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YouTube apaga vídeo de Bolsonaro sobre “tratamento precoce” contra COVID-19

Live em que Jair Bolsonaro promove medicamentos sem eficácia contra COVID-19 viola políticas do YouTube

Victor Hugo SilvaPor

O YouTube removeu um vídeo em que o presidente Jair Bolsonaro promove o “tratamento precoce” com medicamentos sem eficácia contra a COVID-19. A prática descumpre a política da plataforma contra desinformação sobre a pandemia. Esta é a primeira vez em que o serviço do Google tira do ar um vídeo de Bolsonaro.

Jair Bolsonaro (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Jair Bolsonaro (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A remoção do vídeo foi identificada pela Novelo Data, empresa que monitora a atuação do YouTube, e confirmada por UOL Tilt e O Globo. A decisão envolve uma das lives semanais do canal de Bolsonaro, publicada em 14 de janeiro de 2021. De acordo com a plataforma, o conteúdo foi removido por violar sua política de informação incorreta sobre a COVID-19.

A política foi atualizada na sexta-feira (16) para impedir vídeos que incentivam o uso de medicamentos como ivermectina e hidroxicloroquina. A comunidade científica indicou diversas vezes que estes medicamentos não têm eficácia contra COVID-19.

No vídeo, Bolsonaro estimulou, com o então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, o uso desses medicamentos. O presidente comparou a ivermectina, a hidroxicloroquina e outros, que não têm eficácia contra a COVID-19, com os relatos sobre uso de água de coco no lugar de sangue em transfusões realizadas durante a Guerra do Pacífico.

“É a mesma coisa o tratamento precoce da COVID-19 com hidroxicloroquina, ivermectina, a tal da Annita, mais azitromicina, mais vitamina D. E não faz mal isso aí. E, se lá para a frente for comprovado que não faz surtir efeito, o que não vai acontecer porque, repito, neste prédio que eu estou aqui, mais de duzentas pessoas contraíram COVID, foram tratadas precocemente e nenhuma foi para o hospital”, disse Bolsonaro, durante a live, sem apresentar evidências.

O YouTube tirou o vídeo do ar (ele segue disponível no Facebook) e, agora, quem acessa o link vê um aviso de que o conteúdo foi removido por “violar as diretrizes da comunidade”. No entanto, a agência Ansa indica que as lives de 9 de julho de 2020, 10 de dezembro de 2020 e 15 de abril de 2021, em que Bolsonaro também promove o tratamento precoce, seguem no ar.

YouTube amplia política contra desinformação sobre COVID-19

O vídeo do canal de Bolsonaro foi removido após o YouTube anunciar uma expansão em sua política contra desinformação sobre a pandemia de COVID-19. A plataforma promete remover vídeos que divulguem medicamentos que não têm eficácia no tratamento ou na prevenção da doença.

O serviço já proibia conteúdo com informações médicas incorretas ou que contrariam orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde) ou de autoridades de saúde locais. Os vídeos são mantidos somente se houver contexto educacional, documental, científico ou artístico.

Segundo o YouTube, 850 mil vídeos foram removidos de sua plataforma desde o início da pandemia por violarem políticas de conteúdo sobre o coronavírus. Vale lembrar que Bolsonaro já teve conteúdos removidos por desinformação no Twitter, Facebook e Instagram. Alguns posts ganharam avisos por promoverem conteúdo enganoso a respeito da COVID-19.

Comentários da Comunidade

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@RODRIGO

Apagar desinformação jamais deve ser considerada censura, ok?!

@Comentador

A boiada vai a loucura.

Gustavo Guerra (@GustavoGuerra)

Torcendo pros bots do Google fazerem a limpa na plataforma.

@RODRIGO

Por gentileza, quais fontes comprovam o suposto tratamento precoce? Kit Covid não tem a comprovação científica no tratamento contra a Covid-19! Link: Kit covid: entenda por que o tratamento precoce não funciona. Quais medidas atenuantes? Distanciamento social, uso de máscaras e álcool gel 70%, e evitar aglomerações quaisquer!

Matheus Aguiar (@Matheus_Aguiar)

Esse YouTube comunista e petista tsctsc

Gustavo Guerra (@GustavoGuerra)

A taxa de mortalidade da COVID-19 gira em torno de 5%, isso significa que no cenário atual, sem remédio ou tratamento comprovadamente eficazes, a chance de você se curar naturalmente é de 95%.

Já o risco de você morrer ou ter complicações porque está usando remédios e tratamentos não recomendados é substancialmente maior. Em outras palavras, é simplesmente uma ação inútil que fere o mais baixo nível de lógica.

R F (@R_F)

Estão sentindo esse cheiro? Parece ser cheiro de queimado. Acho que esse tópico vai pegar fogo logo logo hein?

@RODRIGO

Fake News. Fonte: É #FAKE que Senado italiano aprovou 'tratamento precoce' contra Covid-19 | CoronaVírus | G1.

Sério? Nada disso! Fonte: É enganoso vídeo de ex-senador que compara Coronavac com ivermectina

Outra Fake News!! Fonte: É #FAKE mensagem que lista cidades sem morte nem internação por Covid-19 após adoção de tratamento precoce | CoronaVírus | G1

² (@centauro)

Assim como em várias outras doenças, o tratamento pra quem está com COVID é combater os sintomas enquanto espera o corpo lidar com o vírus.

Felipe Silva (@Felipe_Silva)

A questão é que não se usa medicamentos para atacar o vírus.

pra maioria das pessoas é exatamente isso, descansar e esperar o teu organismo fazer o trabalho dele, uma parte das pessoas precisa de auxilio médico com os sintomas, principalmente oxigênio (o que nem da pra chamar de medicamento dar oxigênio para alguém), e em casos mais graves temos corticoide e antibióticos para combate das infecções oportunistas (outras doenças que se aproveitam do organismo debilitado para se espalharem).

Muitos pacientes não morrem diretamente do covid, o vírus vai embora e deixa o corpo completamente debilitado e outras infecções que terminam de fazer o trabalho, assim como acontece com o vírus do HIV (esse não vai embora, mas pode estar em taxas extremamente baixas e mesmo assim tu morrer).

² (@centauro)

Só lembrando que seus familiares terem tomado um remédio e não terem precisado de hospitalização não comprova que o remédio foi o responsável.
Seus familiares podem simplesmente terem feito parte da grande maioria dos infectados que não precisam ser hospitalizados.