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Pix está substituindo TED e até transações em dinheiro, diz Itaú

Número de transações Pix supera TED e DOC entre clientes PJ do Itaú; executivo menciona dois diferenciais para open banking

Felipe Ventura Por

O Pix já passou de R$ 500 bilhões movimentados desde seu lançamento e já superou o TED e DOC em número de transações, segundo dados do Banco Central. Ele está substituindo até mesmo os pagamentos em dinheiro: é o que diz Marcos Cavagnoli, diretor do Itaú para open banking e gerenciamento digital de dinheiro, em entrevista ao Tecnoblog.

Pix (Imagem: Divulgação / Banco Central)

Pix (Imagem: Divulgação / Banco Central)

“A chegada do Pix pode impactar as receitas de TED e DOC, porém entendemos que o Pix está fomentando a bancarização da população, permitindo que mais pessoas tenham acesso a produtos e serviços bancários”, afirma Cavagnoli por e-mail. “Então, um movimento pode neutralizar o outro.”

Além disso, o Itaú está observando uma substituição gradual das transações em dinheiro graças ao Pix. Isso gera “reduções importantes de custos transacionais, como os atrelados a gestão de numerário, e traz mais segurança para a sociedade como um todo”, diz o executivo.

Pix substitui TED e DOC entre clientes PJ

O Pix é gratuito para pessoa física e MEI, mas pode ser cobrado de pessoas jurídicas. Nubank e Inter têm tarifa zero para esse tipo de transação; enquanto isso, bancos tradicionais como Santander, Bradesco e Itaú possuem taxas para transferência e recebimento via chave Pix ou QR Code.

Cavagnoli diz que “o valor das transações varia de acordo com o montante da operação e depende do perfil do cliente, seu segmento e relacionamento com o banco”; e nota que o Pix é mais barato que outros tipos de transações.

Segundo a tabela de tarifas do Itaú, transferências via Pix feitas por clientes PJ devem pagar taxa de 1,45%, com tarifa mínima de R$ 1,75 e máxima de R$ 9,60.

Mesmo com a cobrança, o Pix responde por mais de 50% das transferências do Itaú entre clientes PJ, ou seja, superou o TED e DOC em número de transações. “Vemos que esse é um recurso amplamente utilizado e acreditamos que a tendência seja só aumentar, considerando as novas funcionalidades que estão sendo programadas”, diz Cavagnoli.

Uma dessas funcionalidades é o Pix Cobrança, previsto para ser lançado pelo BC ainda este mês: com ele, as empresas poderão gerar um código QR definindo a data de vencimento, juros, multas e descontos. É algo semelhante ao boleto, mas com compensação instantânea.

O Pix chegou (Imagem: Divulgação/Banco Central)

O Pix chegou (Imagem: Divulgação/Banco Central)

Itaú e open banking

O Pix gratuito para pessoa física tirou uma das restrições para mudar de banco, e o open banking deve incentivar ainda mais essa migração. Nesse sistema, o cliente pode disponibilizar seus dados financeiros para outras instituições: por exemplo, se você tiver feito um empréstimo, poderá receber propostas de portabilidade com juros e taxas menores.

Cavagnoli vê o Pix como uma oportunidade: “estamos expandindo o relacionamento com nossos clientes atuais e podemos atrair novos, até mesmo com a oferta de novos recursos construídos sobre a infraestrutura do próprio Pix”.

Sobre o open banking, o executivo acredita que o banco possui dois diferenciais: a segurança e inovação baseada em dados. “A obtenção de insights com base na análise de um extenso portfólio de informações tem sido o caminho do Itaú para entender com profundidade quem são seus clientes”, diz Cavagnoli. “O open banking abre espaço para a construção de soluções em patamar mais elevado, com muito mais customização.”

A primeira fase do open banking no Brasil começou em fevereiro, e envolve trocar informações de teste – em vez de dados de clientes – para testar a plataforma. O BC prevê que o sistema esteja operando de forma plena até dezembro de 2021.

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R F (@R_F)

Isso pode virar motivo para que TED seja extinto por exemplo.

Nem todo mundo usa TED, eu mesmo tive que fazer a transferência para um banco secundário de uma loja porque ela não aceitava Pix ainda.

