o TSE elaborou diversos métodos de auditorias para garantir que nenhum voto seja fraudado. Um desses processos é a chamada votação paralela, que é descrita muito bem nesse artigo do Tribunal Regional de SC. A urna também conta com lacres e mecanismos de segurança que evidenciam se houve violação ou não, além das ditas hashes dos sistemas citadas acima serem conferidas antes da contagem dos votos.

Se algo der errado durante a instalação e autorização dos sistemas nas urnas, existem aparelhos de reserva que são enviados para as sessões com urnas defeituosas. Se a lei de Murphy continuar atacando e estragar as urnas de reserva também, o plano C, também conhecido como o backup do backup, é mesmo recorrer ao uso de cédulas de papel.

Com informações: Wikipedia, site do TSE. Dica do leitor Raphael Corrêa, Valeu @raph4!

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Kellen

Bom dia,
Gostaria de destacar que é 2018 e o escândalo da urna com pane é o assunto principal aqui em meu estado RS.
indo direto ao ponto, é de extremo interesse de minha parte saber o modelo ou os modelos das urnas eletrônicas usadas nesse ano e se realmente ha como serem fraudadas antes, durante ou depois do manuseio.

Desde já agradeço👍

Fernando Liell

A Dupla Verificação, Digital + Impresso é um dos mecanismos mais eficaz e simples de se implementar. A questão é por que não? Num pais corrupto como o Brasil já sabemos a resposta!

aa aa
O problema não é ser eletrônico e sim o Brasil ser o único no mundo com voto puramente eletrônico, os outros com votação eletrônica usam impressão física do voto junto, voto puramente eletrônico não é passível de auditar e provar fraudes.
Lauro A Castro Jr
então procure pelo caso PROCONSULT, ou sobre a fraude no programa de apuração que quase elegeu Moreira Franco no lugar do Brizola ao governo do Rio, nos anos 80. A fraude consistia em um código malicioso do próprio programa de apuração que computava votos do Brizola como de Moreira Franco. Naquela eleição o voto era no papel, mas a apuração era eletrônica.
Marcelo Miagui
Nem japão faz uma tecnologia que não possa invadir.. só atrasados q acreditam em urnas.. pqp..!!
Leonardo
A urna eletrônica brasileira só existe porque o brasileiro é desonesto. A justiça eleitoral gasta milhões com equipamentos, sistemas de segurança, logística e pessoal para dar segurança ao processo de votação e ao invés de colaborar os brasileiros ficam pensando em como a eleição poderia ser fraudada.
José
Nesse caso, a urna deveria ser mãe dinah pra saber se o cara errou na hora de digitar, ou ele queria mesmo votar na legenda.
Marcio Barreto Dos Santos
esse pessoal ai elege seus candidatos com cédula, agora eu te pergunto o que é mais fácil fraudar uma urna eletrônica ou um papel? o mal do brasileiro é achar que tudo que é de outros país é melhor do que o que há aqui, se houve fraude nas eleições tem que ser provado enquanto ficarem nesse mi mi mi de teorias eu não dou credibilidade!
Cecilia Guarin
ja foi lisao de casa
Fe Uriel
nossa o brigado isso vai para minh lisao da escola kkkkkkk
NICOLAU LUCENA
BOA NOITE SENHORES, vale lembra que a empresa que fabrica a URNA ELETRONICA, é norte americana, e no estado unidos, não foi aceita como segura, e lá esta mesma faliu devido a ERROS no shoft, mais no BRASIL, a empresa vende sua URNA SUCATA. PS: VALE LEMBRA QUE NA PARAIBA ALGUNS CONSERTADORES DE TELEVISÃO DE CAMPINA GRANDE MUDARÃO OS -LOGs,.E ELEGERÃO O GOVERNADOR CASSIO CUNHA LIMA. isto e veridico porque existe um processo na justica eleitoral de JOÃO PESSOA/PB. OBS: O ESCANDALO SO NÃO FOI MAIOR PORQUE FOI FEITO UM ACORDO COM O GRUPO DE JOSÉ MARANHÃO.
Everaldo
Rafael,esclareça-me uma dúvida sobre uma questão de concurso público a respeito da urna eletrônica: (FCC - 2006 / TRE_AC) O eleitor, desejando votar para Vereador no candidato José Paulo, digitou os dois primeiros algarismos que correspondem à respectiva legenda e, em seguida, errou ao digitar o número do candidato, inserindo e confirmando número inexistente. Nesse caso, o voto será: (A) creditado apenas à legenda. (B) considerado nulo. (C) considerado em branco. (D) creditado ao candidato de numeração mais próxima. (E) creditado ao candidato da mesma legenda que tiver obtido mais votos. Segundo o gabarito,a resposta correta é: (A) creditado apenas à legenda. Para mim,o voto deveria ser nulo. Para a banca, a urna credita o voto à legenda do partido baseado no fato de que se lê os dois primeiros dígitos,mesmo que os demais números a seguir sejam inexistentes. Isso pode ocorrer? Obrigado
gino cesar vay
Um processo que não pode ser auditato não é seguro,um voto que não tem comprovante material é no mínimo suspeito,como podem achar que estão mais avançados que países como EUA e Alemanha no processo eleitoral,falácia pura,o voto tem que ser comprovado com uma impressão como era antes,nós apenas usamos de boa fé em confiar nas urnas-e,qualquer um que use de princípios racionais terão sérias dúvidas quanto as urnas-e,como pode o TSE passar uma mensagem de segurânça utilizando um processo como este tão insólito e ainda se colocar no topo do ranking de eleições seguras e rápidas,certamente eles conhecem bem o povo brasileiro e sabem que é um povo de muita fé e poucos interesses fácil de ser ludibriado
joao
DEPENDE DE QUEM ESTA FISCALIZANDO. SE VC POR UMA RAPOSA TOMAR CONTA DE UM GALINHEIRO.... BYE BYE
Alexandre
ta aih uma duvida que eu tinha que era sobre a inviolabilidade da urna. pelo jeito partiram do basico do basico, se nao tem interface, nao tem invasao :)
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