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Twitter abandona algoritmo de imagem com viés em priorizar rostos brancos

Twitter diz que apesar de algoritmo não ter preferência por rostos brancos, recorte de imagem limitava experiência do usuário

Pedro Knoth Por

O polêmico algoritmo do Twitter que virou motivo de reclamação dos usuários por distinguir entre brancos e negros no tratamento de imagens é página virada. A rede social diz que vai abandonar o modelo e pretende deixar a edição de imagens em mãos de carne e osso – o dono da conta deve decidir como melhor recortar suas fotos.

Twitter muda a forma de exibir prévia na timeline (Imagem: divulgação/Twitter)

Twitter muda a forma de exibir prévia na timeline (Imagem: divulgação/Twitter)

Algoritmo do Twitter é menos enviesado do que parece

A rede americana fez testes em sua ferramenta para analisar a preferência por rostos brancos e rostos masculinos a femininos. A conclusão é de que o algoritmo não apresenta favorecimento expressivo. Nas imagens examinadas pela pesquisa, houve destaque de 7% a mais de rostos de mulheres brancas a negras. Essa proporção foi de 2% para homens e, no geral, a ferramenta selecionou 4% mais pessoas brancas do que negras em fotos.

O Twitter também examinou a preferência por mostrar mais homens do que mulheres em fotos, além do que a engenheira de software Runman Chowdhury, que participou da pesquisa, chamou de “olhar masculino”: o foco da imagem em partes da mulher como tronco e pernas. O tratamento de fotos destaca homens 8% a mais do que mulheres, mas quando o faz, geralmente não foca em outras partes senão o rosto. Quando há exceções, o destaque são as roupas.

A polêmica na prévia de fotos do Twitter

Em setembro de 2020, contas no Twitter notaram que o algoritmo favorecia rostos brancos ao invés de negros na seleção de imagem. Em um post, o usuário Tony Arcieri coloca em sobreposição o rosto dos políticos Mitch McConnell, branco, e Barack Obama, negro. A posição então é invertida para observar como o algoritmo prioriza a imagem. Mesmo com Obama em uma posição de maior destaque, é o rosto de McConnell que aparece em ambos resultados. A cobrança por mudanças se estendeu até a plataforma ceder e prometer investigar a situação.

O Twitter implantou um “algoritmo de saliência” para recortar e ajustar fotos em 2018. Esse fator de saliência era definido pelos elementos mais atraentes ao olho humano em uma imagem. Segundo a rede social, a ferramenta permitia ao usuário ver mais tweets em sua linha do tempo — forma de padronizar as postagens de fotos para facilitar a experiência de navegação.

Esse algoritmo de saliência deixou de ser usado pelo Twitter desde maio de 2021 no aplicativo para iPhone e Android, e também deve ser aposentado na web — repare que, no exemplo acima, o recorte ainda ocorre. “O objetivo é dar às pessoas um controle maior sobre como suas imagens aparecerem enquanto melhoramos a experiência de outras pessoas vendo imagens na timeline delas”, disse Runman Chowdhury no resultado da pesquisa feita pelo Twitter.

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