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Sistema bancário usa o dobro de energia que bitcoin, aponta estudo

Novo estudo indica que sistema bancário tradicional consome pelo menos duas vezes mais energia que bitcoin (BTC)

Bruno Ignacio Por

O bitcoin (BTC) é considerado a maior e mais importante criptomoeda do mercado, mas recentemente sofre muitas críticas devido ao alto consumo de energia relacionado a sua mineração. Porém, um novo estudo revelou que o sistema bancário tradicional gasta muito mais eletricidade do que a rede do ativo digital.

Mineração de bitcoin (Marco Verch/Flickr)

Mineração de bitcoin (Marco Verch/Flickr)

A empresa especializada em blockchain e moedas digitais Galaxy Digital divulgou um novo relatório na última sexta-feira. Intitulado “Sobre o consumo de energia do bitcoin: uma abordagem quantitativa para uma questão subjetiva”, o estudo compilou dados abertos da rede da criptomoeda e os colocou em comparação aos números relacionados ao sistema bancário tradicional e à indústria do ouro.

Finanças tradicionais consomem muito mais que bitcoin

A Galaxy estima que o consumo anual de eletricidade do bitcoin é de 113,89 TWh (terawatts-hora), incluindo a energia demandada por mineradores, pela rede e pelos blocos de dados criptografados. O que o estudo identificou foi que esse valor é pelo menos duas vezes menor que o total gasto pelo sistema bancário e também pela indústria do ouro anualmente.

Enquanto os dados relacionados ao consumo energético do blockchain do bitcoin sejam plenamente acessíveis pela natureza transparente de sua rede, os números de bancos, instituições financeiras e empresas de mineração de ouro são muito mais complicados de se obter. Por isso, a Galaxy projetou estimativas baseadas nas informações disponíveis e comparou os resultados.

“O setor bancário não informa diretamente os dados de consumo de eletricidade”, afirma o relatório. Dadas as estimativas da empresa sobre o uso de energia por centros de dados bancários, agências, caixas eletrônicos e servidores de redes de cartões, o consumo anual total de energia das finanças tradicionais é estimado em 263,72 TWh globalmente.

Indústria do ouro também gasta mais energia que bitcoin

Já para calcular o consumo de energia da indústria do ouro, o estudo utilizou estimativas para as emissões totais de gases poluentes fornecidas no relatório “Ouro e mudanças climáticas: impactos atuais e futuros”, do World Gold Council. De acordo com os números encontrados pela Galaxy, esse setor utiliza cerca de 240,61 TWh por ano.

“Essas estimativas podem excluir as principais fontes de uso de energia e emissões, que são efeitos secundários da indústria do ouro, como a eletricidade e a poluição relacionadas aos pneus e outros materiais e ferramente usados ​​nas minas de ouro”, observou o estudo.

Bitcoin é poluente por sua matriz energética

Por mais que os números não sejam oficiais, eles fornecem uma visão sobre o todo que envolve a discussão sobre impactos ambientais. Mas algumas dúvidas importantes não foram respondidas. O bitcoin não é poluente pela quantidade de energia utilizada em sua mineração, mas sim pela matriz energética predominante na atividade.

Uma vez que a China é responsável por 65% da taxa de hash de BTC no mundo, de acordo com o Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index, a maioria dos computadores e máquinas que processam as transações e mantém o blockchain da criptomoeda é sustentada por usinas termoelétricas movidas a carvão. Por isso, Elon Musk, o CEO da Tesla, anunciou que sua empresa de carros elétricos deixará de aceitar a moeda digital devido a preocupações com seu impacto ambiental.

As críticas de ambientalistas vem causando um efeito muito negativo no mercado de criptomoedas, enquanto a recente declaração de Musk foi um dos fatores responsáveis por fazer a moeda digital despencar nos últimos dias, atingindo o seu menor preço desde fevereiro.

Com informações: Cointelegraph

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² (@centauro)

Um relatório interessante mas não sem problemas também.

Em termos de metodologia, tem pontos sem explicação detalhada.
Por exemplo no caso de gasto de energia de agências bancárias. Eles dizem que consideraram uma agência como um negócio de pequeno porte e usaram a média que um negócio desse porte gasta em 4 países (USA, UK, Mexico e China). Mas eles não dizem quais critérios usaram para escolher esses 4 países, além de admitirem que não possuem essa estatística para 2 dos países escolhidos. E eu não encontrei essa informação nem no Github que eles falam que tem a metodologia.

E tem as argumentações que eles apresentam depois, na seção “Value is in the Eye of the Beholder” que tem algumas mais ou menos.
Falam lá que mineirar bitcoin é um jeito de usar material (gás metano) ou energia (de fontes intermitentes como eólica e solar) que seria desperdiçada. Argumentam isso, mas esse argumento é válido para qualquer outra atividade que requeira energia elétrica de maneira intermitente, na real.
Falam também que o mineirador é um agente racional. Imagino que quem estudou Economia tenha a percepção de que esse papo de “agente racional” é meio balela e eu não vejo muitos motivos para que esse caso seja diferente. Claro que vai ter mineirador racional, assim como vai ter mineirador irracional. A pergunta é qual tipo é a maioria.

