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Após saída da LG, Samsung e Motorola devem “ditar preço” de celulares no Brasil

LG responde por 12% das vendas de smartphone no Brasil; Samsung e Motorola podem formar duopólio em celulares intermediários

Felipe Ventura Por

A LG está longe do top 5 no mercado global de celulares, mas ocupa há anos o terceiro lugar em vendas no Brasil. O que acontece quando uma fabricante que responde por 12% do market share simplesmente some? As outras empresas brigam por esse espaço – e isso pode levar a um domínio ainda maior da Samsung e Motorola no país.

LG K52 e K62+ (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

LG K52 e K62+ (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Especialistas ouvidos em sigilo pelo Mobile Time acreditam que, com a LG desistindo de celulares, deve se formar um duopólio entre Samsung e Motorola no Brasil. Elas ocupam a primeira e segunda posição em vendas e poderão “ditar o preço dos dispositivos aos varejistas”.

Segundo o analista Renato Meireles, da IDC Brasil, isso deve afetar principalmente os celulares intermediários, que custam entre R$ 1,1 mil e R$ 2 mil. Esse segmento representou 42% das vendas em 2020, e era nele em que as três principais fabricantes tinham uma concorrência maior.

No total, foram vendidos 46,18 milhões de smartphones em 2020, queda de 8% em relação ao ano anterior. Enquanto isso, o preço médio do celular subiu 24%. O dólar é parcialmente culpado, mas isso também é um reflexo da demanda dos consumidores por recursos melhores.

“O consumidor já está em seu terceiro, quarto ou quinto smartphone”, explica Meireles ao Mobile Time. “É um mercado de substituição e ele vai buscar uma faixa de preço premium ou super premium. E a tendência é manter essa constante de crescimento.”

LG Velvet (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

LG Velvet (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

Com menos opções de celular disponíveis no Brasil, o mercado cinza pode crescer este ano – são consumidores que importam aparelhos sem pagar imposto. Esse segmento explodiu em 2019, com alta de 344% de acordo com a IDC. No ano passado, a consultoria registrou aumento de 0,5%; este ano, ela prevê uma taxa de 4,5%.

LG desiste de celulares

A saída da LG deixou várias questões em aberto. Por isso, o Procon-SP notificou a empresa para que preste explicações sobre o impacto ao consumidor. Os funcionários da fábrica em Taubaté (SP) seguem em greve enquanto não recebem esclarecimentos.

A LG acumula mais de US$ 4 bilhões em prejuízo na divisão móvel. Felipe Mendes, gerente geral da GfK na América Latina, afirma ao Mobile Time que “o mercado de smartphones é caro de se participar, uma vez que é necessário investir muito em inovação, parcerias, marketing e distribuição”.

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Naldis (@zepolenta)

OnePlus, Xiaomi agradecem, dona LG.

André (@andre00)

O único problema é que OnePlus não vende aqui no Brasil e os aparelhos da Xiaomi aqui são mais caros que os da Samsung. Motorola eu nem considero mais.

Tá difícil fugir da Samsung.

@RODRIGO

Suposto duopólio Samsung e Motorola é nada bom aos consumidores brasileiros!

Caio (@Cai0)

Samsung é uma marca bem mais forte que motorola, praticamente um monopólio se duvidar…

Anderson Antonio Santos Costa (@Anderson_Antonio_San)

Praticamente vamos ter um domínio da Samsung na venda de celulares no Brasil. Principalmente nos modelos básicos e intermediários. A Motorola eu já descarto pelo suporte ser praticamente igual ao da LG atualmente.
Se houvesse mais um ou dois fabricantes de smartphones no Brasil além das chinesas fugiríamos do mercado cinza e do monopólio da Samsung.

Matheus Motta (@Matheus_Motta)

Hora da Xiaomi, Nokia e Realme investirem no Brasil…

Pericles Cipriano (@Pericles_Cipriano)

Asus desapareceu, Huawei não tá podendo, LG desistiu… Tomara que Xiaomi e Realme tentem ganhar mercado, tbm seria bacana se a OnePlus viesse pra cá.

Isso é bem triste, nosso mercado que já tem poucas opções vai ficar ainda pior, torço pra que as fabricantes chinesas consigam ganhar espaço no grande varejo, pq só assim vão conseguir competir.

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

Se Samsung e Motorola tentarem aumentar a margem de lucro o mercado cinza vai fazer a festa, depois não adianta reclamar que estão perdendo mercado.

PS, senti falta de um gráfico/tabela na matéria de qual a participação no mercado de cada empresa

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

Lembro que queria pegar um na mão pra ver como eram e nenhuma loja física nunca tinha eles pra vender, ou quando tinham era do modelo do ano anterior, nunca os lançamentos.
Depois veio a chuva de reclamações do pós venda ruim e desisti da marca.

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Enquanto não abrir o mercado brasileiro para a importação e acabar com a fabricação nacional, tende a piorar esse cenário de concentração de mercado.

Hoje Samsung e Motorola tem volume para justificar investir na montagem local, e com isso receber abonos.

Para outra marca chegar e se estabelecer, vai precisar queimar muito dinheiro e ainda assim pode falhar antes de ter retorno. A maioria dos países trabalha com importação e uma tributação simplificada, o que fomenta a concorrência e entrada de novos players. O brasileiro é vítima das suas próprias políticas internas.

@LeandroCSC

Lamentável. Potencial eles tinham. Mas nunca souberam explorar naquele momento.Hoje está bem mais complicado.

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Não. Só não dificultar a vida do pequeno empresário e das empresas que querem importar os aparelhos para vender no Brasil.

Hoje o Brasil cria um problema para vender a solução (fabricar localmente). Só que isso não gera desenvolvimento, e sim estagnação. Impede que novos players cheguem e trabalhem com preços competitivos.

 • 令和 • Ward'z de Souza 🇯🇵🎌🦊🔥 - Risonho e Límpido (@Wardz_de_souzA)

Já tá impossível comprar celular top e semi-top, agora os intermediários e entrada vão ficar proibitivo também.

CAV (@cav)

A Xiaomi, sem mercado cinza, deve vender menos que a Positivo.
A Nokia nas mãos da HMD só está tomando decisão errada, e o que era pra ser um diferencial (Android One), acaba não ajudando. No ritmo que está, não acho que sobreviva até 2024, quando encerra o contrato de uso da marca com a finlandesa.
Realme ainda é uma promessa.
Huawei é carta fora do baralho.
Asus eu acredito que seja a próxima a vazar do mercado mobile (assim como Acer, HP e Dell já fizeram).
Meizu já vazou daqui, bem de fininho. E não deve ter deixado saudade.
TCL é outra que já não fazia muita falta quando usava a marca Alcatel, e agora piorou.
BLU e ZTE só lançam 1 ou outra coisa a cada 2 anos aqui no Brasil, sem muita expressão.

Faltam OnePlus, Oppo, Vivo (não a operadora) e Tecno experimentaram.
E faltam Google, BlackBerry e Sharp retornaram pra cá no mercado mobile.

Vinni Hunter (@Vinni_Hunter)

Provavelmente esse cenário vá mudar 2022, caso o Bozo não vença a eleição para presidente, já que tanto ele e os filhos fazem questão de não ter nenhum tipo de proximidade com a China, caso ele vença a Samsung dominará, o setor de smartphones com folga nos próximos anos.

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