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Nova York quer proibir mineração de bitcoin e outras criptomoedas

Projeto de lei quer impedir mineração de criptomoedas como o bitcoin no estado de Nova York para avaliar impactos ambientais

Bruno Ignacio Por

A mineração de criptomoedas, incluindo o bitcoin (BTC), vem se tornando um problema energético e ambiental para governos em todo o mundo. Nesta última segunda-feira (03), um novo projeto de lei foi apresentado ao Senado do Estado de Nova York com o objetivo de proibir a atividade na região por três anos, período no qual as autoridades deverão avaliar todos os impactos climáticos e econômicos dessas operações.

Mineração de bitcoin (imagem: Consulting 24/Flickr)

Mineração de bitcoin (imagem: Consulting 24/Flickr)

Mineração de bitcoin consome mais energia que Argentina

Para que as redes blockchain que sustentam as moedas digitais funcionem, é necessário que incontáveis máquinas no mundo todo cedam seu poder de processamento para criptografar e registrar todas as operações. Essa é a mineração de criptomoedas, que por sua vez demanda muita eletricidade para manter esses computadores funcionando 24 horas por dia.

De acordo com o Centro de Finanças Alternativas da universidade de Cambridge, somente a mineração de bitcoin consome cerca de 142 TWh (terawatts-hora), valor que supera o gasto energético de países inteiros, como a Ucrânia e Argentina. Porém, o principal fator poluente dessa atividade é que mais de 60% dela é realizada na China, onde a maior parte das usinas elétricas funcionam a base da queima de carvão.

O Bitcoin Energy Consumption Index, da plataforma Digiconomist, aponta que a mineração da criptomoeda libera cerca de 53 megatons de dióxido de carbono por ano, o equivalente a todas as emissões da Suécia. Agora, o norte do estado de Nova York se tornou um foco de mineradores de bitcoin e o governo espera um aumento contínuo da atividade no curto prazo.

Projeto proibiria mineração em Nova York por 3 anos

Por isso, o senador Kevin Parker criou um projeto de lei para proibir a mineração de bitcoin e de criptomoedas em todo o estado de Nova York por pelo menos três anos. Caso o texto atual seja aprovado, a atividade se tornaria ilegal na região durante o período determinado, no qual as autoridades conduziriam pesquisas para avaliar a liberação de gases poluentes, impactos no consumo de eletricidade e efeitos na fauna e flora local relacionados à mineração.

Com a pesquisa concluída, o resultado seria divulgado publicamente para que a população (e os próprios mineradores) possam comentar o projeto de lei durante quatro meses. Após a análise das respostas, os legisladores entrariam em um período de avaliação de propostas de regulamentações para frear a poluição relacionada à mineração de criptomoedas.

Duas cidades se tornam polos de mineração e poluição

Duas cidades no estado de Nova York chamaram a atenção. Dresden e Alcoa se tornaram polos de mineração e de poluição atmosférica. Nos últimos anos, algumas organizações mineradores de bitcoin adaptaram antigas e poluentes usinas de energia para que fornecessem eletricidade para milhares de máquinas que permanecem ligadas 24 horas por dia. Algumas instalações ainda contribuem para a rede locald, mas a maioria funciona exclusivamente para alimentar os galpões de mineração.

Roger Downs, diretor de conservação na ONG ambiental Sierra Club, disse ao Gizmodo que a recentemente aprovada Lei de Liderança Climática e Proteção Comunitária ironicamente serviu como um dos fatores que impulsionou a mineração de criptomoedas no estado de Nova York.

“Com a nova lei climática, estamos claramente nos afastando da geração de energia com combustíveis fósseis e tentando construir opções renováveis”, disse ele, apontando que a última usina a carvão em Nova York foi oficialmente fechada no ano passado. Porém, a iniciativa também liberou diversas instalações para que mineradores posteriormente as ocupassem.

Para ele, esse recente surto na mineração na região é resultado das pessoas se aproveitando de usinas anteriormente desativadas. “Eles tiram vantagem disso causando intensas emissões de carbono, mas isso é permitido pelas brechas em nossos regulamentos”, concluiu Downs.

Com informações: Gizmodo

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