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Deepfakes são usados para criar mapas falsos de satélite

O deepfake utilizado no estudo foi capaz de criar uma imagem de satélite a partir de informações de três cidades diferentes

André FogaçaPor

Um estudo feito por um pesquisador chamado Bo Zhao mostra que deepfake pode ser utilizado para muito além da troca de corpos e rostos em vídeos, ou mesmo na voz de pessoas, já que é perfeitamente possível criar uma imagem de satélite falsa. A técnica é basicamente a mesma adotada para os humanos e que é envolta de muita polêmica.

Google Maps (Imagem: André Fogaça/Tecnoblog)

Google Maps (Imagem: André Fogaça/Tecnoblog)

O problema por aqui pode ser de menor ou maior tamanho, depende de como você pode ver a utilização. Zhao utilizou em seu teste uma mistura de imagens captadas por satélite em três cidades, com duas delas muito próximas e a outra muito distante: Pequim capital da China, junto de Seattle e Tacoma, ambas nos Estados Unidos e praticamente vizinhas ao estarem no mesmo estado de Washington.

A técnica criada pela pesquisa utiliza a mesma ideia de aprendizado de máquina e inteligência artificial para entender os padrões das três capturas reais, para elaborar uma quarta foto que não é de nenhum dos lugares listados – ela sequer é de algum município deste planeta.

A imagem abaixo mostra o desenho do mapa criado a partir destas cidades no indicador “a”, seguido do “b” com a foto verdadeira para a vizinhança. Já a “c” e “d” são inserções deste deepfake em um ambiente mais próximo do esperado para uma região de Seattle com mais áreas verdes, enquanto que a última tenta parecer como Pequim, com construções indo para tons monocromáticos e mais sombra para os prédios – que na capital chinesa são muito maiores do que as casas na cidade de interior dos Estados Unidos.

Três dos mapas criados com deepfake de Bo Zhao (Imagem: divulgação/Zhao et al)

Três dos mapas criados com deepfake de Bo Zhao (Imagem: divulgação/Zhao et al)

Deepfake de mapas apresentam falhas, por enquanto

Alguns detalhes entregam a montagem, sendo o primeiro na qualidade da imagem criada, junto de alguns pontos como ruas costurando bairros sem terminar em uma ligação com outro endereço. Este último ponto é pouco comum em ambas as cidades, mas acredito que treinamento mais aprimorado pode fazer o deepfake ser mais convincente.

A baixa qualidade pode ser até mesmo uma aliada para quem estiver com intenções não muito amigáveis, tentando, por exemplo, criar alguma narrativa sobre algum lugar em um momento do passado recente e sem fotos de satélites. Um exemplo pode ser uma foto falsa de uma região desmatada, para tentar provar que o desflorestamento nunca aconteceu de verdade nas décadas passadas.

Por outro lado, a inteligência artificial pode ser treinada para criar imagens do que seriam cidades onde apenas os mapas desenhados ou pinturas estão disponíveis. Pense como ter uma foto de satélite de Roma no século II, ou então da cidade onde você mora em algum momento dos anos 1920.

O estudo completo pode ser acessado a partir deste link (em inglês).

Com informações: TechCrunch.

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