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Consumo de energia do bitcoin aumentou em 66 vezes desde 2015

Mineração de bitcoin (BTC) já aumentou sua demanda energética em 66 vezes desde 2015, revela relatório do banco Citigroup

Bruno Ignacio Por

Enquanto o bitcoin (BTC) continua batendo recordes de preço, mais se evidencia o debate sobre os impactos ambientais de sua mineração. Um novo relatório do banco multinacional de investimentos Citigroup revelou que o consumo de energia relacionada à atividade cresceu em 66 vezes desde 2015.

Na medida que o preço do bitcoin sobe, seu consumo de energia também cresce (Imagem: Dmitry Demidko/Unsplash)

Na medida que o preço do bitcoin sobe, seu consumo de energia também cresce (Imagem:
Dmitry Demidko/Unsplash)

Consumo de energia do bitcoin aumenta junto ao preço

O principal motivo de preocupação com a mineração de criptomoedas, especialmente a do bitcoin, são as consequentes emissões de carbono. A atividade requer que inúmeras máquinas e computadores no mundo todo cedam seu poder de processamento para criptografar e registrar todas as transações envolvendo a moeda digital. Assim, os mineradores são recompensados com taxas administrativas e com a geração de novas unidades de BTC.

De acordo com os analistas do Citigroup, “à medida que o valor do bitcoin aumenta, o mesmo deve ocorrer com o seu consumo de energia”. Quanto mais transações são realizadas e mais criptomoedas são movimentadas, maior o número de processos que a rede blockchain precisa processar. A demanda elétrica aumentou em 66 vezes desde 2015, mas ainda assim é um ritmo mais lento do que o crescimento do preço do ativo digital, que já subiu mais de 170 vezes nesse mesmo período.

Mineração na China é principal fator poluente

Mineração de bitcoin na China deve prejudicar metas climáticas do país (Marco Verch/Flickr)

Mineração de bitcoin na China deve prejudicar metas climáticas do país (Marco Verch/Flickr)

O relatório também cita os dados do Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index (CBECI), que mede o consumo de energia associado à mineração da criptomoeda. A rede do bitcoin demanda cerca 138,5 terawatts-hora anualizados, mais eletricidade do que países inteiros, como a Ucrânia e Suécia.

Segundo o índice da universidade de Cambridge, a China é responsável por 65% de toda a mineração de bitcoin no mundo. Essa estatística é a principal base poluente da criptomoeda. A matriz energética de grande parte do país é o carvão, o que gera uma intensa poluição atmosférica. Isso faz também com que a energia elétrica chinesa seja barata, o que atrai mineradores para realizarem a atividade lá.

“A mineração e o uso dessas moedas consomem muita energia e pode enfrentar uma maior pressão regulatória conforme a adoção se expanda, especialmente se os EUA continuarem a expadir sua participação no mercado cripto e se a China, líder de mercado, passar a reprimir a mineração de bitcoin se ela acabar afetando negativamente suas metas climáticas”, afirmou o relatório o Citigroup.

China processa 80% de todas as transações de bitcoin

Na semana passada, outro estudo foi publicado pela revista Nature, revelando que, pelo ritmo atual, a mineração de bitcoin na China deve gerar 130 toneladas métricas em emissões de carbono até 2024.

De acordo com o estudo, 80% de todas as transações de bitcoin no mundo são processadas na China, enquanto se estima que 40% das usinas elétricas presentes no país sejam alimentadas com carvão. Tendo em vista o altíssimo consumo energético relacionado à mineração da criptomoeda, o bitcoin criou uma forte pegada de carbono.

Acordo climático quer “bitcoin sustentável”

Acordo climático quer fazer toda a indústria de criptomoedas operar com energia limpa (Imagem: Jonathan Cutrer/Flickr)

Acordo climático quer fazer toda a indústria de criptomoedas operar com energia limpa (Imagem: Jonathan Cutrer/Flickr)

O mercado de criptomoedas está ciente desse problema, por isso o “Crypto Climate Accord” foi criado no início deste mês e já conta com mais de 20 membros. A iniciativa busca migrar todas as redes blockchain para fontes renováveis e não poluentes de energia. A meta é levar todo o setor à neutralidade de carbono até 2040.

Para isso, os maiores problemas precisam ser resolvidos: o bitcoin e o ether, as duas maiores criptomoedas do mercado e os principais responsáveis pelas emissões de carbono associadas às moedas digitais. Dito isso, as metas do acordo parecem pouco realistas.

Tarefa pode ser impossível

O bitcoin, por exemplo, opera sob um protocolo que naturalmente consome cada vez mais energia. Trata-se de um sistema baseado em verificações “proof of work”, pouco otimizado e que demanda cada vez mais processos conforme cresce a atividade com a criptomoeda.

O ether (ETH), criptomoeda nativa da rede Ethereum, também funciona sob o mesmo protocolo e seu blockchain é responsável não apenas pela moeda digital, mas também pela maioria dos contratos inteligentes e NFTs presentes no mercado. Contudo, há planos para atualizar o sistema no futuro, criando a possibilidade de otimizar o consumo de energia em toda a rede.

Diante desses problemas, migrar todos os blockchains para regiões que utilizam energia limpa é uma tarefa muito cara e complexa. Seria necessário um enorme volume de subsídios para deixar o preço da eletricidade não poluente ao menos competitivo em comparação com a que provém da queima de combustíveis fósseis.

Com informações: Bloomberg

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