Início » Finanças » Streamers aderem cada vez mais aos NFTs, mesmo com mercado esfriando

Streamers aderem cada vez mais aos NFTs, mesmo com mercado esfriando

Streamers, jogadores profissionais e organizações de e-sports entram no mercado de NFTs, mas têm poucos resultados

Bruno IgnacioPor

A febre dos NFTs, ou tokens não fungíveis, começou em fevereiro e se espalhou para inúmeros mercados. Agora, essa euforia está passando e os preços desse ativos despencaram. Porém, ainda há muita gente aderindo à tecnologia como uma forma adicional de gerar renda. Streamers, jogadores profissionais e organizações de e-sports estão lançando novos produtos digitais e apostando na essência colecionável dos tokens.

NFT lançado pelo streamer de Fortnite Turner Tenney (Imagem: Reprodução/Open Sea)

NFT lançado pelo streamer de Fortnite Turner Tenney (Imagem: Reprodução/Open Sea)

Durante a euforia de março, o artista digital Beeple vendeu uma obra em NFT por US$ 69 milhões e Jack Dorsey leiloou a primeira publicação no Twitter por US$ 2,9 milhões. Contudo, dados revelam que esse mercado já começou a desacelerar.

De acordo com o NonFungible.com, o preço médio dos NFTs caiu 70% do final de fevereiro para o começo de abril. Além disso, o The Block publicou um estudo revelando que o volume semanal de transações de tokens não fungíveis também diminuiu 66% no mesmo período. Mesmo assim, a tecnologia ainda chama a atenção no universo dos games.

Criadores apostam no engajamento de fãs

Turner Tenney, mais conhecido como “Tfue”, é um streamer e jogador profissional de Fortnite que conta com 12,1 milhões de inscritos em seu canal no YouTube. Na semana passada, ele lançou uma coleção de produções animadas em 3D como NFTs, que o representa como personagens de diversos jogos.

Chamada de “NFTfue King of Gaming Collection”, a série de tokens de edições limitadas foram a venda no marketplace Open Sea. Até o momento, somente 18 dos 400 tokens foram comprados. O preço mínimo nos leilões foi de US$ 230, porém um NFT de edição única foi leiloado por cerca de US$ 7 mil na criptomoeda ether (ETH). O comprador dessa “edição especial” também passará um dia inteiro com Tenney, no qual o streamer promete jogos, vlogs, andar de jet ski e muito mais.

Ben Bowman é outro streamer que entrou no mercado de NFTs. Conhecido como “ProfessorBroman” em seu canal na Twitch, ele conta com quase 800 mil inscritos, consideravelmente menos que Tfue. Sua coleção de 50 tokens não fungíveis vendeu apenas 1 única unidade, pelo equivalente a US$ 20.

Jogadores e times de e-sports aderem aos NFTs

Na semana passada, a enorme organização de e-sports e games 100 Thieves, que tem times profissionais competindo em diversos jogos, lançou uma coleção de 8 tokens não fungíveis na plataforma de negociação de NFTs Foundation. Caracterizados como “peças únicas de arte”, a série é composta por imagens animadas baseadas no logo da instituição. Metade delas já foi leiloada por preços que variam de US$ 4.500 a US$ 6.600, enquanto a outra parte será distribuída para seguidores.

Outro nome do e-sports que anunciou sua entrada no mercado é Conor Johst, ou “Diamondcon”, um jogador profissional de Call of Duty que atualmente joga no time oficial da Activision. Ele anunciou sua coleção de NFTs no mês passado e desde então postou um teaser, mas parece que tokens ainda não foram a venda.

Mercado de NFTs demonstra saturação

O fator comum entre todas essas histórias é a aposta no engajamento dos fãs para vender NFTs. Historicamente, colecionadores e fãs aficionados sempre se demonstraram dispostos a pagar caro por produtos exclusivos. Por exemplo, action figures e quadrinhos raros podem ser vendidos por milhares de dólares, assim como uma camiseta de edição limitada de um time de futebol.

Essa lógica já se aplicou aos NFTs, mas agora as coisas são um pouco mais complicadas. No caso de Tfue, com mais de 12 milhões de inscritos, ele arrecadou aproximadamente US$ 16 mil com sua coleção de tokens não fungíveis. Já a 100 Thieves, uma enorme e internacional organização de games, conseguiu cerca de US$ 23 mil com sua arte digital em blockchain.

Nesse momento, o mercado ainda demonstra movimento e alguma receptividade a novos produtos digitais. Porém, os compradores parecem muito mais seletos. Hoje em dia é difícil ouvir falar em venda milionárias de tokens não fungíveis, muito pelo contrário, os preços começam a encontrar um equilíbrio já que agora há muito mais oferta do que demanda.

Grandes nomes como Tfue e 100 Thieves ainda podem apostar no engajamento de seus fãs para vender alguns milhares de dólares através de NFTs, mas nada mais do que isso. Peixes menores como Ben Bowman já não tem mais tanto espaço. Além disso, os tokens não fungíveis dividem opiniões pelas suas consequências ambientais e por essencialmente permitir a venda de “qualquer coisa” sob o pretexto da exclusividade.

Com informações: Kotaku

Comentários da Comunidade

Participe da discussão
1 usuário participando