Fora o que foi citado no post, sobre a questão da matriz energética e a consequente emissão de gases. Um tanto irônico que no relatório eles calculam o gasto energético da indústria de ouro a partir da emissão de gases estufa.

E, claro, é sempre bom prestar atenção em quem está fazendo o relatório. Viés é difícil de evitar, mas em alguns casos é bem mais provável que não haja esforço para evitá-lo.

Danílio Costa da Silva (@Daniliocs)

Esse tipo de logica e comparação nem faz sentido. Quantos milhões de pessoas o sistema bancário tradicional atende? Qual o peso/impacto desse setor na economia mundial? Quantos empregos gera? Facilmente bilhões de pessoas e trilhões de dólares direta e indiretamente. Ai basta vc fazer uma comparação simples entre os dois dessa perspectiva que vemos que o Bitcoin é muitas vezes pior (relação gasto / impacto na vida das pessoas)

🤷‍♀️ (@xavier)

centros de dados bancários, agências, caixas eletrônicos e servidores de redes de cartões, o consumo anual total de energia das finanças tradicionais é estimado em 263,72 TWh globalmente.

Isso é a mesma coisa que dizer que uma geladeira gasta menos energia que uma câmara fria. Claro que gasta, não porque é mais eficiente, mas porque tem um tamanho muito menor.

Eles estão comparando um sistema financeiro inteiro, contra algo que sequer dá pra ser utilizado no dia-a-dia e já gasta metade da energia do primeiro.

Gustavo Cardoso (@Gustavo_Cardoso)

Cara, é bem simples. Minerador de Bitcoin gosta de energia BARATA e EFICIENTE. Essa ladainha que mineradores usam combustíveis fósseis e poluentes é um discurso de puro marketing conceitual para desacreditar a tecnologia de Blockchain e seus derivativos.

Não caia nessa narrativa!

Primeiro, essas criticas ao Bitcoin sempre surgem em momentos de alta do preço do ativo, ou quando há um aumento da força computacional investida. Levando em consideração o contexto de crise no mercado de semicondutores, é de se esperar que haja alguma guerra de narrativas para tentar desmotivar a atividade de mineração e investimento na tecnologia de Blockchain e seus derivativos (Bitcoin, Ethereum, etc.).

Segundo, o fato da rede do Bitcoin consumir cada vez mais energia não é um problema para o mundo. Assim como o fato da humanidade, como um todo, consumir cada vez mais energia também NÃO é um problema para humanidade e para o planeta. O consumo de energia per-capita em todo o planeta vem aumentando consistentemente nas últimas décadas e isso não está diretamente relacionado ao aumento de pegada de carbono e danos ao meio-ambiente.

Por fim, mineradores de Bitcoin, Ethereum, etc… são completamente agnósticos à matriz energética. A única coisa que realmente importa para essa rede é ENERGIA BARATA! Mineradores DEPENDEM ECONOMICAMENTE de energia barata, estável e eficiente. O custo energético dos mineradores é o principal custo operacional do modelo de negócio deles. É uma questão pura de lógica econômica! Mineradores são completamente agnósticos à matrz energética. Onde houver energia barata e abundante é para lá que a rede irá migrar.

Compare isso com o modelo de negócio dos bancos tradicionais! Pode um Santander, ou Itáu, migrar todos os seus ATMs, funcionários e agências para a Venezuela? Ou para China? Faz algum sentido você ter que atravessar o mundo para sacar dinheiro? Para conversar com seu gerente? Não. Os “bancões” não podem migrar sua rede para onde há oferta de energia eficiente e barata. Eles precisam pulverizar sua presença em várias cidades, estados, aldeias, municípios, vilas litorâneas, ilhas. Os bancos precisam estar em todo lugar, pois, a grande característica da rede bancária que a diferencia da concorrência é, justamente, a de estar “sempre com você” não é mesmo? rs

Neste aspecto, um banco não pode migrar sua rede para onde há energia eficiente, abundante e barata. Pois o modelo de negócio dos bancos depende dessa dispersão e pulverização geográfica. Logo, os bancos tradicionais SÃO SIM menos eficientes que a mineração de Bitcoin, pelo simples fato de que essa última pode (e deve) migrar todo o seu poder computacional para onde houver oferta de energia barata, abundante e estável movidos pelo interesse de redução de custo operacional (OPEX).

É só usar a lógica! Não precisa de relatório nenhum não…

Por fim, recomendo assistir a aula do economista Fernando Ulrich para entender melhor sobre o tema. Lá ele explica de uma forma muito mais didática e específica o que eu tentei explanar aqui.

² (@centauro)

Que, atualmente, é combustível fósseis e poluentes.
Essa é a crítica.
Por mais que países como a Islândia, cuja matriz energética é praticamente toda verde, renovável e barata, esteja crescendo no cenário de mineração, a China ainda é o principal player e a sua matriz energética é poluente. Quando isso mudar, essa crítica, da forma como está, cai por água.