Douglas Knevitz (@Douglas_Knevitz)

Mas ele vai. A ideia é expandir o pix.

É questão de tempo, estamos nos estágios iniciais. Logo o pix será usado para saques direto no caixa do supermercado, pagamentos por QRcode …

Jedielson (@Jedielson)

Gosto muito disso. Hoje foi dia de pagar os boletos do mês e fiz mais ou menos por alto uns 10 pix entre BB, Nubank, C6 e Inter. É uma maravilha. 🤌🏽

Jefferson Rodrigues (@Jefferson_Rodrigues)

Ontem, comprei algumas empadas e paguei via pix ao cara que vende empadas. Muito bom!

Igor Pamplona (@Igor_Pamplona)

desculpa o palavreado, mas aí é problema da loja

Whebert Souza (@whebertsouza)

Mas não tem essa de aceitar ou não PIX. Basta realizar o PIX utilizando agência e conta exatamente como você fez para realizar o TED. O uso das chaves é apenas um dos meios de se fazer um PIX.

Esse argumento de “não receber PIX” ocorre por falta de conhecimento do lojista.

As únicas instituições que ainda não recebem/realizam PIX, são corretoras de investimento, de resto, tudo faz e envia PIX.

Emanuel Schott (@Emanuel_Schott)

PIX se faz com dados bancários, exatamente como no TED. Não precisa de chave. Se te passaram os dados pra fazer o TED, é só fazer o PIX com eles.

Emanuel Schott (@Emanuel_Schott)

Creio que foi uma falha de comunicação do BC e dos bancos. Falaram tanto em chave pra lá, chave pra cá que as pessoas acham que precisa delas pra fazer um PIX.

Já ouvi muito “não fiz o cadastro no PIX e nem vou fazer”. Ai peço os dados bancários e a pessoa fica surpresa quando vê que recebeu por PIX.

Gigo CAP (@GigoCAP)

Amigo, os bancos tradicionais estão indo de vento em popa. Banco tradicional não quer saber de taxa de CC e 50 mil na poupança. O grosso dos caras são investimento, financiamento e empréstimos. E isso, tirando o Banco Inter, nenhuma fintech tem plataforma tão consolidada quanto os Itaú e Bradesco da vida.

imhotep (@imhotep)

Os lucros dos bancos tradicionais batem recorde a cada trimestre.
As fintechs vieram pra ficar, mas em termos de lucratividade, ainda estão anos-luz dos bancões…

ochateador (@ochateador)

Banco do Brasil teve um lucro de apenas 4 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2021.
Em matéria do tecnoblog ( Itaú, líder em carteiras digitais, também quer dominar WhatsApp Pagamentos | Negócios | Tecnoblog ), um diretor cantou uma bela vantagem. Em meios digitais, o itaú tem mais mercado que as fintech.

Por mais lento que os grandes bancos sejam, eles ainda tem uma bela gordura para queimar e podem entrar em todas as frentes possíveis, com um produto ruim e ir melhorando aos poucos.
O internet banking do BB, dizem que é o melhor de todos. Santander está melhorando bem lentamente aquela porcaria de site e aplicativo. Caixa está arrumando a porcaria da interface nos caixas eletrônicos (finalmente temos um botão voltar). Já o aplicativo do nubank… só vai perdendo funções e omitindo informações. Será que acabou o dinheiro ou os talentos ?

Só neste ano de 2021, precisei falar com o Nubank para obter informações de extrato e levei 5 dias para receber esse extrato (montado de maneira mais ruim possível, tive que usar meus conhecimentos em excel para transformar aquilo em um extrato decente e entender os números). Fui no itaú resolver problema para a irmã, em 20 minutos falei com a atendente e resolvemos todos os problemas possíveis. Fui no santander fazer transferência de alto valor e tirar umas dúvidas e em 1 hora, tinha tudo feito.

Não sou contra o Nubank e outras fintechs.
Mas está na hora de eles pararem com essa tranqueira de “politicamente correto”, somos antenados e modernos, somos igualitários, somos legais nas mídicas sociais e começarem a trabalhar direito. Por que do jeito que estão… só vão ficar patinando sem sair do local.