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CEO do Twitter leva “bronca” por tuitar em audiência no Congresso dos EUA

Quem nunca desabafou nas redes sociais durante uma reunião importante, não é mesmo?

Ana Marques Por

O Congresso dos EUA convocou novamente os CEOs das principais Big Techs ligadas a conteúdo online para uma audiência sobre o impacto de suas plataformas na disseminação de desinformação nesta quinta-feira (25). Além de Mark Zuckerberg (Facebook) e Sundar Pichai (Google), Jack Dorsey, do Twitter, estava presente para responder questões sobre sua empresa e a moderação de publicações indesejáveis – mas Dorsey não conseguiu se desligar das redes nem para depor.

Twitter (Imagem: Brett Jordan/Unsplash)

Twitter (Imagem: Brett Jordan/Unsplash)

Enquanto os membros do Congresso faziam perguntas aos executivos, todos eles pareciam se esquivar o máximo possível com respostas longas que pareciam não levar a lugar nenhum para assuntos relacionados a remoção de redes supremacistas e outros temas delicados.

A postura dos CEOs fez com que os membros da Corte começassem a cobrar posicionamentos mais objetivos e respostas simples: “sim” ou “não”. Quem se recusava a seguir essa linha, era basicamente impedido de responder.

Aparentemente, a situação incomodou o fundador do Twitter, que imediatamente recorreu ao seu próprio perfil no microblog para postar uma enquete. Sem elaborar nenhuma descrição, Dorsey deu duas opções: “Sim” e “Não”.

Mas o tweet irônico não passou despercebido.

“Senhor Dorsey, o que está ganhando – sim ou não – na sua enquete da sua conta no Twitter? ”, perguntou a deputada democrata Kathleen Rice.

“Sim”, disse Dorsey – talvez a resposta mais rápida e objetiva da audiência.

“Hmmm. Suas habilidades multitarefa são bastante impressionantes”, comentou Rice, em tom de repreensão, antes de começar seus questionamentos.

Audiência durou mais de 5 horas

As perguntas para os CEOs do Google, Facebook e Twitter abordaram diversos temas relacionados à desinformação, desde conteúdo antivacina ao tratamento dado por cada plataforma às fake news durante as eleições americanas. Um dos congressistas chegou a perguntar se os executivos haviam tomado a vacina contra COVID-19 – Zuckerberg e Dorsey responderam que não, enquanto Pichai afirmou ter sido recebido a primeira dose na última semana.

Mark Zuckerberg já havia antecipado seu discurso para a audiência desta quinta-feira. Ele defendeu uma mudança da Seção 230 (lei que protege empresas de tecnologia da responsabilidade sobre o conteúdo veiculado por seus usuários), apoiando a cobrança de sistemas de moderação de conteúdo em redes sociais.

Sundar Pichai levantou iniciativas do Google contra desinformação e sugeriu algumas mudanças para a lei, mas sem defender um “conjunto de boas práticas”, como Zuckerberg. Ele propôs a implementação de políticas mais claras de conteúdo e notificações para seus autores quando há remoção de alguma publicação. Para Pichai, caso a Seção 230 seja revogada por completo, como vem sido cogitado, as plataformas teriam que filtrar excessivamente o conteúdo postado por usuários – ou simplesmente não seriam capazes de filtrar nada.

Por sua vez, Jack Dorsey, além de irritar uma das congressistas, foi mais breve. Trouxe apenas algumas mudanças adotadas pelo Twitter, como o Birdwatch, que conta com uma rede de colaboração para contextualizar tweets e combater fake news. Ele não fez comentários específicos sobre a Seção 230 em seu testemunho escrito.

Com informações: TechCrunch

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