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Apple Music paga o dobro do Spotify por cada reprodução de música

Desse pagamento de um centavo de dólar, o Apple Music destina 52% do valor para a gravadora e o restante vai para o artista

André FogaçaPor

A Apple publicou uma carta aberta para todos os artistas que distribuem suas canções dentro de seu serviço de streaming para músicas, o Apple Music. Na nota, a empresa afirma que o pagamento por reprodução de cada faixa é de US$ 0,01 – sim, um centavo. O valor parece pequeno, mas é o dobro da quantia repassada pelo Spotify para o mesmo objetivo.

Apple Music (Imagem: divulgação/Apple)

Apple Music (Imagem: divulgação/Apple)

Se por um lado os serviços de streaming resolveram grande parte do problema criado pela pirataria na música, por outro os responsáveis pelas canções continuam ganhando pouco quando o valor é dividido por reprodução. Este é um tema polêmico na indústria, tanto que o Spotify tenta fugir do assunto quando pode, mas as estimativas apontam para uma quantia paga pelo maior representante deste tipo de serviço girando em algo entre US$ 0,003 e US$ 0,005, por cada play recebido pelo conteúdo.

Nesta semana o Apple Music abriu o jogo e garantiu que seu pagamento é de US$ 0,01 por cada vez que a música é tocada, aproximadamente o dobro de seu principal concorrente. Mesmo pagando mais, é importante ter em mente que o número de assinantes de um é muito maior que o outro.

A empresa da maçã não publica seus números desde meados de 2019, quando divulgou ter mais de 60 milhões de assinantes, com estimativas batendo em algo perto de 72 milhões de lá pra cá. Já o Spotify segue em uma posição muito mais confortável, com população marcada em 345 milhões de ouvintes – mais gente do que humanos no Brasil inteiro.

Spotify no iPhone (Imagem: André Fogaça/Tecnoblog)

Spotify no iPhone (Imagem: André Fogaça/Tecnoblog)

Apple Music paga mais, só que pode ser em menos vezes

Essa quantia inteira fica dividida em 155 milhões de usuários pagando algum plano Premium, com o restante ouvindo de graça, mas ainda assim gerando receita para o serviço de streaming com ajuda de publicidade. Levando em conta o mesmo modelo de negócios que aposta apenas em assinantes no Apple Music, o Spotify tem mais que o dobro de pessoas gastando ativamente todo mês na plataforma – então, teoricamente, o pagamento menor acaba se resolvendo em um maior número de reproduções.

Levando em conta todo contingente de usuários e arredondando números, a cada seis pessoas escutando música em streaming somente nestas duas opções, cinco estão no Spotify e apenas uma acompanha o mesmo conteúdo no Apple Music.

Por mais animador que possa parecer, é preciso lembrar que o artista responsável pela música não recebe o valor completo e isso vale tanto para Apple Music, como para Spotify e basicamente qualquer concorrente para além da dupla, como Deezer, Tidal e YouTube Music.

Uma parte considerável da quantia é enviada para a empresa que detém os direitos da música, para uma fração pequena chegar nas mãos do músico – ou músicos, no plural. No caso do Apple Pay, as gravadoras recebem 52% deste um centavo de dólar.

Com informações: The Verge e 9to5Mac.

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Juliano Machado Olivetti (@Juliano_Machado_Oliv)

Apple e talvez o Google realmente destinam mais por reprodução em vista ao Spotify, mas sempre precisa ressaltar que para as gigantes é um mero pequeno percentual de seus negócios, que não necessariamente precisam ser rentáveis a curto/médio prazo. Ao Spotify a coisa muda de figura, seu serviço de música é sua existência, além do que toda a operação foi estruturada com dinheiro de investidores, que não pode se dar ao luxo de manter um negócio de posicionamento “estratégico” (como Google e Apple), ele precisa se vislumbrar rentável num prazo mais curto, diferente de seus concorrentes. Resumindo, quando a Apple paga maior rentabilidade aos artistas/gravadoras, não porque a mesma seja “cool”, ou se importa em maior grau com o meio musical, e sim pelo motivo de ter um negócio mais estruturado, sem necessidade de retornos financeiros rápidos…