Se a fonte de energia utilizada para suprir esse aumento de consumo for poluente e detrimental para o meio ambiente, então o uso de cada vez mais energia É sim um problema para a humanidade e para o planeta.
Esse gráfico que você e o cara do vídeo se referem mostra única e exclusivamente que há um aumento histórico do consumo de eletricidade per capta. Isso por si só não mostra que esse aumento não é prejudicial para a humanidade e para o planeta.
É mesma coisa pegar um gráfico que mostra o aumento do uso de smartphone ao longo dos anos e dizer que isso não é prejudicial para a humanidade e para o planeta. O gráfico não diz nada sobre isso.

De novo, o problema é que, atualmente, a energia barata e abundante é o de combustíveis fósseis poluentes.
E essa é a crítica.

Ele fala bastante coisa parecida com o que o relatório fala também.

E sobre bancos e o sistema bancário, entra também o que o Danilocs comentou. O sistema bancário ainda é muito maior, muito mais abrangente do que o sistema de criptomoedas. A comparação direta não faz sentido. O ideal seria fazer uma comparação relativa, mas isso é complicado fazer porque é difícil fazer o cálculo (nem sei como raios seria feito esse cálculo, mas enfim).

Por fim, meu primeiro comentário foi com críticas ao relatório, não ao bitcoin em si. Eu estou apontando pontos que eu achei de problemático no relatório em si.
E eu acho isso importante de se fazer ainda mais quando é um documento defendendo o bitcoin escrito por uma instituição que tem um interesse no bitcoin.

Emanuel Schott (@Emanuel_Schott)

Um ar condicionado no 28º gasta menos energia que no 23º, mas na temperatura mais alta é um gasto de energia inútil… entendedores entenderão!

Luiz Felipe (@Luiz_Felipe)

legal, mas quantas pessoas usam bitcoin e quantas pessoas usam o sistema bancário tradicional?

e se o bitcoin fosse tão usado quanto o sistema bancário tradicional, quanto mais de energia ele usaria? sei lá 100x mais energia q o sistema bancário tradicional?

² (@centauro)

65% da mineiração de BTC em 2020 ocorreu na China.

Xingjiang respondeu por mais ou menos metade da mineiração chinesa.

Xingjian tem a maior reserva de carvão, petróleo e gás natural da China.
Infelizmente eu não encontrei uma fonte com a fonte de geração de energia na região mais atual. A desse último link é meio antigo e pouco específico, mas tem uma distribuição maior entre carvão, petróleo e gás, com hidrelétrica, eólica e solar aparentemente em ascensão.
Talvez a geração por enegia limpa esteja alcançando a de energia suja, não sei.

Mas essa região é responsável por metade da mineração.
A outra metade eu não sei como está distribuída pelo país, mas de acordo com o site que você postou no seu primeiro comentário:

Mais da metade da energia produzida na China vem do carvão. Então não me parece totalmente sem fundamento dizer que a matriz energética mais comum utilizada na China para mineirar BTC seja de fontes poluentes.

Eu acho extremamente improvável que uma cidade cobre preço diferente pela energia de acordo com a matriz energética. E com isso eu quero dizer que eu não acho que energia renovável e limpa seja mais barata que energia de carvão na China mesmo que uma cidade tenha duas matrizes energéticas.
Por mais que o país esteja tentando caminhar para uma matriz energética mais limpa e que até tenham cidades incecntivando a mineiração de bitcoin pra usar o excesso de energia produzido pela matriz mais limpa, me parece que isso ainda é a exceção e não a regra (fora que podemos muito bem debater sobre o impacto real da energia hidrelétrica também, que também tem seus problemas com a questão do alagamento, mudança do regime hídrico e os problemas sociais gerados).

teo venier (@teo_venier)

Eu como peão de chão de fábrica, não entendo esse alvoroço por Bitcoin. Pra mim oq interessa é “vou poder comprar uma coxinha de frango na padaria da esquina com isso?” E a resposta hj é não. (Ponto final)
Vejo o valor disso variando MUITO em um curto espaço de tempo, sobe 50% em uma semana pra cair 20% três dias depois. Uma padaria não conseguiria precificar seus produtos em Bitcoin assim, como era na época da hiperinflação em q o supermercado trocava o preço do produto na sua mão enquanto vc comprava.
Uso como reserva de valor? Pra comprar oq? Dólar/real? Ou seja Bitcoin só serve pra comprar dinheiro de verdade (controlado pelo governo) q este sim tem utilidade pro dia a dia?
Me parece a mesma coisa de comprar figurinhas de jogador pra daqui há alguns anos trocar por dinheiro de verdade (do governo) por mais doq eu gastei anos atrás.
A ideia original do Bitcoin substituindo o dinheiro do governo, do meu ponto de vista morreu, ninguém quer comprar uma pizza com 30 Bitcoin no lugar de 30 dinheiros