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Correios entram em plano de privatização com decreto de Bolsonaro

Documento indica que privatização dos Correios ainda depende aprovação do marco legal dos serviços postais

Victor Hugo Silva Por

O presidente Jair Bolsonaro editou um decreto que inclui os Correios no Programa Nacional de Desestatização (PND). A medida prevê a realização de novos estudos sobre o modelo de privatização da empresa. O processo, porém, ainda depende de aprovação na Câmara e no Senado do marco legal dos serviços postais.

Correios (Imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Correios (Imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Pelo decreto, a empresa que assumir dos Correios deve garantir a entrega de correspondências e objetos postais, bem como a prestação de serviços de atendimento, tratamento, transportes e distribuição. Ele também determina que os serviços devem ter abrangência nacional e ser oferecidos de modo contínuo e com modicidade de preços.

O documento estabelece a alienação de controle societário em conjunto com a concessão de serviços postais de cartas; impressos; objetos postais sujeitos à universalização, com dimensões e peso definidos por órgão regulador; e telegrama.

O decreto determina ainda a extensão do prazo de funcionamento de um comitê criado em 2019 para opinar sobre a privatização dos Correios. Além disso, define o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como responsável por acompanhar o processo até sua conclusão.

Privatização dos Correios depende do Congresso

A privatização dos Correios aguarda a aprovação do marco legal dos serviços postais, o PL 591/2021, no Congresso. Apresentado pelo governo federal em fevereiro, o projeto prevê a exploração do serviço postal pela iniciativa privada e a transformação da estatal em uma sociedade de economia mista, que passaria a se chamar nos Correios do Brasil S.A.

Em março, o Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI) e o BNDES apresentaram a primeira fase dos estudos sobre a desestatização dos serviços postais no Brasil. No documento, os órgãos defenderam que a privatização dos Correios deve ser completa e desaconselharam a venda de uma parte minoritária e a divisão da empresa.

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wesley soares (@wesley_soares)

Vou falar como usuário dos correios e não como alguém que trabalha na empresa, pois nunca trabalhei lá.

Eu sempre era favorável a privatização devido ao fato de encomendas sumirem, péssima experiência tecnológica, funcionários preguiçosos etc…
Sempre comprei e vendi muito pelos correios, e ultimamente minha experiência tem sido muito satisfatória, zero problemas nos últimos 3 anos, mas eu uso uma agência “privada” quando vou postar algo, e a experiência é outra, na agência pública os “CDDs” da vida, parece que fazem de tudo pra você não usar o serviço. E não tenho do que reclamar quanto a entregas, sempre funcionam bem.

Sei que muita gente gostaria de ver um mercado livre assumindo, mas tenho certeza que não seria legal, só quem já vendeu ali no ML sabe que você tem literalmente zero chances de ser atendido se não for por um robô, você vende algo e paga 30 de frete no mercado envios e quando vê a nota nos correios, custou 12. Pra quem compra é uma maravilha, pra quem vende, e usa de fato a plataforma, sabe que o suporte é péssimo.

A Amazon tem diversos problemas tbm, inclusive está sendo acusada nos Estados Unidos de explorar os trabalhadores, onde muitos mijam em garrafas pra conseguirem entregar para os clientes a tempo, pq aqui seria diferente?

Eu sei que tem muita mutreta nos correios, mas assim que uma empresa comprar eles, é questão de tempo pra começarem a chiar r não querer entregar nos cafundó do Judas, fora que tenho certeza que o valor das encomendas vão aumentar.

Produto importado? É uma zona cinzenta de como isso vai funcionar, pode literalmente inviabilizar comprar qualquer coisa num Aliexpress da vida, ou você acha que o ML ou Amazon se adquirirem os correios vão facilitar sua encomendas da china?

Enfim, eu acho que deveriam conceder sim a gestão pra iniciativa privada, mas não deveriam vender a empresa, talvez aos moldes de concessão de rodovias, aeroportos e similares, de qualquer forma, só espero que alguma empresa de logística assuma, fico com pé atrás quando empresas se tornam grandes de mais em muitos setores distintos. E há muitas questões a serem debatidas ainda neste processo.

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Acho uma péssima ideia.

Prefiro que vendam 100% e não deem mais um pio na gestão.

Sou totalmente contra governos terem autonomia sobre empresas, ainda mais se for o Brasil. Só ver a bagunça que é a gestão da Petrobras, alguém de cima não gosta de algo e muda tudo ao sabor do vento, isso gera uma instabilidade tremenda e uma enorme desconfiança dos investidores.

Sei que não dá pra comparar os correios com a Petrobras, mas o meu ponto é que nem sempre o que é bom para a empresa é bom para o país e vice versa, daí fica nessa guerra de cada um puxando de um lado. Sem contar que com o país quebrado desse jeito não sobra dinheiro para investir nas estatais e o lucro de algumas não é suficiente para reinvestir em melhorias.

Cato (@cato)

Eu odeio os Correios. Pense numa empresa que só me dá raiva!
Espero que a privatização aconteça.
Aqui eles mentem que o pacote saiu para entrega e não tinha ninguém em casa pra receber. Daí acumula uma fila enorme de pessoas para retirar encomendas na agência, nisso atrapalha quem quer apenas postar uma encomenda. Um atendimento péssimo, demorado… Reclamar??? Nem adianta!
Nem vou criar expectativas. Coisas boas nesse país são difíceis de acontecer. Mas se e quando acontecer, será comemorado com uma bela cerveja gelada.

Rafael Machado de Souza (@rafael.mds)

Ainda é pouco. Tinha que privatizar 100% e privatizar o resto da Petrobrás.
Se é pra melhorar ou pra fuder tem que ser completamente.

wesley soares (@wesley_soares)

Rapaz, no dia a dia você usa muitso serviços que são sob concessão sabia? Radio, TV, Energia, saneamento basico(é o mais novo da turma), estradas, aeroportos… E todos eles funcionam, claro alguns melhores outros piores, mas na iniciativa privada é do mesmo jeito. E preferir é uma coisa, tem que argumentar em cima sobre a preferencia, pq você prefere privado e não como concessão? Este é o ponto que o conrgesso vai debater.

E a petrobras não é uma empresa privada, nunca foi, ela tem ações na bolsa, o que é bem diferente, assim como a vale. Nas duas o governo tem capital votante pra mandar e desmandar, BB segue a mesma linha.

E não se engane, o governo sempre é o dono de qualquer empresa, afinal quem regula o mercado são os orgãos do governo. Mas eu concordo que prefiro ver o governo ausente do comando de empresas, eu só acho que neste caso a concessão me parece um caminho melhor do que simplesmente vender, pelos fatos que citei anteriormente.